NOSSA HISTÓRIA
NOSSA HISTÓRIA
Grupo Espírita Mensageiros da Luz
CNPJ 13.117.936/0001-49
Fundada em 18 de junho de 1985 . Nossas atividades se iniciaram na sede do Clube Cultural dos Violeiros de Gravataí onde fomos recebidos com muito carinho e respeito. Ali desenvolvemos os trabalhos de estudo doutrinário e formação de grupos de trabalhos. Procedente do Grupo Espirita Nosso lar em Gravataí, onde participei por 4 anos como voluntário e palestrante, eu, Carlos Eduardo Muller, resolvi fundar nossa casa espírita no Parque dos Anjos . Foi uma tarefa executada com muita alegria e acompanhada de pessoas interessadas em desenvolver um grupo de estudos para que posteriormente a casa prestasse atendimento ao público. Nosso grupo contou inicialmente com a irmã Bernadete Antunes, irmã Kátia Pisoni, irmã Maria Guiomar, irmã Ieda R. Rosa, irmã Elisabete, irmão Miguel Cardoso, irmão Everton da Silva Cardoso, irmã Eni, e dirigindo as atividades eu, Carlos Eduardo Muller. Foram 13 anos de muito aprendizado neste local, e nenhuma dificuldade nos impediu de impulsionar cada vez mais a Doutrina Espírita, pois somente através de muito esforço conseguiríamos atingir nosso objetivo: Ter uma casa Espírita com irmãos preparados espiritualmente e conhecedores da doutrina ditada pelos espíritos a Allan Kardec. Só o fato de manter um grupo em plena atividade ja era uma vitória. Todos sabíamos das responsabilidades em conduzir um trabalho 100% filantrópico. Como em todas as casas espíritas, tambem a nossa sofria e sofre com a rotatividade de colaboradores, fato compreendido por todos nós espíritas. Foram muitos os colaborabores que passaram e contribuiram de alguma forma para o crescimento do grupo. Por opção, alguns foram em busca de outros grupos e outros não conseguiram acompanhar as atividades pelo tamanho da responsabilidade que nos é dada.
Neste período criamos o programa " UM DIA SÓ PRA MIM " normalmente promovido a cada ano. São encontros promovidos com intuito de reunir pessoas da comunidade e outros grupos espíritas durante um dia inteiro com palestras variadas e trocas de informações e sugestões pelos participantes. Neste dia todos se manifestam de alguma forma no sentido de fortalecer os laços que nos unem. O primeiro encontro foi realizado na casa da irmã Eni onde tivemos a participação de aproximadamente 60 pessoas da comunidade e outros grupos. A partir deste, passamos a executar o programa anualmente. Dentre os palestrantes que nos auxiliaram nestes encontros tivemos Nazareno Feitosa procedente de Brasília DF, que aproveitando nosso evento tambem promoveu palestras em casas espíritas de Porto Alegre . Tambem contamos com a participação do dr. José Carlos Pereira Jotz que nos brindou com esposições tendo como tema medicina e saúde .
Em 1998 surgiu a oportunidade de mudança de endereço. Foi só a partir deste ano que conseguimos então organizar melhor as atividades do grupo. Foi uma experiência valiosa. Promovemos a partir de então campanhas de arrecadação de roupas e alimentos para irmãos em dificuldades e quando possível fazíamos o Sopão Comunitário para famílias mais nescessitadas.
Mas foi somente em 31 de julho de 2007 que o Grupo Espírita Mensageiros da Luz foi definitivamente registrado , tendo então uma diretoria formada e um estatuto social . Nesta data em assembléia realizada com a participação de 30 pessoas foi dado posse após votação unânime a diretoria da Sociedade Espírita Mensageiros da Luz, tendo como Presidente a irmã Maira Kubaski de Arruda e como vice Carlos Eduardo Muller. Participaram desta Assembléia , votaram e foram considerados oficialmente Sócios Fundadores as seguintes pessoas: Alexandre Fabichak Junior, Iliani Fátima Weber Guerreiro, Maira Kubaski de Arruda, Alex Sander Albani da Silva, Alexsandra Siqueira da Rosa Silva, Xenia Espíndola de Freitas, Terezinha Richter, Valéria Correia Maciel, Richeri Souza, Carla Cristina de Souza, Miriam de Moura, Maria Guiomar Narciso, Neusa Marília Duarte, Elisabete Martins Fernandes, Leandro Siqueira, Paulo dos Santos, Carlos Eduardo Muller, Camila Guerreiro Bazotti , Sislaine Guerreiro de Jesus, Luiz Leandro Nascimento Demicol, Vera Lucia de Oliveira Nunes, Ieda Rocha da Rosa, Marlon Esteves Bartolomeu, Ricardo Antonio Vicente, Miguel Barbosa Cardoso, Everton da Silva Cardoso, Maria Celenita Duarte, Vera Regina da Silva, Rosangela Cristina Vicente, e Bernadete Antunes. Todos os atos foram devidamente registrados em cartório e constam no livro ata de fundação, sob o número 54822 do livro A-4 com endossamento jurídico do Dr. Carlos Frederico Basile da Silva, advogado inscrito na OAB/RS 39.851.
Durante os meses de maio e junho de 2011 nossa casa promoveu com apoio da Federação Espirita do Rio Grande do Sul e da Ume, um curso de desenvolvimento Mediúnico ministrado as quintas feiras das 19 as 21 horas. Tivemos em média 40 participantes por tema ministrado com a inclusão de mais 4 casas espíritas de Gravataí , alem dos trabalhadores da nossa casa, fortalecendo desta forma os laços de amizade, assim como , o aperfeiçoamento de dirigentes e o corpo mediúnico das Casas Espíritas.
Hoje, nossa Casa Espírita assume uma responsabilidade maior e conta com grupo de estudos, atendimentos de passes isolado e socorro espiritual, magnetismo, atendimento fraterno , evangelização infantil, palestras, Cirurgias Espirituais (sem incisões), prateleira comunitária (arrecadação de alimentos e roupas para famílias carentes),, bem como leva ao público em geral informações valiosas através do nosso blog: www.carlosaconselhamento.blogspot.com
Departamentos
DIJ - Depto da Infância e Juventude
DAFA- Depto da Família
DEDO - Depto Doutrinário
DECOM- Depto de Comunicação Espírita
DAPSE - Depto de Assistência Social Espírita
DP -Departamento Patrimonial
QUEM SOU EU E O QUE APRENDÍ
QUEM SOU EU E O QUE APRENDI
Alguem que busca conquistar a confiança no ser humano para poder acreditar que o mundo pode ser melhor.Aprendi que, por pior que seja um problema ou uma situação, sempre existe uma saída.Aprendi que é bobagem fugir das dificuldades.Mais cedo ou mais tarde,será preciso tirar as pedras do caminho para conseguir avançar.Aprendi que, perdemos tempo nos preocupando com fatos que muitas vezes só existem na nossa mente.Aprendi que, é necessário um dia de chuva,para darmos valor ao Sol. Mas se ficarmos expostos muito tempo, o Sol queima. Aprendi que , heróis não são aqueles que realizaram obras notáveis. Mas os que fizeram o que foi necessário ,assumiram as consequências dos seus atos. Aprendi que, não vale a pena se tornar indiferente ao mundo e às pessoas.Vale menos a pena, ainda,fazer coisas para conquistar migalhas de atenção. Aprendi que, não importa em quantos pedaços meu coração já foi partido.O mundo nunca parou para que eu pudesse consertá-lo. Aprendi que, ao invés de ficar esperando alguém me trazer flores,é melhor plantar um jardim.Aprendi que, amar não significa transferir aos outros a responsabilidade de me fazer feliz.Cabe a mim a tarefa de apostar nos meus talentos e realizar os meus sonhos. Aprendi que, o que faz diferença não é o que tenho na vida, mas QUEM eu tenho.E que, boa família são os amigos que escolhi.Aprendi que, as pessoas mais queridas podem às vezes me ferir.E talvez não me amem tanto quanto eu gostaria,o que não significa que não me amem muito,talvez seja o Maximo que conseguem.Isso é o mais importante. Aprendi que, toda mudança inicia um ciclo de construção,se você não esquecer de deixar a porta aberta. Aprendi que o tempo é muito precioso e não volta atrás.Por isso, não vale a pena resgatar o passado. O que vale a pena é construir o futuro.O meu futuro ainda está por vir.Foi então que aprendi que devemos descruzar os braços e vencer o medo de partir em busca dos nossos sonhos.
Doutrina Espírita
sábado, 25 de julho de 2009
CORAGEM DA FÉ
14. Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do Homem também dele se envergonhará, quando vier na sua glória e na de seu Pai e dos santos anjos. (S. LUCAS, capítulo IX, v. 26.)
15. A coragem das opiniões próprias sempre foi tida em grande estima entre os homens, porque há mérito em afrontar os perigos, as perseguições, as contradições e até os simples sarcasmos, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente idéias que não são as de toda gente. Aqui, como em tudo, o merecimento é proporcionado às circunstâncias e à importância do resultado. Há sempre fraqueza em recuar alguém diante das conseqüências que lhe acarreta a sua opinião e em renegá-la; mas, há casos em que isso constitui covardia tão grande, quanto fugir no momento do combate.
Jesus profliga essa covardia, do ponto de vista especial da sua doutrina, dizendo que, se alguém se envergonhar de suas palavras, desse também ele se envergonhará; que renegará aquele que o haja renegado; que reconhecerá, perante o Pai que está nos céus, aquele que o confessar diante dos homens. Por outras palavras: aqueles que se houverem arreceado de se confessarem discípulos da verdade não são dignos de se verem admitidos no reino da verdade. Perderão as vantagens da fé que alimentem, porque se trata de uma fé egoísta que eles guardam para si, ocultando-a para que não lhes traga prejuízo neste mundo, ao passo que aqueles que, pondo a verdade acima de seus interesses materiais, a proclamam abertamente, trabalham pelo seu próprio futuro e pelo dos outros.
16. Assim será com os adeptos do Espiritismo. Pois que a doutrina que professam mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo. Eles semeiam na Terra o que colherão na vida espiritual. Colherão lá os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.
NÃO SÃO OS QUE GOZAM DE SAÚDE QUE PRECISAM DE MÉDICO
12. Jesus se acercava, principalmente, dos pobres e dos deserdados, porque são os que mais necessitam de consolações; dos cegos dóceis e de boa fé, porque pedem se lhes dê a vista, e não dos orgulhosos que julgam possuir toda a luz e de nada precisar. (Veja-se: "Introdução", artigo: Publicanos, Portageiros.)
Essas palavras, como tantas outras, encontram no Espiritismo a aplicação que lhes cabe. Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade devera ser atributo exclusivo dos de maior merecimento.
Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar. Ora, nenhuma há de que o homem, por efeito do seu livre-arbítrio, não possa abusar, e se Deus não houvesse concedido, por exemplo, a palavra senão aos incapazes de proferirem coisas más, maior seria o número dos mudos do que o dos que falam. l)cus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o que delas abusa.
Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. Não são estes últimos os doentes que necessitam de médico? Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria do socorro que o pode arrancar ao lameiro? Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, dados diretamente, são de natureza a impressioná-lo de modo mais vivo, do que se os recebesse indiretamente. Deus, em sua bondade, para lhe poupar o trabalho de ir buscá-la longe, nas mãos lhe coloca a luz. Não será ele bem mais culpado, se não a quiser ver? Poderá desculpar-se com a sua ignorância, quando ele mesmo haja escrito com suas mãos, visto com seus próprios olhos, ouvido com seus próprios ouvidos, e pronunciado com a própria boca a sua condenação? Se não aproveitar, será então punido pela perda ou pela perversão da faculdade que lhe fora outorgada e da qual, nesse caso, se aproveitam os maus Espíritos para o obsidiarem e enganarem, sem prejuízo das aflições reais com que Deus castiga os servidores indignos e os corações que o orgulho e o egoísmo endureceram.
A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores. E apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos, em geral. O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistência. Unicamente neste sentido é que a excelência das qualidades morais se torna onipotente sobre a mediunidade.
Coragem da fé
13. Aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu também o reconhecerei e confessarei diante de meu Pai que está nos céus; - e aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus. - (S. MATEUS, cap. X, vv. 32 e 33.)
14. Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do Homem também dele se envergonhará, quando vier na sua glória e na de seu Pai e dos santos anjos. (S. LUCAS, capítulo IX, v. 26.)
15. A coragem das opiniões próprias sempre foi tida em grande estima entre os homens, porque há mérito em afrontar os perigos, as perseguições, as contradições e até os simples sarcasmos, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente idéias que não são as de toda gente. Aqui, como em tudo, o merecimento é proporcionado às circunstâncias e à importância do resultado. Há sempre fraqueza em recuar alguém diante das conseqüências que lhe acarreta a sua opinião e em renegá-la; mas, há casos em que isso constitui covardia tão grande, quanto fugir no momento do combate.
Jesus profliga essa covardia, do ponto de vista especial da sua doutrina, dizendo que, se alguém se envergonhar de suas palavras, desse também ele se envergonhará; que renegará aquele que o haja renegado; que reconhecerá, perante o Pai que está nos céus, aquele que o confessar diante dos homens. Por outras palavras: aqueles que se houverem arreceado de se confessarem discípulos da verdade não são dignos de se verem admitidos no reino da verdade. Perderão as vantagens da fé que alimentem, porque se trata de uma fé egoísta que eles guardam para si, ocultando-a para que não lhes traga prejuízo neste mundo, ao passo que aqueles que, pondo a verdade acima de seus interesses materiais, a proclamam abertamente, trabalham pelo seu próprio futuro e pelo dos outros.
16. Assim será com os adeptos do Espiritismo. Pois que a doutrina que professam mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo. Eles semeiam na Terra o que colherão na vida espiritual. Colherão lá os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.
Carregar sua cruz. Quem quiser salvar a vida, perdê-la-á
17. Bem ditosos sereis, quando os homens vos odiarem e separarem, quando vos tratarem injuriosamente, quando repelirem como mau o vosso nome, por causa do Filho do Homem. - Rejubilai nesse dia e ficai em transportes de alegria, porque grande recompensa vos está reservada no céu, visto que era assim que os pais deles tratavam os profetas. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 22 e 23.)
18. Chamando para perto de si o povo e os discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; -porquanto, aquele que se quiser salvar a si mesmo, perder-se-á; e aquele que se perder por amor de mim e do Evangelho se salvará. - Com efeito, de que serviria a um homem ganhar o mundo todo e perder-se a si mesmo? (S. MARCOS, cap. VIII, vv. 34 a 36; - S. LUCAS, cap. IX, vv. 23 a 25; - S. MATEUS, cap. X, vv. 38 e 39; - S. JOÃO, cap. XII, vv. 25 e 26.)
19. "Rejubilai-vos, diz Jesus, quando os homens vos odiarem e perseguirem por minha causa, visto que sereis recompensados no céu." Podem traduzir-se assim essas verdades: "Considerai-vos ditosos, quando haja homens que, pela sua má-vontade para convosco, vos dêem ocasião de provar a sinceridade da vossa fé, porquanto o mal que vos façam redundará em proveito vosso. Lamentai-lhes a cegueira, porém, não os maldigais."
Depois, acrescenta: "Tome a sua cruz aquele que me quiser seguir", isto é, suporte corajosamente as tribulações que sua fé lhe acarretar, dado que aquele que quiser salvar a vida e seus bens, renunciando-me a mim, perderá as vantagens do reino dos céus, enquanto os que tudo houverem perdido neste mundo, mesmo a vida, para que a verdade triunfe, receberão, na vida futura, o prêmio da coragem, da perseverança e da abnegação de que deram prova. Mas, aos que sacrificam os bens celestes aos gozos terrestres, Deus dirá: "Já recebestes a vossa recompensa."
MEDIUNIDADE GRATUÍTA
8. Quem conhece as condições em que os bons Espíritos se comunicam, a repulsão que sentem por tudo o que é de interesse egoístico, e sabe quão pouca coisa se faz mister para que eles se afastem, jamais poderá admitir que os Espíritos superiores estejam à disposição do primeiro que apareça e os convoque a tanto por sessão. O simples bom senso repele semelhante idéia. Não seria também uma profanação evocarmos, por dinheiro, os seres que respeitamos, ou que nos são caros? E fora de dúvida que se podem assim obter manifestações; mas, quem lhes poderia garantir a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos, brincalhões e toda a caterva dos Espíritos inferiores, nada escrupulosos, sempre acorrem, prontos a responder ao que se lhes pergunte, sem se preocuparem com a verdade. Quem, pois, deseje comunicações sérias deve, antes de tudo, pedi-las seriamente e, em seguida, inteirar-se da natureza das simpatias do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira condição para se granjear a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e material.
9. A par da questão moral, apresenta-se uma consideração efetiva não menos importante, que entende com a natureza mesma da faculdade. A mediunidade séria não pode ser e não o será nunca uma profissão, não só porque se desacreditaria moralmente, identificada para logo com a dos ledores da boa-sorte, como também porque um obstáculo a isso se opõe. E que se trata de uma faculdade essencialmente móvel, fugidia e mutável, com cuja perenidade, pois, ninguém pode contar. Constituiria, portanto, para o explorador, uma fonte absolutamente incerta de receitas, de natureza a poder faltar-lhe no momento exato em que mais necessária lhe fosse. Coisa diversa é o talento adquirido pelo estudo, pelo trabalho e que, por essa razão mesma, representa uma propriedade da qual naturalmente lícito é, ao seu possuidor, tirar partido. A mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade. Pode subsistir a aptidão, mas o seu exercício se anula. Daí vem não haver no mundo um único médium capaz de garantir a obtenção de qualquer fenômeno espírita em dado instante. Explorar alguém a mediunidade é, conseguinte-mente, dispor de uma coisa da qual não é realmente dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga. Há mais: não é de si próprio que o explorador dispõe; é do concurso dos Espíritos, das almas dos mortos, que ele põe a preço de moeda. Essa idéia causa instintiva repugnância. Foi esse tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, pela credulidade e pela superstição que motivou a proibição de Moisés. O moderno Espiritismo, compreendendo o lado sério da questão, pelo descrédito a que lançou essa exploração, elevou a mediunidade à categoria de missão. (Veja-se: O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXVIII. - O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. XI.)
10. A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora. O médico dá o fruto de seus estudos, feitos, muita vez, à custa de sacrifícios penosos. O magnetizador dá o seu próprio fluido, por vezes até a sua saúde. Podem pôr-lhes preço. O médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos; não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, ainda que pobres, nada cobravam pelas curas que operavam.
Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam.
MERCADORES EXPULSOS DO TEMPLO
6. Jesus expulsou do templo os mercadores. Condenou assim o tráfico das coisas santas sob qualquer forma. Deus não vende a sua bênção, nem o seu perdão, nem a entrada no reino dos céus. Não tem, pois, o homem, o direito de lhes estipular preço.
PRECES PAGAS
4. Disse também Jesus: não façais que vos paguem as vossas preces; não façais como os escribas que, "a pretexto de longas preces, devoram as casas das viuvas", isto é, abocanham as fortunas. A prece é ato de caridade, é um arroubo do coração. Cobrar alguém que se dirija a Deus por outrem é transformar-se em intermediário assalariado. A prece, então, fica sendo uma fórmula, cujo comprimento se proporciona à soma que custe. Ora, uma de duas: Deus ou mede ou não mede as suas graças pelo número das palavras. Se estas forem necessárias em grande número, por que dizê-las poucas, ou quase nenhumas, por aquele que não pode pagar? E falta de caridade. Se uma só basta, é inútil dizê-las em excesso. Por que então cobrá-las? É prevaricação.
Deus não vende os benefícios que concede. Como, pois, um que não é, sequer, o distribuidor deles, que não pode garantir a sua obtenção, cobraria um pedido que talvez nenhum resultado produza? Não é possível que Deus subordine um ato de demência, de bondade ou de justiça, que da sua misericórdia se solicite, a uma soma em dinheiro. Do contrário, se a soma não fosse paga, ou fosse insuficiente, a justiça, a bondade e a demência de Deus ficariam em suspenso. A razão, o bom senso e a lógica dizem ser impossível que Deus, a perfeição absoluta, delegue a criaturas imperfeitas o direito de estabelecer preço para a sua justiça. A justiça de Deus é como o Sol: existe para todos, para o pobre como para o rico. Pois que se considera imoral traficar com as graças de um soberano da Terra, poder-se-á ter por lícito o comércio com as do soberano do Universo?
Ainda outro inconveniente apresentam as preces pagas: é que aquele que as compra se julga, as mais das vezes, dispensado de orar ele próprio, porquanto se considera quite, desde que deu o seu dinheiro. Sabe-se que os Espíritos se sentem tocados pelo fervor de quem por eles se interessa. Qual pode ser o fervor daquele que comete a terceiro o encargo de por ele orar, mediante paga? Qual o fervor desse terceiro, quando delega o seu mandato a outro, este a outro e assim por diante? Não será isso reduzir a eficácia da prece ao valor de uma moeda em curso?
DOM DE CURAR
2. "Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido", diz Jesus a seus discípulos. Com essa recomendação, prescreve que ninguém se faça pagar daquilo por que nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, isto é, os maus Espíritos. Esse dom Deus lhes dera gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizessem dele objeto de comércio, nem de especulação, nem meio de vida.
O PAI NOSSO
Cremos em ti, Senhor, porque tudo revela o teu poder e a tua bondade. A harmonia do Universo dá testemunho de uma sabedoria, de uma prudência e de uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas. Em todas as obras da Criação, desde o raminho de erva minúscula e o pequenino inseto, até os astros que se movem no espaço, o nome se acha inscrito de um ser soberanamente grande e sábio. Por toda a parte se nos depara a prova de paternal solicitude. Cego, portanto, é aquele que te não reconhece nas tuas obras, orgulhoso aquele que te não glorifica e ingrato aquele que te não rende graças.
II. Venha o teu reino!
Senhor, deste aos homens leis plenas de sabedoria e que lhes dariam a felicidade, se eles as cumprissem. Com essas leis, fariam reinar entre si a paz e a justiça e mutuamente se auxiliariam, em vez de se maltratarem, como o fazem. O forte sustentaria o fraco, em vez de o esmagar. Evitados seriam os males, que se geram dos excessos e dos abusos. Todas as misérias deste mundo provêm da violação de tuas leis, porquanto nenhuma infração delas deixa de ocasionar fatais conseqüências.
Deste ao bruto o instinto, que lhe traça o limite do necessário, e ele maquinalmente se conforma; ao homem, no entanto, além desse instinto, deste a inteligência e a razão; também lhe deste a liberdade de cumprir ou infringir aquelas das tuas leis que pessoalmente lhe concernem, isto é, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, a fim de que tenha o mérito e a responsabilidade das suas ações.
Ninguém pode pretextar ignorância das tuas leis, pois, com paternal previdência, quiseste que elas se gravassem na consciência de cada um, sem distinção de cultos, nem de nações. Se as violam, é porque as desprezam.
Dia virá em que, segundo a tua promessa, todos as praticarão. Desaparecido terá, então, a incredulidade. Todos te reconhecerão por soberano Senhor de todas as coisas, e o reinado das tuas leis será o teu reino na Terra.
Digna-te, Senhor, de apressar-lhe o advento, outorgando aos homens a luz necessária, que os conduza ao caminho da verdade.
III. Faça-se a tua vontade, assim na Terra como no Céu.
Se a submissão é um dever do filho para com o pai, do inferior para com o seu superior, quão maior não deve ser a da criatura para com o seu Criador! Fazer a tua vontade, Senhor, é observar as tuas leis e submeter-se, sem queixumes, aos teus decretos. O homem a ela se submeterá, quando compreender que és a fonte de toda a sabedoria e que sem ti ele nada pode. Fará, então, a tua vontade na Terra, como os eleitos a fazem no Céu.
IV. Dá-nos o pão de cada dia.
Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo; mas, dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.
O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.
Tu lhe hás dito: "Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte." Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labor manual, outros pelo labor intelectual. Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores
Ajudas o homem de boa-vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. (Cap. XXV.)
Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram. Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti. (Cap. V, nº 4.)
Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos.
Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem na Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dá-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.
Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.
Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.
Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, mau grado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto és justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.
Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes, se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste. (Cap. XVI, nº 8.)
Afasta, igualmente, do nosso espírito a idéia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem. Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justiça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado. (Cap. V, nº 7, nº 9, nº 12 e nº 18.)
V. Perdoa as nossas dívidas, como perdoamos aos que nos devem. - Perdoa as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam.
Cada uma das nossas infrações às tuas leis, Senhor, é uma ofensa que te fazemos e uma dívida que contraímos e que cedo ou tarde teremos de saldar. Rogamos-te que no-las perdoes pela tua infinita misericórdia, sob a promessa, que te fazemos, de empregarmos os maiores esforços para não contrair outras.
Tu nos impuseste por lei expressa a caridade; mas, a caridade não consiste apenas em assistirmos os nossos semelhantes em suas necessidades; também consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a tua indulgência, se dela não usássemos para com aqueles que nos hão dado motivo de queixa?
Concede-nos, ó meu Deus, forças para apagar de nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Faze que a morte não nos surpreenda guardando nós no coração desejos de vingança. Se te aprouver tirar-nos hoje mesmo deste mundo, faze que nos possamos apresentar, diante de ti, puros de toda animosidade, a exemplo do Cristo, cujos últimos pensamentos foram em prol dos seus algozes. (Cap. X.)
Constituem parte das nossas provas terrenas as perseguições que os maus nos infligem. Devemos, então, recebê-las sem nos queixarmos, como todas as outras provas, e não maldizer dos que, por suas maldades, nos rasgam o caminho da felicidade eterna, visto que nos disseste, por intermédio de Jesus: "Bem-aventurados os que sofrem pela justiça!" Bendigamos, portanto, a mão que nos fere e humilha, uma vez que as mortificações do corpo nos fortificam a alma e que seremos exalçados por efeito da nossa humildade. (Cap. XII, nº 4.) Bendito seja teu nome, Senhor, por nos teres ensinado que nossa sorte não está irrevogavelmente fixada depois da morte; que encontraremos, em outras existências, os meios de resgatar e de reparar nossas culpas passadas, de cumprir em nova vida o que não podemos fazer nesta, para nosso progresso. (Cap. IV, e cap. V, nº 5.)
Assim se explicam, afinal, todas as anomalias aparentes da vida. É a luz que se projeta sobre o nosso passado e o nosso futuro, sinal evidente da tua justiça soberana e da tua infinita bondade.
VI. Não nos deixes entregues à tentação, mas livra-nos do mal. (1)
(1) Algumas traduções dizem: Não nos induzas à tentação (et ne nos inducas in tentationem). Essa expressão daria a entender que a tentação promana de Deus, que ele, voluntariamente, impele os homens ao mal, idéia blasfematória que igualaria Deus a Satanás e que, portanto, não poderia estar na mente de Jesus. É, aliás, conforme à doutrina vulgar sobre o papel dos demônios. (Veja-se: O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. IX, "Os demônios".)
Dá-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos Espíritos maus, que tentem desviar-nos da senda do bem, inspirando-nos maus pensamentos.
Mas, somos Espíritos imperfeitos, encarnados na Terra para expiar nossas faltas e melhorar-nos. Em nós mesmos está a causa primária do mal e os maus Espíritos mais não fazem do que aproveitar os nossos pendores viciosos, em que nos entretêm para nos tentarem.
Cada imperfeição é uma porta aberta à influência deles, ao passo que são impotentes e renunciam a toda tentativa contra os seres perfeitos. E inútil tudo o que possamos fazer para afastá-los, se não lhes opusermos decidida e inabalável vontade de permanecer no bem e absoluta renunciação ao mal. Contra nós mesmos, pois, é que precisamos dirigir os nossos esforços e, se o fizermos, os maus Espíritos naturalmente se afastarão, porquanto o mal é que os atrai, ao passo que o bem os repele. (Veja-se aqui adiante: "Preces pelos obsidiados".)
Senhor, ampara-nos em nossa fraqueza; inspira-nos, pelos nossos anjos guardiães e pelos bons Espíritos, a vontade de nos corrigirmos de todas as imperfeições a fim de obstarmos aos Espíritos maus o acesso à nossa alma. (Veja-se aqui adiante o nº 11.)
O mal não é obra tua, Senhor, porquanto o manancial de todo o bem nada de mau pode gerar. Somos nós mesmos que criamos o mal, infringindo as tuas leis e fazendo mau uso da liberdade que nos outorgaste. Quando os homens as cumprirmos, o mal desaparecerá da Terra, como já desapareceu de mundos mais adiantados que o nosso.
O mal não constitui para ninguém uma necessidade fatal e só parece irresistível aos que nele se comprazem. Desde que temos vontade para o fazer, também podemos ter a de praticar o bem, pelo que, ó meu Deus, pedimos a tua assistência e a dos Espíritos bons, a fim de resistirmos à tentação.
VII. Assim seja.
Praza-te, Senhor, que os nossos desejos se efetivem. Mas, curvamo-nos perante a tua sabedoria infinita. Que em todas as coisas que nos escapam à compreensão se faça a tua santa vontade e não a nossa, pois somente queres o nosso bem e melhor do que nós sabes o que nos convém.
Dirigimos-te esta prece, ó Deus, por nós mesmos e também por todas as almas sofredoras, encarnadas e desencarnadas, pelos nossos amigos e inimigos, por todos os que solicitem a nossa assistência e, em particular, por N...
Para todos suplicamos a tua misericórdia e a tua bênção.
ONDE ESTÁ A NOSSA FÉ ?
Não falo em nome de todos, isso é óbvio, mas acredito que para um grande número de pessoas isso acontece; a falta de fé.
A fé e o espiritismo
Aprendemos na doutrina espírita que nascemos, ou melhor, renascemos neste planeta para continuarmos nossa evolução espiritual. Isso quer dizer que aqui estamos para aprendermos novas lições, reaprendermos as não assimiladas, para conhecermos e superarmos nossas fraquezas, consolidarmos nossas virtudes, nos reabilitarmos perante aqueles que prejudicamos (nesta ou em outra encarnação) e perdoarmos quem nos agride, entre tantos outros propósitos que poderíamos enumerar. Observando a vida dessa forma, fica mais fácil compreendermos que, com tantas atividades inerentes ao nosso aprendizado, é natural que, de vez em quando, tenhamos alguns contratempos, alguns dissabores, desilusões e outros tipos de “dores”, como também teremos momentos de grande alegria e prazer. O tempo e a intensidade do nosso sofrimento ou prazer estará sempre relacionado com nossa forma de “sentir a vida”.
Já percebeu como reagimos de forma diferente aos acontecimentos ou situações da vida? Tomemos como exemplo um dia frio e chuvoso de inverno. Talvez um de nós diga que o dia está cinzento e feio e que fica muito triste num dia assim, enquanto outro possa sentir-se confortável e propenso a reflexões e ajustes no seu trabalho ou vida particular, e sinta até uma grande paz. Se perguntássemos a mais pessoas, outras opiniões divergiriam das nossas com toda a certeza.
Os “problemas” da vida se processam da mesma forma, pois dificuldades todos nós temos, momentos de incertezas, de dor, de inquietações são comuns a todos nós, só que a maneira de reagirmos a eles é que diferem. É a força da nossa fé que vai fazer com que o sofrimento dure um maior ou menor tempo, e ainda, se ele existirá ou não.
Deus em nós
Podemos, de uma forma bem simples, entender a fé como a certeza de que Deus nos ama e que tudo que a vida nos apresenta é para nosso bem, tudo mesmo. Compreendendo a vida atual como uma sala de aula e nós como alunos aplicados, fica fácil entender que quanto mais nos aplicarmos aos estudos, mais fácil ficará o aprendizado e mais tranqüila as provas de conhecimento. Falar, bem sei que é fácil, mas, ter a confiança de que somos orientados e conduzidos por mãos hábeis e bondosas não é impossível, pois precisamos analisar se acreditamos ou não em Deus.
Cada um de nós deve ter uma concepção diferente de Deus, mas seja ela como for, é de grande importância que nos habituemos a sentir a presença Divina em todos os momentos; tanto nos de alegria como nos de tristeza, nos de paz ou de guerra; quando estivermos agindo bem e quando não estivermos também. Se vivermos de acordo com a base religiosa que todos nós temos, se colocarmos realmente em prática o “seja feita a Tua vontade”, viveremos então com fé e sentiremos a Presença Divina em nós.
A observação das leis da vida é muito importante, mas é na prática delas que conheceremos seus resultados, e já que todos nós entendemos o valor da fé, façamos nosso dever de casa vivendo com entusiasmo e com a certeza de que a paz, o amor e a alegria são nossa meta final.
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 21.
Escrito por Humberto Pazian
Aprendendo com Chico Xavier

Na Prática da Solidariedade
Corria o ano de 1928, Francisco Cândido Xavier estava nac reunião do Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, quando algumas pessoas chegaram pedindo socorro para um mendigo cego que, sendo guiado por um companheiro embriagado, caira de um viaduto, de uma altura de quatro metros.
O cego sem ninguém, pois o guia tinha sumido, vertia sangue pela boca.
Chico atendeu imediatamente e, mesmo sendo muito pobre, alugou pequeno pardieiro, a fim de abrigar o doente, que foi atendido, gratuitamente, por caridoso médico.
Trabalhando no comércio, o médium ficava junto ao mendigo à noite, porém o enferemo precisava ser assistido durante o dia. Chico Xavier providenciou a publicação de um apelo em pequeno jornal da cidade, de circulação semanal, rogando a presença de alguém que pudesse atender ao cego Cecílio, durante o dia. Poderioa ser espírita, católico, ateu, não importava.
Decorridos seis dias e nada. Nenhum voluntário se apresentou.
Entretanto, no final da semana, duas meretrizes, muito conhecidas na cidade, se apresentaram, dizendo àquele jovem espírita:
- Chico, lemos o pedido e aqui estamos. Se pudermos servir...
- Ah! Como não? Entrem, irmãs! Jesus há de abençoar-lhes a caridade.
Todas as noites, antes de sair, elas oravam com o Chico, perto do enfermo.
Um mês depois o velhinho estava restabelecido e feliz. Reuniram-se, pela última vez, em prece de agradecimento a Jesus. Quando Chico Xavier terminou a oração, os quatro choravam.
- Chico - disse uma das mulheres - a prece modificou a nossa vida. Estamos a despedir-nos. Mudamo-nos para Belo Horizonte, a fim de trabalhar.
Uma foi servir numa tinturaria; a outra conquistou o título de enfermeira.
(do livro "Lindos Casos de Chico Xavier", de Ramiro Gama).
Dívida e Resgate
Uma das cunhadas do Chico teve um filho anormal. Braços e pernas atrofiadas. Os olhos, cobertos por uma espessa névoa, mantinham-no mergulhado na mais completa escuridão. Inspirava medo às pessoas que o viam. Era tão deformado que a mãe ao vê-lo teve um choque e foi internada num hospital de doentes mentais.
O Chico ficou com o sobrinho.
Cuidar dele não era fácil. Medicá-lo, banhá-lo e aplicar-lhe um clister diariamente. O menino não deglutia e para alimentá-lo, o Chico tinha que formar uma pequena bola com a comida, colocar em sua garganta e empurrar com o dedo.
Isto, durante doze anos aproximadamente.
Quando o sobrinho piorava, o Chico rezava muito para que ele não desencarnasse. Já o amava como um filho.
Um dia o Espírito Emmanuel lhe disse:
_ Ele só vai desencarnar quando o pulmão começar a desenvolver e não encontrar espaço. Aí, então, qualquer resfriado pode se transformar numa pneumonia e ele partirá.
Quando estava próximo dos doze anos, foi acometido de uma forte gripe e começou a definhar.
Na hora do desencarne, seus olhos voltaram a enxergar. Ele olhou para o Chico e procurou traduzir toda a sua gratidão naquele olhar.
Emmanuel, presente, explicou:
_ Graças a Deus. É a primeira vez, depois de cento e cinquenta anos, que seus olhos se voltam para a luz. As suas dívidas do passado foram liquidadas. Louvado seja Jesus.
(do livro "Chico, de Francisco, de Adelino da Silveira, Ceu, 1987).
A Bênção da Chuva
Na tarde de 28 de março de 1981, chovia muito em Uberaba.
Pacientemente, Chico esperava que o aguaceiro passasse.
A copa frondosa do abacateiro oferecia precário abrigo para todos os que ali nos reuníamos ávidos por aprender.
A reportagem do programa "Fantástico", da TV Globo, do Rio de Janeiro, filmava tudo de dentro de um carro de aluguel.
Como sempre, várias caravanas de diversos Estados, estavam presentes, notadamente de Curitiba, Paraná.
A chuva amaina e o Sr. Weaker convida-nos ao início da reunião na Vila dos Pássaros Pretos.
A prece, como de hábito, é proferida pelo prof. Thomaz.
Chico toma a palavra e explica que o culto se divide em duas partes: a primeira, dos comentários em torno de uma página do Evangelho; a segunda, "o encontro com os amigos que nos hospedam...".
"O Evangelho Segundo o Espiritismo" convida-nos a examinar o cap. 25, "Buscai e Achareis".
Cada companheiro convidado aos comentários por orientação de Chico, não deve exceder ao tempo de quatro minutos, "para que tenhamos um maior número de opiniões em torno do texto lido".
Uma confreira, fazendo uso da palavra, observa que "é pelo trabalho que caminhamos rumo à conquista do amor"; alguém assinala que o trabalho, conjugado à oração, constitui excelente antídoto contra a tentação; por nossa vez, acentuamos que o trabalho longe de ser uma expiação, é uma bênção de Deus. Gasparetto, também presente à tarefa, destaca o trabalho como terapia; D. Zibia Gasparetto, médium de psicografia que todos admiramos, adverte-nos para o trabalho de nos conhecermos intimamente; Langerton, o amigo de Peirópolis, diz que "o trabalho é a nossa âncora"; Márcia comenta que o "ajuda-te" é mensagem para que tenhamos iniciativa própria e que "o céu te ajudará" traduz a confiança que devemos depositar na providência divina...
Apesar da chuva, os nossos irmãos carentes, entre eles muitas crianças e velhinhos, não arredaram o pé da fila que daí a instantes seria beneficiada com os óbulos da fraternidade, numa demonstração eloquente de que ali estão por necessidade e não por ociosidade, como divulgam alguns adversários da caridade.
Agora, era chegado o grande momento: Chico Xavier, inspirado por Emmanuel, ia falar.
Apesar de completamente ensopados, inclusive o Chico molhara-se um pouco, procuramos colocar-nos na máxima condição de receptividade para ouvir.
Aos beijos do sol, um arco-íris emoldura o templo da natureza.
Chico fala:
"Estamos aqui reunidos, sob a chuva, para nos conhecer com mais segurança. Estamos numa hora de confrontação...Quantos não gostariam de estar trabalhando sob a chuva? Quantos enfrentam o problema da terra ressequida? A calamidade da seca é comparável a dos terremotos. Há mais de dois anos não chovia em sete Estados da Federação. Em João Molevade, Minas Gerais, centenas de operários lidam com o aço em fogo, nas grutas. Eu conheço moças que trabalham em boates para sustentar mães que estão em sanatórios.
...os que trabalham no clima da calúnia, em busca do numerário para obtenção do pão de cada dia...
Nós não vamos esquecer essa chuva como lição-advertência.
Hoje vamos retornar aos nossos lares com um conhecimento mais amplo de uns para com os outros...
Pela primeira vez, há quinze dias, aconteceu um desastre com algumas companheiras nossas quando retornavam a São Paulo, após orarmos no Grupo Espírita da Prece. Muitos, certamente, irão falar...Mas estarão se esquecendo de agradecer os milhares de reuniões, dos dias em que não houve nada...
A chuva é uma amiga que também veio enfeitar o nosso culto, para termos a sensação dos que estão debaixo das pontes, dos casebres, dos andarilhos...Esta, ao meu ver - encerrou o Chico - é a nossa maior lição desta tarde".
Sim, não havia o que reclamar.
E a chuva, na voz de Chico Xavier, transformara-se em lição.
A água das nuvens lavara-nos o exterior, mas a água dos Céus carreara, com o enxurro, mais alguns dos detritos que enodoam as nossas almas.
(Do livro "Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro", de Carlos Baccelli).
O PORQUE DO ESPIRITISMO NO BRASIL
Graças às vivências anteriores, em que amadurecera as experiências relevantes e acurara a sabedoria, mártir, mais de uma vez, sacrificado em holocausto dos ideais humanistas, filosóficos e cristãos, Allan Kardec mergulharia na densa névoa carnal, após a França retirar dos ombros a hegemonia política dos Bourbons, quando as aspirações máximas da humanidade, que a revolução de 89 viera implantar, abrissem campo aos supremos anseios da felicidade.
Nenhuma país reunia condições, naquele momento histórico, que pudessem rivalizar com as ali conquistadas, e lugar algum, exceto Paris, dispunha dos requisitos culturais e tradições da inteligência para o tentame ímpar.
En douceur1, os gênios benfeitores do homem estabeleceram que a França, mais uma vez, hospedaria o Missionário, a fim de que dali partissem, pulcras e imbatíveis, as diretrizes para o pensamento em relação ao futuro.
Laboratório de idéias que fermentavam ante a força dos elementos em debate, estavam presentes, então, todos os recursos para a avaliação dos conceitos expostos, no momento em que a Ciência, libertando-se das algemas dogmáticas e dos preconceitos do magister dixit2, alicerçava os seus fundamentos na insuperável linguagem dos fatos testados nas experimentações incessantes.
Ao mesmo tempo, a Filosofia arrebentara os grilhões das escolas ancestrais e abria campo a novos cometimentos, aliando-se, no futuro, ao materialismo dialético, histórico e mecanicista, num afã de destruir o passado para edificar o futuro em bases inteiramente descomprometidas com quaisquer vinculações precedentes.
Nesse ínterim, a Religião, dividida em ortodoxias, rivais que se digladiavam reciprocamente, apresentava a paisagem desvitalizada do Cristianismo, numa Instituição formal e de superfície, que em nada recordava o Revolucionário do Amor, que libertara as consciências para um reino sem fronteiras, onde pudessem viger a fraternidade sem limite e a paz sem qualquer convulsão.
As idéias, em conseqüência, nesse campo de batalha, muitas vezes nasciam ao amanhecer, envelheciam ao meio-dia e morriam à noite, sepultadas, logo depois, nos jazigos do esquecimento.
"Melhor ser vaiado em Paris - afirmava-se, então - e no mundo inteiro ignorado, do que aplaudido em toda parte, mas, em Paris, desconhecido."
Não era jactância, nem presunção, e sim o retrato vivo de uma cidade que se sabia iluminada, de um povo ateniense que a habitava consciente das próprias conquistas. C'est tout dire3.
Ora, esperava-se que o impacto de uma ciência nova, de cujos alicerces ressumasse um conteúdo filosófico, no barátro das escolas de pensamento as mais proeminentes, deveria ser amortecido pelo choque decorrente do atrito com as demais áreas ideológicas, conforme havia sucedido antes e acontecia continuamente. Isto, porém, não se deu em relação ao Espiritismo.
Incontestado na sua origem - o fenômeno da imortalidade da alma, confirmado através da comunicação mediúnica -, porque todas as contradições que se levantaram careciam de estrutura experimental e as aguerridas acusações de que padecera resvalavam pela rampa do fanatismo, religioso ou do materialista sem os subsídios dos fatos, sobreviveu, adquirindo cidadania científica.
Concomitantemente, o seu contexto filosófico, remontando às mais antigas doutrinas do reencarnacionismo oriental, do pitagorismo e do idealismo grego, constitui a única forma cultural de compreender Deus e a origem da vida, o homem e as causas das aflições, o destino e a finalidade do ser na Terra...
Ao mesmo tempo, afirmando que Jesus é o "Ser mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para servir-lhe de Modelo e Guia"4, ressuscita a Sua Doutrina, em toda a sua grandeza moral, cujos princípios dividiram a História, trazendo as linhas mestras do comportamento ético-social do indivíduo em relação a Deus, a si próprio e ao seu próximo.
Resistindo a todas objurgatórias, assim como demonstrando-as falsas, o Espiritismo venceu os acanhados dom-quixotes das lutas inglórias e saiu dos arraiais sitiados onde parecia submetido, para ganhar as léguas do mundo...
Religião do amor, empreendia a batalha da transformação do mundo por meio da renovação e aprimoramento ético do homem, que se utiliza do progresso intelectual para adquirir o moral, definitivo, religando, em perfeita união, o Criador à Sua criatura.
Quando Allan Kardec desencarnou, a Doutrina permaneceu e firmou os seus pilotis no cerne da cultura adversa que, lentamente, o absorveu e aceitou, face ao desempenho dos seus adeptos e à fortaleza dos conceitos apresentados, que decorrem da demonstração experimental, resistente a quaisquer suspeitas e indisposições adredemente estabelecidas.
Entretanto, quando se organizavam os roteiros para o advento do Consolador na Terra, mediante a Doutrina Espírita, os abnegados e sábios Mentores da França foram informados de que ali se iniciaria o programa, que, todavia, se iria fixar, por algum tempo, em outro país, de onde se dilataria, abraçando todo o planeta ao largo dos séculos...
A alma francesa contribuiria com o tesouro cultural para os primórdios da "fé raciocinada", contudo, seria num continente jovem, num povo em formação, no qual se caldeavam raças e caracteres, que mais ampla e facilmente se desenvolveria, especialmente, levando-se em conta a falta de carmas coletivos naquela nacionalidade.
A França, onde renasceram os atenienses, estava assinalada por glórias e misérias, guerras externas e lutas intestinas que lhe não permitiriam, por enquanto, a dilatação dos ensinamentos cristãos nos enfoques da vivência moderna, demonstrando moralmente a grandeza do Espiritismo.
Desse modo, tão logo estivesse implantado o ideal espírita, seria trasladada a árvore evangélica, de cuja seiva a ciência se sustentaria para os arrojados cometimentos futuros e em cuja filosofia racional as criaturas se nutririam, adquirindo o vigor para as existências enobrecidas.
O Brasil, porque destituído de débitos coletivos mais graves, houvera sido escolhido para esse segundo período da realização e crescimento espiritista.
Sem comentar os acontecimentos de menor gravidade histórica, a escravatura negra e a guerra do Paraguai pesam-lhe na economia evolutiva.
A primeira, como herança dos colonizadores, que a Princesa Isabel encerrou, mediante a Lei Áurea, e a segunda, a nação, no futuro se reabilitaria, por meio de inestimável auxílio ao progresso do país irmão, que lhe fora vítima, após a provocação perpetrada pelo seu então ditador Rosas...
Convencionou-se, desse modo, que muitos franceses fossem transferidos, em Espírito, para as terras novas, a fim de receberem a Doutrina, oportunamente, quando para o Continente americano do sul fosse transportada.
Esse acordo precedeu ao renascimento de Allan Kardec, em Lyon, que anuíra de boa mente com o estabelecido.
Sem embargo, porque na psicosfera da nacionalidade francesa permanecessem dezenas de milhares de revolucionários frustrados, infelizes, vitimados pela arma de José Guillotin, que os ventres das mulheres aturdidas se negavam a receber em maternidade redentora, assim abortando em larga escala, foi concertado que o Brasil receberia esses Espíritos sofridos, de modo a auxiliá-los no processo da evolução, reparando as faltas e ajustando-se ás linhas do progresso intelecto-moral, ao mesmo tempo que contribuiriam para a fraternidade e a liberdade de consciência de que o Espiritismo se faz paradigma por excelência.
O método dialético e o cartesiano utilizados por Allan Kardec para estruturar a Codificação no cimento da lógica e do fato, exigem atenção e discernimento para de início serem penetrados.
Dessa forma, tão logo os reflexos doutrinários da Mensagem alcançaram as praias brasileiras da cultura, nos primórdios dos anos 60, do século XIX, a sintonia filosófica dos antigos revolucionários, dos lidadores da latinidade gaulesa, reencontrou o pensamento, de imediato adotando a sua ética e aceitando os seus postulados que, ao tempo que lhe falavam à mente arguta, sensibilizavam-nos, acalmando-lhes os sentimentos controvertidos e angustiados...
Não seja, pois, de estranhar-se a predestinação do Brasil para o labor espírita nem a sua aceitação ampla e profunda por todos os segmentos da sua sociedade desde o princípio, salvadas raras exceções.
Após a desencarnação de Allan Kardec, companheiros seus de lide e médiuns que cooperaram na realização da Obra colossal, retornaram ao corpo, na pátria brasileira, para darem continuação ao programa estabelecido com entranhada fidelidade aos postulados que exigem dedicação, renúncia até ao sacrifício, e fé estribada na razão.
Renasceram, portanto, em número expressivo, espíritas por segunda vez, alguns outros que conheceram a Doutrina antes do retorno ao corpo, a fim de promoverem a grande arrancada da divulgação e da realização doutrinária, capacitando-se a devolvê-la ao berço de origem e ao mundo, na mesma pureza e limpidez com que a herdaram do insigne Missionário.
Não que tudo transcorresse em clima de facilidade e mesmo de harmonia, porque onde se encontra o homem, aí se fazem presentes as suas paixões.
O trabalho se apresentava e prossegue gigantesco.
Faze derrubar velhas e arcaicas estruturas do comportamento ancestral, utilitarista e apaixonado, para dos escombros emergir uma nova mentalidade aberta à vida, que faculte espaços à solidariedade e ao amor, constitui um desafio dos mais expressivos. Ainda mais, se for examinado que muitos dos modernos trabalhadores da seara espírita são antigas personagens comprometidas com facções religiosas beligerantes, bem como partidos políticos exaltados, ora aprendendo disciplina e submissão, transferidas das posições relevantes para as de serviço, que o mergulho no corpo não pôde obnubilar completamente as anteriores impressões que lhes caracterizavam antes a conduta.
Penetrando no espírito do Espiritismo, ressumam, inevitavelmente, em todas as criaturas, as suas antigas predisposições, seja na área da informação científica, ou da filosófica, ou da religiosa. Todavia, na síntese perfeita em que se apresenta a Doutrina, como campo de harmonia desses três fundamentos do conhecimento humano, é que se expressa o conteúdo do Espiritismo que não pode nem deve ter dissociado nenhum dos seus membros.
Objetivando, porém, essencialmente, preparar o homem para a continuação da vida além do túmulo com todas as responsabilidades que lhe dizem respeito, é inevitável que a feição moral, rica de religiosidade, desperte-lhe os sentimentos superiores, plasmando-lhe a conduta evangélica, conseqüência natural da comprovação científica e da compreensão filosófica.
Outrossim, porque consoladora, alcança de imediato o ser perdido nos abismos do desespero, da angústia e da saudade, liberando-o dos tormentos, por atingir o âmago das questões que desencadeiam os sofrimentos e acenar-lhe com as esperanças felizes, mediante a ação do trabalho e a experiência auto-iluminativa da caridade.
Eis por que os litigantes de ontem, os delinqüentes do passado, que arrastam pelos séculos os caprichos e efeitos dos crimes, vieram reencontrar-se no pequeno burgo interiorano da comunidade brasileira, cenário novo para as lutas de redenção. Formavam no grupo dos que haviam sido transferidos, reencarnando-se ou não, para as plagas onde não tinham compromisso infelizes e poderiam com melhores probabilidades redimir-se, purificando-se no crisol das aflições que o encontra com o Espiritismo decantaria, na sucessão das experiências da evolução. (Espírito de Victor Hugo - Divaldo Pereira Franco - Obra: Árdua Ascensão).
Notas do compilador: 1 - En douceur = devagar, sem pressa; 2 - Magister dixit = expressão dogmática com que os escolásticos da Idade Média ofereciam, como argumento sem réplica, a opinião do mestre (Aristóteles), como também diziam os discípulos de Pitágoras. Modernamente, diz-se de todo chefe de escola, doutrina ou partido; pode, também, ser dita a expressão ipso dixit (grego: Autos ephe); 3 - C'est tout dire = É quanto basta; 4 - "Jesus é o Ser mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para servir-lhe de Modelo e Guia" - resposta dos Espíritos Superiores à pergunta 625 de "O Livro dos Espíritos".
Obs. do compilador: Fatos importantes são esclarecidos por Victor Hugo neste artigo. Todos personagens proeminentes (revolucionários e filósofos) que criaram as condições para as mudanças nos séculos 18 e 19, foram antigos atenienses reencarnados. Ele também afirma que Allan Kardec em encarnações anteriores havia sido mártir e sacrificado em holocausto (Em outras informações de Espíritos sabemos que Kardec havia sido Jan Huss).
O ESPIRITISMO NO BRASIL - SUAS ORIGENS
O objetivo deste trabalho é buscar as origens do Espiritismo no Brasil e sua trajetória através do tempo. O roteiro para este estudo é o seguinte: cenário internacional, primeiros passos do Espiritismo no Brasil, a fundação da FEB e alguns aspectos do movimento espírita na atualidade.
2. CENÁRIO INTERNACIONAL
2.1. O FENÔMENO DE HYDESVILLE
O livro de Arthur Conan Doyle, The History of Spiritualism, traduzido como A História do Espiritismo, relata a seqüência dos fenômenos mediúnicos ocorridos entre o Século XVIII e meados do Século XX.
Diz-nos que os espíritas tomaram oficialmente a data de 31 de março de 1848 — Fenômeno de Hydesville, em que duas crianças conversaram, através de pancadas, com um Espírito já desencarnado — como começo das coisas psíquicas, porque o movimento foi iniciado naquela data. Entretanto não há época na história do mundo em que não se encontrem traços de interferências preternaturais e o seu tardio reconhecimento pela humanidade" (Doyle, s. d. p., p. 33).
Uma data deve ser fixada para início da narrativa e, talvez, nenhuma melhor que a da história do grande vidente sueco Emmanuel Swedenborg (1688-1772), uma grande autoridade em Física e em Astronomia, autor de importantes trabalhos sobre marés e sobre a determinação das latitudes. Era zoologista e anatomista. Financista e político, antecipou-se às conclusões de Adam Smith. Finalmente, era um profundo estudioso da Bíblia. Dizia que "todas as afirmações em matéria de teologia são, como sempre foram, arraigadas no cérebro e dificilmente podem ser removidas; e enquanto aí estiverem, a verdade genuína não encontrará lugar". (Doyle, s. d. p., cap. I)
A história de Edward Irving (1792-1834), ministro presbiteriano, e sua experiência entre 1830 e 1833, é de grande interesse para a construção do pilar histórico do Espiritismo. Edward Irving, embora pertencesse àquela mais pobre classe de trabalhadores braçais escoceses, pregou carismas e dons miraculosos (curas e línguas estranhas) junto à Igreja à qual pertencia. Fato este que o tornou famoso. (Doyle, s. d. p., cap. II)
Andrew Jacson Davis (1826-1910), profeta da nova revelação, com sua clarividência acurada, antecipou o famoso episódio de Hydesville. (Doyle, s. d. p., cap. III)
2.2. AS MESAS GIRANTES
O fato mediúnico marcante, após o episódio de Hydesville, é o fenômeno das mesas girantes, que assolou os Estados Unidos e a Europa, servindo de brincadeiras de salão, quando as mesas dançavam, escreviam batiam o pé e até falavam. É dentro desse contexto que surge a Doutrina Espírita.
2.3. CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO POR ALLAN KARDEC
Das brincadeiras de salão, surge Hypollyte Leon Denizard Rivail — Allan Kardec—, um estudioso do magnetismo e do método teórico experimental em ciência. O magnetismo já vinha sendo estudado há algum tempo. Historicamente, Mesmer descobre, em 1779, o magnetismo animal, Puysegur, em 1787, o sonambulismo e Braid, em 1841, o hipnotismo.
Havendo uma disseminação muito grande dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, ainda Hipollyte, foi convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela também falava. É aí que entra o gênio inquiridor do pesquisador teórico experimental. Assim, retruca: só se ela tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. A partir daí, começa a freqüentar essas sessões, culminando, mais tarde, com a publicação de O Livro dos Espíritos, em 18/04/1857
3. PRIMEIROS PASSOS DO ESPIRITISMO NO BRASIL
3.1. PUBLICAÇÃO NA IMPRENSA DA ÉPOCA
Zêus Wantuil, em seu livro As Mesas Girantes e o Espiritismo, busca dados na imprensa da época, ou seja, no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, no Diário de Pernambuco e no Cearense relatos sobre os acontecimentos das "mesas girantes" na Europa e no Brasil.
No dia 14/06/1853 é publicado, na seção exterior do Jornal do Comercio do Rio de Janeiro, notícias sobre as "mesas girantes", fatos que estão empolgando principalmente os Estados Unidos e Europa. (1957, p.125)
No dia 02/07/1853, o Diário de Pernambuco, em sua seção "Exterior", de notícia procedente de Paris, e datada de 20 de maio , contava o correspondente que "não se pode por o pé em um salão, sem ver toda a sociedade em torno de uma mesa redonda, tendo cada um o dedo mínimo apoiado no do vizinho, e esperando todos em silêncio que a tábula queira voltear". (1957, p.127)
No dia 15/07/1853, o jornal O Cearense transcreve a primeira notícia sobre as mesas girantes, nos seguintes termos: "Apareceu agora em França um fato que despertou sumamente a curiosidade pública: quero falar-lhes das tábulas volteantes (tables tornantes) que embora tenham sido inventadas na América inglesa, os franceses deram carta de naturalização..." (1957, p. 134)
3.2. 1.ª SESSÃO ESPÍRITA
Em 17/09/1865 —Salvador, Bahia —, é instalado o "Grupo Familiar do Espiritismo", o primeiro Centro Espírita do Brasil e, às 20h30min, Luís Olímpio Teles de Menezes preside a uma sessão mediúnica, onde se recebe a primeira página psicografada e assinada por "Anjo Brasil".
Em julho de 1869, para melhor defender e propagar o Espiritismo, duramente atacado pelo clero e imprensa de Salvador, Luís Olímpio Teles de Menezes publica "O Echo D’Além-Tumulo" — Monitor Do Espiritismo no Brasil, o primeiro jornal espírita do Brasil. (Barbosa, 1987, p. 70 e 71)
3.3. GRUPO CONFÚCIO
Funda-se em 02/08/1873, por inspiração do Espírito Ismael, a "Sociedade de Estudos Espíritas — Grupo Confúcio", que pelo seu regulamento deveria seguir os princípios e as formalidades expostas em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns. Sua divisa era: "Sem caridade não há salvação; sem caridade não há verdadeiro espírita". Extingue-se em 1876.
Composto de neo-espiritualistas, este grupo tinha a incumbência de:
1 - traduzir as obras de Allan Kardec;
2 - divulgar a homeopatia;
3 - escolher o protetor espiritual do Brasil.
Joaquim Carlos Travassos faz parte desse grupo. Traduz O Livro dos Espíritos para o português e passa-o a Adolfo Bezerra de Menezes, que lendo-o pela primeira vez, pareceu-lhe que já lhe era familiar o conteúdo deste livro. (Barbosa, 1987, p.73 e 74)
3.4 HOMEOPATIA E PASSES MAGNÉTICOS
Por volta de 1840, ao influxo das falanges de Ismael, chegavam dois médicos humanitários ao Brasil. Eram Bento Mure e Vicente Martins, que fariam da medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da codificação kardeciana, conheciam ambos os transes mediúnicos e o elevado alcance da aplicação do magnetismo espiritual. (Xavier, 1977)
Por que essa relação entre Homeopatia e Espiritismo?
A ligação entre a Homeopatia e o Espiritismo pode ser vista da seguinte forma: na Homeopatia a ação dos medicamentos não é de natureza material, química, mas sim de ordem dinâmica, fluídica; no Espiritismo consideramos a trindade universal – Deus, Espírito e Matéria – e acrescentamos o períspirito, transformação do fluido universal, a fim de se poder unir o Espírito à matéria. Como o Perispírito está ligado átomo a átomo, célula a célula ao corpo físico, tudo o que passa num, repercute imediatamente no outro. Nesse sentido, o equilíbrio funcional do perispírito pode ser perturbado por agentes fluídicos, da mesma natureza portanto que ele, e essa perturbação, repercutindo no corpo físico, torna-o também enfermo. Do mesmo modo, pela ação de elementos também fluídicos, porém, salutares, pode normalizar-se o perispírito e, consequentemente, o organismo material, intimamente ligado a ele, volve ao seu normal funcionamento. (Thiago, 1983, p. 11 a 13)
4. FUNDAÇÃO DA FEB
4.1. A MISSÃO DE BEZERRA DE MENEZES
Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (1831-1900) nasceu na Freguesia do Riacho do Sangue – Ceará – com a missão precípua de unificar o Espiritismo nas terras do Cruzeiro.
Para tanto, torna-se presidente da FEB por duas gestões: 1889 e 1895 a 1900.
A sua missão é relatada pelo Espírito Humberto de Campos em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho nos seguintes termos: "Descerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração". (Xavier, 1977, p.179)
4.2. UNIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
Depois que o Grupo Confúcio foi extinto, em 1876, o movimento espírita entrou numa fase de muita dissidência, pois cada dirigente queria dar ênfase a um único aspecto da Doutrina Espírita. Assim, uns defendiam exclusivamente o estudo do Evangelho, outros diziam-se Roustanguistas; uns arvoraram-se em científicos, outros diziam-se puros. Como conseqüência, a separação, a desunião, a luta. Foi justamente nesse estado de coisas que surgiu Bezerra de Menezes, a fim de equilibrar o movimento espírita, tornando-o forte, coeso e seguro, no sentido de criar condições para que o Brasil pudesse cumprir a sua missão de fornecedora do Evangelho ao mundo.
4.3. FUNDAÇÃO DA FEB
Para congregar tantas forças dispersas, o Sr. Elias da Silva reuniu em sua casa um grupo de dirigentes e fundou, no dia 1º de janeiro de 1884, a Federação Espírita Brasileira, tendo como primeiro presidente o Sr. Ewerton Quadros, e como órgão oficial a revista O Reformador ("órgão evolucionista"), fundada também pelo Sr. Elias da Silva, no dia 21 de janeiro de 1883. Mesmo assim não foi fácil o trabalho de unificação. Adolfo Bezerra de Menezes, que começou a sua atuação nestes anos, teve muita dificuldade para entender os espíritas. (Barbosa, 1987, p. 79 a 82)
5. MOVIMENTO ESPÍRITA NA ATUALIDADE
Cairbar Schutel (1868-1938), cognominado de bandeirante do Espiritismo, sendo um homem de fibra e de coragem, é colocado como um dos baluartes do Espiritismo. Dizia que sua tarefa estava limitada à divulgação da missão kardecista. Assim, inspirado na figura de Paulo de Tarso, empreendeu uma luta contra os dogmas da Igreja.
Eurípedes Barsanulfo (1880-1918), famoso pelos seus desdobramentos, contribuiu eficazmente para a causa espírita. Não mediu esforços para a divulgação do Espiritismo, inclusive com ameaça de morte por parte de seus adversários.
Francisco Cândido Xavier é, talvez, o mais eminente divulgador da Doutrina Espírita. Nasceu, no dia 02 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. Aos 5 anos de idade, já conversava com o Espírito de sua mãe (desencarnada). Com mais de 400 livros psicografados (muitos dos quais, hoje, traduzidos e editados em várias línguas), presume-se que o autor tenha ficado mais de 11 anos em transe mediúnico. O Espírito Emmanuel (que já reencarnou como Públio Lêntulus, senador romano da antigüidade, e como Padre Manoel da Nóbrega), é o seu guia protetor.
Além desses nomes podemos citar J. H. Pires, Yvone A. Pereira, Divaldo Pereira Franco e outros.
6. CONCLUSÃO
Estamos mundialmente entrelaçados: o que acontece num país, o outro fica logo sabendo. Muitas vezes descobre-se algo num país, mas é em outro que vemos o seu desenvolvimento. O Espiritismo é um exemplo prático. Nascido em França, teve o seu florescimento em nossa pátria. Hoje, não são poucos os adeptos brasileiros desta doutrina esclarecedora do mundo invisível.
7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BARBOSA, P. F. Espiritismo Básico. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1987.
DOYLE, A. C. História do Espiritismo. São Paulo, Pensamento, s. d. p.
THIAGO, L. S. Homeopatia e Espiritismo. 2. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1983.
WANTUIL, Z. As Mesas Girantes e o Espiritismo. Rio de Janeiro, FEB, 1957.
XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. 11. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
O Ambiente Ideal
Estirado no leito bem cuidado coração em angústia, o médium Ramires Castro extravasava suas mágoas em sofrida oração:
“Senhor Jesus! Derrama sobre meu espírito o bálsamo consolador! Alivia, por piedade, os tormentos de minha’ma! O Espiritismo é luz bendita a inspirar-me o sagrado idealismo de viver consoante os princípios de teu Evangelho! Empolga-me o desejo de seguir teus passos, Mestre! Viver na pureza e simplicidade! Amar o semelhante! Cultivar a virtude! Mas, Celeste Amigo, o mundo é tão perverso!... Sinto-me cercado de iniqüidade, e sombras espessas ameaçam, por vezes, precipitar-me no torvelinho da perturbação... Não me compreende a esposa... não correspondem aos meus esforços os filhos... são ingratos os amigos... Nas tarefas da mediunidade esbarro em obstáculos insuperáveis, pois os companheiros não me favorecem com vibrações de simpatia e ajuda... percebo em cada um o crítico sempre pronto a considerar, intimamente, fruto de minha imaginação as mais singelas manifestações.”
Empolgado pelas próprias lamentações, na superexcitação do sentimento, continuava, banhado em lágrimas:
“Oh! Senhor! Como anseio por libertar-me das grades mundanas! Habitar planos mais altos, onde estejam erradicadas a incompreensão e a maledicência, a falsidade e a criminosa irresponsabilidade! Onde a fraternidade reine sem oposição! Que ventura não sentir o assédio das sombras nem a influência do mal escondido em alheios corações! Que alegria desenvolver as tarefas espirituais sob o amparo de coletividades sintonizadas com teu Amor!”
Perdido nestas cogitações, Ramires dormiu e, sob influência de benfeitores espirituais, seu Espírito passou a viver experiências intensas que permaneceriam registradas no resumo das imagens oníricas.
Sonhou que aportava em planeta distante, onde paisagens deslumbrantes, sem similar na Terra, faziam, o encanto de seus olhos.
— Seja bem-vindo ao nosso orbe! — disse-lhe delicado recepcionista. — Jesus, o Divino Amigo, sob cuja amorosa tutela também permanecemos, decidiu conceder-lhe a graça de viver neste mundo superior, distanciado das misérias e infortúnios terrestres.
Emocionado, incapaz de conter as lágrimas, o medianeiro prosternou-se e agradeceu ao Senhor. Agora, sim, serviria fielmente, aproveitaria plenamente suas possibilidades mediúnicas, viveria seu ideal: encontrava-se entre verdadeiros cristãos!
Ante os imperativos do aprendizado a que era submetido, esquecera familiares problemas humanos, empolgando-se com as perspectivas de aproveitamento das lições, qual aluno aplicado na escola perfeita.
Em breve, porém, desiludiu-se, e eis que, procurando o dedicado instrutor que atendia à tarefa de orientação mediúnica, externou suas queixas:
— Imploro-lhe, generoso amigo, ajuda para meu espírito atribulado. Almejo servir a Jesus nas tarefas da mediunidade, mas não creio que isso seja possível aqui. Vejo-me envolvido pelas mesmas influências desequilibrantes que me afligiam na Terra. Pensamentos confusos vibram em meu cérebro e sou assaltado por crises de angústia e desalento... Os companheiros recebem-me com aparente bondade; todavia, parecem demasiado imperturbáveis. Quando lhes relato meus problemas, sorriem, aparentando complacência, qual se estivessem diante das birras de uma criança, confundindo-me com exortações sobre o trabalho, como se eu não conhecesse suficientemente bem os meus deveres... Percebo em muitos a falsidade e a hipocrisia. Infelizmente, ainda não encontrei o clima ideal para que eu possa viver, integralmente, a mensagem cristã.
O sábio mentor ouviu, atento, enquanto Ramires, com a segurança de quem, pronuncia um’ discurso muitas vezes repetido, desfiava o rosário das queixas. Afinal, o Orientador, benevolente, tomou a palavra:
— Filho, tuas mágoas são as mesmas de quando estavas na Terra; entretanto, aqui elas não têm razão de ser. Dizes-te perturbado, ante o assédio de forças malfazejas; no entanto, em nosso orbe Espíritos encarnados e desencarnados vivem para o Bem, sem cogitações inferiores. Proclamas a incompreensão dos companheiros e usas adjetivos fortes; todavia, nestas paragens ninguém busca ventura maior que a de amar e servir. Falas de intraduzíveis amarguras íntimas, quando estagias em mundo superior onde reina, soberana, a harmonia. Não percebeste, ainda, que todos esses males são interiores e não exteriores. Permanecem dentro de ti e não no próximo ou na paisagem. Por não teres compreensão, julgas-te incompreendido... Por não cultivares a fraternidade, acreditas que te desprezam... Alimentas desajustes e imaginas que te assediam... Asilas o mal e o enxergas onde ele não existe... Buscas o ambiente ideal, mas nunca o encontrarás enquanto não o edificares no próprio coração.
Ante a surpresa de Ramires por aquelas advertências inesperadas, o mentor acentuou, delicado:
Em lugar algum do Universo, nem junto de Jesus estarás livre dos espinhos que te torturam, fruto da semeadura de desajustes e desatinos no passado distante, a não ser que te proponhas a orientar a vontade na direção do Bem verdadeiro, que não julga nem critica, não reclama nem condena, não esmorece nem desanima, não ambiciona nem exige — apenas serve! A Terra é a melhor escola para as tuas necessidades atuais. Nas mesmas regiões onde delinqüiste, mais fácil será reajustares o destino. Lá, as fraquezas de teus irmãos te alertarão quanto às próprias deficiências e seus erros ajudar-te-ão a distinguir o caminho certo. Conviverás com vitimas e verdugos do passado, muitas vezes ligado a eles pelos laços da consangüinidade, a fim de aprenderes a conjugar os verbos amar e perdoar.... E, para que sejas sempre forte e perseverante na luta, modifica a concepção de que o planeta terrestre é palco de tragédias, onde imperam o crime e o vício, e reconhece que, antes de mais nada, o mundo onde nasceste é oficina bendita de Deus, onde edificarás o futuro de bênçãos.
Sob forte impressão, ante aquelas exortações inesquecíveis, Ramires acordou. Em seus ouvidos ressoavam, ainda, como se viessem de muito longe, as últimas palavras:
Não esqueças, filho, a recomendação de Jesus: “Buscai o Reino de Deus dentro de vós!
Ajudar para não Atrapalhar
Durante a manifestação dos chamados Espíritos sofredores, nas sessões práticas de Espiritismo, observam-se, em boa parte dos presentes, três freqüentes reações:
Alguns, achando que a comunicação é sem interesse ou se prolonga em demasia, limita-se ao alheamento, voltando sua atenção para assuntos estranhos ao desenrolar dos trabalhos. Outros, imbuídos de curiosidade, procuram identificar o Espírito através dos elementos fornecidos pela psicofonia mediúnica, imaginando tratar-se do senhor fulano ou do senhor beltrano, pessoas de suas relações. E há aqueles que se irritam porque o dirigente da sessão não esclarece logo ao comunicante a sua condição de desencarnado, se este demonstra inconsciência de seu estado, ou não age energicamente, induzindo-o a penitenciar-se de seus erros, se parece alguém comprometido no vicio ou acostumado a utilizar os processos da mistificação e da obsessão.
Identificamos, portanto, três reações: desinteresse, curiosidade e irritação. Todavia, os que assim procedem, revelam, inegavelmente, ausência do sentimento de responsabilidade, nascido de melhor conhecimento do mecanismo de intercâmbio com o Além, o que os torna elementos que prejudicam o bom andamento das tarefas de auxílio.
Para que semelhante prejuízo seja evitado é preciso considerar que os Espíritos que se manifestam, para receber ajuda, estão, geralmente, mergulhados em profunda perturbação, o que não lhes permite raciocinar com lógica. A incapacidade, quase sempre evidenciada, em reconhecer o próprio estado, confirma este fato.
Por isso, aquele que conversa com o Espírito não pode ter pressa em vê-lo afastar-se, antes de lhe haver proporcionado alguns recursos de equilíbrio. Não pode deter-se em questões pessoais, tendentes a identificá-lo, não só porque na maioria das vezes ele não estaria em condições de responder satisfatoriamente, como seria falta de caridade. Que dizer do médico preocupado em interrogar o acidentado ao invés de medicá-lo com presteza? E haverá desastre mais trágico que a desencarnação sem preparo? Finalmente, não pode, como muitos desejam, adotar a atitude de impor princípios, advertir o manifestante, mostrar-lhe o que é certo ou errado, fazê-lo sentir que terá que pagar por seus crimes, porque, principalmente quando se trata de alguém desejoso de mistificar ou exercer vingança, está de tal forma dominado por idéias cristalizadas em longos processos de fixação mental, que simples palavras não modificarão suas disposições.
O principal esforço do dirigente dos trabalhos é o de procurar conquistar a sua simpatia, para em seguida convidá-lo à oração, sem preocupar-se em verberar ou desmascarar, atitude favorita de alguns espíritas, que julgam estar prestando um grande serviço, esquecidos de que com semelhante atitude podem impressionar, mas nunca converter ao Bem.
A oração em benefício da entidade manifestante, prática que, infelizmente, raros adotam, é o grande recurso de esclarecimento e ajuda. Quando proferida sob orientação da mais pura fraternidade, sem fórmulas verbalistas e secundada pelas vibrações de carinho, compreensão e amizade, por parte de uma assistência consciente e esclarecida, ela proporciona inestimáveis recursos de auxílio. Sob seu fluxo poderoso, o Espírito revive situações passadas, identifica parentes e amigos desencarnados, sente-se aliviado nas suas dores e preocupações e descortina horizontes mais amplos e que lhe permitem deixar o cárcere da fixação mental. Após a aplicação dessa incomparável terapêutica, o mistificador sentir-se-á envergonhado e o confessará; o obsessor perceberá seu erro e se afastará de livre vontade, fator indispensável para que sua vítima ma se recupere sem transtornos; o Espírito inconsciente estará mais lúcido e em condições para reconhecer, por si mesmo, sua nova condição.
Se, enquanto o dirigente dos trabalhos se esforça por cativar a simpatia da entidade, alguns dos presentes se sentem contrariados por julgar que deveria ser mais objetivo, minucioso ou enérgico, estarão vibrando de forma perniciosa, o que comprometerá o bom êxito do serviço. Haverá maior dificuldade para o doutrinador concatenar suas idéias e maior perturbação para o comunicante. E não podemos, naturalmente, esquecer o médium, que, sem apoio vibracional, experimentará inesperadas limitações.
Fácil, pois, é concluir que, nas tarefas de intercâmbio destinadas a estender conforto e esclarecimento àqueles que se encontram na craticidade, quem não ajuda atrapalha. Por isso, forçoso é admitir que a sessão espírita não é um tribunal, nem repartição especializada em identificar desencarnados e muito menos local de recreação, onde as criaturas se portem com displicência, e sim um templo divino, onde o contacto com a espiritualidade superior deve inspirar respeito e atenção.
E se nos é lícito considerar a sessão espírita como recurso de socorro para nossos males físicos e psíquicos, é preciso reconhecer que a. condição indispensável para sermos atendidos é a disposição em socorrer aqueles que sofrem mais.
Ectoplasma
SUBSTÂNCIA ainda pouco conhecida,que flui para fora do corpo humano do médium ectoplasta (médium de efeitos físicos), através da sua manipulação , seja pelo inconsciente ou por inteligências externas encarnadas ou desencarnadas , ocorrem fenômenos de ordem superfísica, incluindo a materialização ou ectoplasmia que pode ser parcial ou completa.
Sinonimia: (fontes diversas) atmoplasma, éter vitalizado , hylê, ideoplasma, paquiplasma , primeira matéria, psicoplasma, teleplasma.
Etmologia : Grego : Ektós, por fora, plasma : molde ou substancia.
ligação do Ectoplasma projetado com o emissor:
o Ectoplasma expelido apresenta-se ligado ao médium emissor ou ao indivíduo projetado fora do corpo físico como um canal de alimentação. Há impulsos vitais bidirecionais, dando a aparência de um cordão umbilical.
Interação corpo físico / corpo astral
o Ectoplasma ao se evidenciar demonstra uma interação constante entre os dois corpos ou veículos da consciência, o corpo biológico mais denso e o corpo astral ou extrafisico menos denso
Forma
Ao exteriorizar-se por aplicação de passes magnéticos sobre o médium (Experiência de Raoul Montandan) tende a reproduzir a forma humana (antropomórfica) Vide "Formé materialise' do autor. Há a duplicação do rosto e das demais formas , seguindo a ação dos campos vitais das células do organismo humano ou modelo organizador biológico (perispírito=corpo astral)
Instabilidade
costuma ocorrer uma condição de equilíbrio instável da forma física humana com a forma humanóide (lembrando o gasparzinho ou fantasminha puff !!!)
Subordinação a Consciência
As manifestações do ectoplasma são condicionadas a fatores psicológicos derivados da vontade e da emotividade do comando inteligente direcionador do fenômeno.Inconsciente do médium , inteligência desencarnada ou encarnada)
Aspecto similar a cordão
É comum a forma de fios ou cordões.
Raio de ação
ao contrario do corpo astral que se projeta a longas distancias o ectoplasma tem raio de ação mais ou menos definido , a partir e em torno do corpo humano do médium.
Reabsorção
De natureza muito sensível demonstra tendência automática (programação pelos computadores do corpo astral ?) de retornar e ser reabsorvido pelas estruturas donde emanou.
Impacto de retorno
Em condições adversas pode retornar abruptamente ou recolher-se repentinamente.
Fenômenos de efeitos físicos
O ectoplasma do médium está relacionado a mediunidade de efeitos físicos sendo manipulado pelos espíritos desencarnados
Pseudo-consciência efêmera e dupla
médiuns relatam sentirem uma espécie de consciência dupla de curta duração durante os fenômenos.
Projeção astral:
A exteriorização de ectoplasma pode ocorrer também quando o médium está em desprendimento embora tal fato não seja o mais freqüente
Vias de eliminação
A literatura tradicional considera os orifícios de saída do ectoplasma como os naturais do organismo. (boca, anus, nariz,genitais etc) no entanto é possível que o mesmo saia por todos os poros do corpo.
Coloração
Esbranquiçada variando de tons mais claros a escuros. Já foi descrita até a cor preta o que não se observa comumente.
Elasticidade
Relativa a algumas dezenas de metros
Reação Térmica
Abaixa a temperatura do ambiente humano de contato imediato.
Sensibilidade ao olhar
Descreve-se a influencia do olhar dos circunstantes sobre o ectoplasma (ação mental ?)
Subordinação aos corpos físico e etérico
Parece haver menor subordinação ao corpo astral (perispírito) do que ao corpo etérico (corpo vital) e corpo físico.
Docilidade
Ao contrario do cordão de prata que não atende sempre ao comando mental do espírito o ectoplasma apresenta-se extremamente domesticável
Adesão de partículas
O ectoplasma pode retornar ao emissor com partículas estranhas que aderem a sua estrutura, podendo causar reações no médium
Fotossensibilidade
O ectoplasma é sensível à luz branca comum podendo ser por ela modificado.
Densidade flutuante
Em função dos fenômenos decorrentes de sua exteriorização, (efeitos físicos) pode se apresentar de forma sólida, liquida ou gasosa
Aspecto à observação
Frio, Gelatinoso, grudento, úmido, untuosos e viscoso modificando-se para floculoso, difuso, leitoso, ,liquido, gasoso, plasmático e assemelhados.
Desagradável ao toque
Alguns pesquisadores referem certa repulsividade ao tocar o ectoplasma
Odor
Pode exalar odor lembrando o gás ozônio.
Composição Química
Controvertida conforme cada pesquisador. Já foram descritas, substancias albuminoides, glóbulos brancos sanguíneos, células epiteliais, muco, lipídios etc.
Combinações
O ectoplasma apresenta-se como um combinação de elementos do corpo etérico do médium (fluido vital) , elementos do corpo humano, elementos provindos de vegetais provavelmente direcionados por mentes extrafisicas, e até fragmentos moleculares de tecidos da roupa do medium
Seccionável
Podem ocorrer rompimentos do ectoplasma expelido para análise laboratorial.
Corporificação
Corporifica veículos ou aparências e desenvolve manifestações orientadas pelas mentes do emissor ou de outrem
Escala de materialidade
corpo biológico
ectoplasma
cordão de prata e corpo etérico
corpo astral
corpo mental
espírito (inconsciente)
Preservação do Tríplice Aspecto nas Exposições Doutrinárias
Em função da necessidade de integrar os trabalhadores e estudiosos do Movimento Espírita no espírito federativo de unificação, sem o intuito de padronizar ou uniformizar palestras, pois a diversidade é que enriquece e embeleza a roupagem que as veste, sugerimos determinadas posturas que, em se adequando às realidades locais, poderão servir de subsídios ao expositor da Doutrina Espírita.
Inicialmente, urge que as exposições aliem, também, ao conteúdo de consolo, necessário aos que sofrem, o esclarecimento fraterno da dinâmica da vida e das leis do Universo.
Além de ensejar-se a compreensão do sofrimento, demonstrar que um único destino é que aguarda todas as criaturas: a felicidade plena em função da evolução.
São subsídios indispensáveis a qualquer palestra todos os princípios básicos da Doutrina.
Não há como se expor, na abordagem espiritista, qualquer tema, sem ligá-lo à Reencarnação, à Lei de Causa e Efeito, à Sobrevivência do Espírito ou à sua evolução. Pretende-se, com este esquema, propiciar ao ouvinte que entra pela primeira vez em uma Casa Espírita ter uma visão aproximada e lógica do contexto doutrinário.
Torna-se importante, também, que os temas não sejam apresentados como de Caráter exclusivamente religioso, científico ou filosófico. Qualquer tema deve ser abordado e ex-posto sempre pelos três ângulos, para se construir o triângulo perfeito da concepção espírita.
Temas como a Caridade precisam ser entendidos filosófica e cientificamente, para se fortalecer a conseqüência moral (ética )finalista. Podemos explicar um ato de amor, também, como movimentador de energias extrafísicas que sintonizam magneticamente com outras de mesma freqüência vibratória. O sentido genuinamente espírita do tríplice aspecto da Doutrina não deve ser subtraído indevidamente, mas apresentado em sua plenitude sem perder a identidade doutrinária.
Analogamente, temas como a origem da vida ou dos astros não poderão tornar-se simples aulas de Biologia ou Geografia. Indispensável unir o assunto à Onipresença divina, à existência dos fluidos e ao sentido mais amplo do amor divino. Assim por diante.
É também ingenuidade pensar que o Espiritismo é apenas para os mais simples e humildes.
Não são os sãos, mas os doentes que precisam de médico. A mensagem doutrinária deve ser sempre veiculada de maneira clara e acessível a todos; paralelamente, deve atender também aos anseios dos homens cultos e inteligentes na elucidação da dinâmica da vida e dos problemas modernos.
Viver Kardec não significa apenas estacionar nos graníticos alicerces da Doutrina, mas crescer embasado nos mesmos. Nada entristeceria mais nosso amado Codificador que programarmos ciclo de palestras sobre o "duelo", sob o pretexto de ser assunto de obra básica, ao invés de sobre "passes", alegando que este assunto foi tangido rapidamente pelo mestre lionês.
Viver Kardec é seguir sua mensagem progressista e não apequenar seu maravilhoso trabalho convertendo o pentateuco kardequiano em uma bíblia dogmática. Nada mais antikardecista, que deter-se exclusivamente nos alicerces doutrinários. Não ousaríamos pedir tanta abertura como o Codificador, que chegou a dizer que, quando a Ciência demonstrar que o Espiritismo está errado em algum ponto, ele se modificará. Pelo menos somemos os conhecimentos auridos pelas faculdades mediúnicas de Chico Xavier e Divaldo Franco às bases doutrinárias, ao proferirmos nossas palestras.
A mensagem de carinho e consolo – considerada característa espírita – poderá até ser imprescindível. No entanto, não podemos confundir isto com postura "religiosista" ao executarmos nossos pronunciamentos, assumindo, assim, características clericais que não se coadunam com a natureza de nossa Doutrina.
Não podemos permitir que o Espiritismo seja confundido como simplesmente mais uma religião.
Uma das heranças equivocadas do nosso passado judaico-cristão é a questão da culpa (desde o nascimento) e da punição. Cuidar para que não passemos equivocadamente o conceito de carma como algo que pode ser confundido com a versão espírita destas concepções. Cabe a nós demonstrar que, como disse Pedro, o Apóstolo, a caridade cobre uma multidão de "pecados". As situações cármicas devem ser explicadas como passíveis de ser atenuadas e até eliminadas por atos de amor. Expiação, muitas vezes, por visão míope ou exposição doutrinária apressada, soa como castigo divino. Imprescindível demonstrar que as deformidades físicas não estão punindo, mas, eliminando as deformidades perispirituais, drenando-as para o corpo físico, com vistas à harmonia energética do Espírito.
Evitemos veicular mensagens passivas, tais como: sempre é necessário sofrer para evoluir. Preciso é condicionarmos pelas palestras, tanto os encarnados como os desencarnados, que a opção da dor só se faz necessária quando não optamos pelo amor e pelo trabalho. Útil ao próximo não é necessariamente aquele que se resigna em reencarnar deficiente, mas aquele que procura adquirir as condições de reencarnar perfeito para auxiliar construtivamente os seus irmãos.
Esperemos que as exposições doutrinárias possam ensinar transformando o Centro Espírita também em uma escola dos Espíritos.
Há ouvintes que nada sabem sobre a vida após a morte, nada escutaram sobre reencarnação e até mesmo mediunidade, embora já tenham repetidas vezes assistido às mesmas palestras sobre determinados temas evangélicos.
Deixemos muito claro que sempre poderão os temas evangélicos ser veiculados. Não há dúvida de que o Espiritismo tem, também , raízes cristãs. Chamamos, no entanto, a atenção para a falta de informação sobre a Doutrina Espírita, o que nos causa profunda preocupação. Neste sentido é que nos pronunciamos junto a esta Comissão Regional Sul do Conselho Federativo Nacional da FEB.
Permitam as luzes do Alto clarear as nossas limitações e nos intuir adequadamente para amarmos e instruirmo-nos suficientemente, a fim de que transmitamos a Doutrina Espírita com amor e sabedoria.
Fonte: Reformador de agosto/1992, p. 237-238. l
* Trabalho apresentado pelo Departamento de Divulgação Doutrinária e Cultura da Federação Espírita Catarinense, na Reunião da Comissão Regional Sul do Conselho Federativo Nacional da FEB, realizada em Ribeirão Preto (SP), no dia 2-5-1992. (republicado em 2002 pelo REFORMADOR)
CHICO VAI SE COMUNICAR
Chico, com o alto grau de interação que tinha entre os planos terrestre e espiritual, podia avaliar que a sua viagem repercutiria em muitos aspectos. Um deles, a possibilidade de aparecer “médiuns” de plantão, que dirão haver recebido mensagens sua do Além. Quanto a esta comunicação, Chico confirmou para o Eurípedes (médico), Eurípedes (filho) e a amiga Kátia que o faria, mas preveniu-se. Deixou com os três uma espécie de código, com detalhes que só eles saberão identificar a veracidade, ou não, de que seja dele realmente.
Diante disso, não convém para os pseudo-médiuns arriscarem. É bom esclarecer, para quem desconhece, que não se pode dar crédito a qualquer pessoa que se diz médium e não trabalha com disciplina, pois existem os que inventam mensagens. Isso quando não são mistificados pelos próprios espíritos que ainda não atingiram um grau de evolução compatível com a média. Chico Xavier foi o praticante número um do Espiritismo e da verdadeira mediunidade, durante 75 anos, dos seus 92 de idade. Portanto, quando ele se comunicar temos como saber se assim o é.
Mas que não fique se nutrindo tanta expectativa neste sentido. Vamos deixar nosso Chico em paz, com seu novo tempo, vivendo sua nova realidade. Guardemos com carinho seu exemplo de vida, sua incomparável missão entre nós. O doutor Eurípedes Tahan me contou ainda que Chico não verbalizou, mas previu que sua hora estava chegando. Durante a semana que precedeu o seu desenlace (morte) comportou-se como uma despedida. Visitou vizinhos, coisa que não fazia há anos, e agradeceu “por tudo”, foi à cozinha, numa das suas obras assistenciais, onde se distribui alimentos. Outro fato, dentre outros, que chamou atenção foi ele perguntar se já tinham acertado as contas com dona Amélia (uma das pessoas que o acompanhava) visto que não precisaria mais de seu trabalho.
Lamentavelmente faltou tempo para o doutor Eurípedes despedir-se do amigo. Foi chamado às pressas, mas quando chegou Chico Xavier já havia subido para a festa que os anjos prepararam para recebê-lo, regada à muita luz e paz, no mundo celestial.
Publicado em coluna dominical do jornal O NORTE, João Pessoa – PB, em 14.07.2002
terça-feira, 21 de julho de 2009
10 PERGUNTAS E RESPOSTAS POLÊMICAS
São perguntas e respostas polêmicas, e meu objetivo é apenas o de contribuir para o debate e para que cada pessoa construa sua síntese sobre esses assuntos.
Todos os dados que pudessem identificar a pessoa que pergunta, bem como local e instituição a que pertence foram removidos, de modo a preservar o sigilo e a ética do relacionamento baseado na confiança.
Lembro que as respostas são opiniões pessoais, que não pretendem estabelecer verdades ou se constituir na opinião definitiva.
Pergunta 1
Bom dia!
Por acaso você tem alguma coisa que fale da Páscoa e o significado Espírita -->RENOVAÇÃO
Não precisa ser extenso.
Obrigada.
Resposta:
Na verdade, a Páscoa não tem nenhum significado dentro da Doutrina Espírita, nem mesmo simbólico, pois é uma data puramente convencional.
Afinal, peremptoriamente, Jesus não nasceu em dezembro, não morreu necessariamente numa sexta-feira e efetivamente não ressuscitou no domingo (3° dia). Aliás, nem mesmo ressuscitou em qualquer dia.
A Páscoa, sem sombra de dúvida, era uma festa pagã, apropriada pelo Judaísmo em seus rituais, frente a fatos históricos significativos para aquele povo.
O Espiritismo jamais se apropriou dessa data, e se alguns espíritas o fazem, é ainda pelo (desculpe a expressão) "ranço" do Catolicismo, de onde muitos Espíritas vêm. Quando coloco isso, não quero denegrir o Catolicismo, muito pelo contrário, só estou colocando que muitos Espíritas ainda não abandonaram a "Sacristia", ou seja, não se desligaram de outras religiões para viver a Filosofia Espírita no seu tríplice aspecto.
Se o Espiritismo, hipoteticamente, tivesse que escolher uma data para significar "renovação", por certo seria o Natal (mesmo que seja uma data simbólica e meramente convencional, nem próxima da realidade), pois aí sim significaria o "renascimento", a "renovação" do ensino do Cristo, da Lei do Amor, e não a Páscoa, pois o sentido de "renovação" aí (na Páscoa) estaria associado a "ressurreição do Cristo", que não ocorreu e que o Espiritismo não aceita. Para o Espiritismo, o Cristo morto pouco significa. Sua real importância é a do "Cristo Vivo", o Cristo do Evangelho de Verdade e de Vida. E o que mais se aproxima disso é o "Cristo do Natal", não o "Cristo da Páscoa".
Espero que não fique ofendida com minhas colocações, que sei serem duras, mas o que coloco está perfeitamente de acordo com os postulados Espíritas, com o pensamento trazido por Kardec, e não devemos fugir ou fazer concessões para dele se afastar.
Tenho profundo respeito pelo Catolicismo e todas as demais religiões, pois já fui Católico e estudo (procuro conhecer) as demais religiões. Mas que cada um fique com suas crenças. Nós Espíritas, não precisamos delas compartilhar. Apenas compreender e respeitar.
Não precisa concordar comigo, pois não sou e nem pretendo ser o "dono da verdade". Utilize meus argumentos para fazer a antítese de sua tese, e faça sua síntese. Por certo, você estará muito mais perto da "verdade".
Um fraterno abraço
Pergunta 2
Com relação ao sofrimento do suicida, como ficam os "homens-bomba" que se matam por causa de um aprendizado e de uma crença religiosa?
Como ficam em relação ao seu perispírito, uma vez que sabe que vai destruir o corpo? Ao adentrar ao mundo espiritual e se sentir vivo não seria o paraíso ensinado a eles, uma vez que matou vários "inimigos" e continua vivo?
Resposta:
Independentemente da crença, tirar a própria vida é um ato contrário a Lei Divina.
Mesmo a Religião professada por essas pessoas não recomenda o suicídio e até se posiciona contra ele. Essa crença da morte honrosa na destruição dos "inimigos", que leva ao paraíso, é uma interpretação de grupos radicais (fundamentalistas), para manipular a boa fé dessas pessoas.
O homem-bomba, ao dilacerar seu corpo, deixará marcas gravíssimas em seu perispírito, que lhe causarão, no plano espiritual, profunda dor e desequilíbrio.
Jamais ele se acharia (ou pensaria) estar no paraíso, pela dor e pelo sofrimento a que estará submetido. Pelo contrário, se "acharia" no inferno e ficaria profundamente revoltado e decepcionado, por lhe terem prometido uma coisa e ter recebido outra.
Terá a lhe agravar a dor e o sofrimento, a reação da Lei de Causa e Efeito derivada da morte de todas as vítimas do atentado. Essas conseqüências, por certo serão ainda piores que a do próprio suicídio, refletindo-se, junto com as do suicídio, por próximas encarnações.
Espero ter ajudado.
Fraterno abraço.
Pergunta 3:
A mãe de uma criança contraiu AIDS durante o tempo de gestação e o filho, em decorrência, contraí a mesma doença e isto não estava no seu programa reencarnatório. Como explicar isso para um grupo de Estudo Espírita, tendo em vista a Lei de Causa e Efeito e que a criança virá a sofrer por um ato impensado de sua mãe?
Resposta:
Devemos inicialmente considerar que o livre arbítrio é inviolável, e ao exercê-lo, podemos sim, peremptoriamente, causar sofrimento e dor a outras pessoas, mesmo que estas não "mereçam" essa dor. Por isso seremos responsabilizados, proporcionalmente a dor e ao sofrimento que causarmos.
Se todo sofrimento e dor que causarmos a outra pessoa estivesse "programados", não haveria responsabilidade nossa, seria decorrente de um determinismo, que anularia o livre arbítrio.
No caso específico, admitindo, para efeito de análise, que se a mãe contraiu AIDS por (ir)responsabilidade única e exclusiva sua, durante a gravidez e passou-a ao filho, por isso assumiria a total responsabilidade, pois causou dor e sofrimento e provavelmente encurtou a vida de quem, necessariamente, não precisava passar por isso. Digo necessariamente, pois se aquela criança tivesse nascido com a "programação reencarnatória" de ter AIDS, a mãe também teria nascido com a "missão" de ter AIDS. Existiria assim responsabilidade e livre arbítrio? Claro que não.
Isso foi injusto para o filho? Claro que sim, e a mãe responderá por ter perpetrado essa injustiça. Poderia o plano espiritual ter evitado isso? Claro que não, pois em caso contrário não existiria o livre arbítrio e a responsabilidade individual.
Se tudo no mundo estivesse "programado", se todos que sofrem injustiça "merecessem" ser injustiçados, se todos os que são assassinados "merecessem" ser assassinados, se existisse um "karma" ou "programação reencarnatória" determinando isso, inexistiria o livre arbítrio, seria tudo determinístico, tudo se processaria pela "vontade divina", que imporia a dor, o sofrimento, etc. É nesse "deus" que acreditamos? No "deus" do "olho por olho"? Não, nós acreditamos no Deus de Amor, Naquele que quer nossa evolução, que nos criou para "aprendermos a sermos felizes", Aquele que nos deu o "poder" de sermos "co-criadores", de "sermos deuses", como tão bem lembrou o Mestre Jesus.
Também é importante refletir que a "programação reencarnatória" não é determinística, ou seja, não estabelece a trajetória e todos os fatos da vida de uma pessoa, ou seja, não "está escrito" tudo o que temos de passar. Essa "programação" é muito mais probabilística, indica tendências, tudo sob a possibilidade de modificação derivada de nosso livre arbítrio e da influência do uso do livre arbítrio por outras pessoas, pois vivemos em sociedade, numa vida de efetiva relação e interações "não programadas".
Devemos ainda nos lembrar que a "Lei de Causa e Efeito" é reativa para quem é a causa, para quem promove a ação. O efeito específico retorna individualmente a quem desencadeou a ação. No exemplo em questão, a mãe desencadeou a ação, contraindo AIDS, e receberá de volta o efeito disso. O seu filho foi atingido por essa ação, sendo o "espelho", o "ponto fixo" para o efeito que retornará a mãe, nesta e em outra(s) vida(s). Nesse caso a doença do filho não está vinculada a uma "causa e efeito" dele. Para ele essa "Lei" não está aplicada, pois não foi o agente da ação. Foi passivamente injustiçado pelo ato errôneo de sua mãe.
Para maiores subsídios sobre a questão do livre arbítrio, sugiro a leitura de dois artigos meus, "Ninguém morre antes da hora?" e "Ninguém morre antes da Hora? - parte II", que estão disponíveis no site.
Quero lhe alertar, para que não se espante se o grupo de estudo não entender prontamente isso. Infelizmente, grande parte dos Espíritas não cumprem o que Kardec preceituou: "Espíritas, amai-vos e instrui-vos". Quão poucos de nós amam verdadeiramente. Pouquíssimos se instruem no verdadeiro estudo da Doutrina, preferindo o fundamentalismo impensado, o comodismo de "pensar" (e querer) que tudo na vida está "programado" e decidido pela "programação reencarnatória", que tudo é responsabilidade do nosso "passado ignoto", das influências dos "espíritos inferiores", esquecendo que somos nós, e apenas nós mesmos que determinamos o nosso destino e construímos a nossa realidade imediata e futura, afetando a natureza e as pessoas ao nosso redor.
Infelizmente, muitos espíritas pretendem se "instruir" e "conhecer" Espiritismo apenas lendo "Romances Espíritas" e não estudam o conjunto da obra de Kardec. Lêem o Livro dos Espíritos, mas não ESTUDAM o Livro dos Espíritos, e pior, não complementam os estudos aprofundando-se nas demais obras básicas, na Revista Espírita, e nas obras de outros autores aceitos e consagrados. Não utilizam a lógica e a razão, não aprendem, apenas aceitam, apenas informam-se e não transformam sua informação em conhecimento e seu conhecimento em habilidades e aptidões.
Desculpe o desabafo. Entendo a sua preocupação e louvo sua busca de argumentos. Quisera que metade dos Espíritas fossem assim. Poderíamos estar cumprindo nossa missão de transformar o mundo.
Espero ter ajudado, se não solucionando sua dúvida, pelo menos fornecendo novos pontos de vista, propiciando argumentos para o debate e a reflexão. Não tive, não tenho e não terei a pretensão ou a ambição de ser o "dono da verdade". Faltam-me inúmeras qualidades e ainda muitas e muitas vidas sucessivas para perto disso chegar. Mas tenho a convicção de que o que coloco está dentro dos postulados trazidos por Kardec, que passa pela prova da lógica e da razão. Com sinceridade, eu acredito nisso.
Um fraterno abraço.
Pergunta 4
Se uma pessoa estivesse em um edifício e neste ocorresse um grande incêndio, sendo que as chamas chegaram a um ponto em que o corpo dessa pessoa já começa a ser consumido, e em seu pensamento já se extinguiram as possibilidades de alguém salva-lo.
Este indivíduo sentindo as chamas consumi-lo, poderia saltar do prédio, cometendo assim suicídio, mesmo que seja em desespero (digamos que ele tenha um conhecimento espirita), ou deveria ficar onde está, mesmo sabendo que ele desencarnaria dolorosamente por causa das chamas? O que aconteceria se ele, em desespero, efetivamente pulasse?
Resposta:
É uma questão difícil de se analisar.
Temos que partir do pressuposto que tirar a própria vida é um erro grave.
Também é verdade que a "culpa" é proporcional aos fatores do momento (conhecimento, equilíbrio, condições emocionais, pressão, etc.).
É verdade ainda que a vontade Divina pode se manifestar de diversas formas, até o último instante, mudando destinos inclusive.
Em tese, a pessoa não deveria cometer o suicídio, mesmo nessa dura situação. Responderá pelo seu ato, se o fizer.
Na prática, como dificilmente conseguiria racionalizar seus sentimentos e emoções, em cometendo tal ato, será "responsabilizado" proporcionalmente a lucidez que lhe tenha "sobrado" em tal desesperadora situação.
Tudo isso em tese. A única certeza é que a responsabilidade sempre é justa e proporcional, nunca é absolutista.
Espero ter ajudado.
Fraterno abraço.
Pergunta 5:
Assisti uma palestra sua, em slides, a respeito do tema determinismo e livre arbítrio.
Com o devido respeito, não posso concordar com o prezado Engenheiro, pois se sua proposição fosse verdadeira, Allan Kardec, Emmanuel e o próprio Criador estariam errados.
Eu não estou divagando, mas me baseando naquilo que está escrito pelos próprios que citei.
1º O Criador- A Lei de Deus é Determinística, pois ele a elaborou e colocou para ser cumprida, pura e simples.
2º Alan Kardec - Livro dos Médiuns, Cap. XXVI no item Perguntas sobre questões morais e materiais, há a nota de rodapé que diz "Livre-Arbítrio cria Determinismo".
3º Emmanuel - No seu livro "A Caminho da Luz", pg. 116, tem o seguinte trecho: "...nossa intenção é mostrar que o determinismo do mundo espiritual era o do amor, da solidariedade e do bem, mas os próprios homens, na esfera relativa de suas liberdades, modificaram esse determinismo superior, no curso incessante da civilização"
Isso são os trechos bem determinados, mas soltos. Na obra de Pietro Ubaldi e de Carlos Torres Pastorino está bem claro e com abundância.
Resposta:
Que bom que o prezado irmão discorda de minha posição, pois isso é característica do Espiritismo. Tomo a liberdade de reproduzir um trecho de um autor, que agora não consigo lembrar o nome, mas isso pouco importa: "...No espiritismo cada um diz o que quer, pois não há patentes, mas apenas referências; assume assim, a interpretação do Evangelho na concepção mais livre e respeitosa que todas as acepções, propiciando um estado de comodidade que desfigura temores, onde o mal é matéria do bem, que trabalha, elabora, cuida e transforma o que antes era inútil em aliado..."
De qualquer maneira, sem pretender debater, até porque por e-mail isso não é possível, o que o irmão me coloca está em outro contexto, que não o que coloquei na minha palestra.
Claro que o livre-arbítrio gera um determinismo: o da Lei de Causa e Efeito. No entanto esse "determinismo" pode ser alterado, o que prova que não era, efetivamente, determinístico.
A Lei Divina é determinística enquanto existência, pois nada escapa dela, mas como "transitamos" na Lei, nada se torna determinístico, tanto que podemos "desobedecer" a Lei.
Quanto ao que você coloca de Emmanuel, a interpretação é muito clara, pois a necessidade do amor é determinística, mas a busca do amor não. Tanto é verdade que você mesmo cita: "...mas os próprios homens, na esfera relativa de suas liberdades, modificaram esse determinismo superior, no curso incessante da civilização..."
Ora, se foi modificado, não era determinístico.
Dá para perceber, que tudo é uma questão de contexto e de interpretação, de como se aborda "determinismo".
Também estou convencido que a vida de relação, com o semelhante, com a natureza e até mesmo com o Criador não é, peremptoriamente, determinística. E acho a comprovação disso em Kardec, e nas obras espíritas aceitas (Emmanuel, André Luiz e alguns outros).
Como nossa abordagem é diferente, provavelmente nunca chegaríamos a um consenso, pois, na análise filosófica e científica do espiritismo, não se pode aceitar que a vida de relação possa ser determinística, pois nesse caso não existiria o livre-arbítrio.
Não sou, e não aspiro ser "dono da verdade". Cabe a cada um construir a "sua verdade", e procurar aperfeiçoá-la. Isso é Espiritismo.
Quanto a Pietro Ubaldi e Carlos Torres Pastorino, peço desculpas ao irmão, mas não são autores aceitos como basilares (nem mesmo como complementares) pelo Espiritismo. Reconheço neles brilhantes qualidades intelectuais, como autores. Também os leio, e filtro o que me serve (que é bastante), mas não os reconheço como aptos a acrescer "verdades" ao Espiritismo.
Não gostaria e não pretendo debater mais o assunto, até porque entendo, respeito e aceito sua opinião, mesmo que não a compartilhe, assim como lhe reconheço o pleno direito (e até dever) de analisar e discordar, e isso não me ofende, muito pelo contrário.
Peço perdão, se de alguma forma, com minhas colocações, possa te-lo magoado ou ofendido. Não foi essa minha intenção, muito pelo contrário, o profundo respeito é que me motivou a responde-lo.
Um fraterno abraço.
Pergunta 6
Estou com uma grande dúvida: O que é Orbe Terrestre?
A explicação que me foi dada é que "orbe terrestre, que é o planeta físico mais o plano espiritual do Planeta Terra. " Esta afirmação está correta? No caso, quando falamos que a Colônia Espiritual Nosso Lar encontra-se no orbe terrestre, quer dizer que Nosso Lar está no plano espiritual do Planeta Terra? Pergunto isto porque estou preparando um tema para apresentar para as crianças da evangelização infantil e gostaria de me certificar antes de passar esta informação às crianças.
Resposta:
Na realidade, o termo "orbe" era mais usado no português arcaico, derivado do termo equivalente no Latim, e foi inadequadamente utilizado na Doutrina Espírita como sinônimo de "redondeza" do globo terrestre.
Um determinado agrupamento de espíritos é formado pela afinidade vibratória (estágio de evolução + sentimentos comuns).
Assim sendo, um mundo de encarnados tem perto de si (redondezas, orbe) o grupamento espiritual que lhe é correspondente, em termos de evolução e de afinidade. O significado de "perto", "redondeza" é muito relativo, pois vibrações diferentes podem se sobrepor, e por estarem em vibrações ou dimensões diferentes, não ocupam o mesmo espaço.
Acho que o exemplo da Colônia "Nosso Lar" não deve ser usado para crianças, por se tratar de algo que, para ser interpretado corretamente, necessita de grande conhecimento doutrinário.
Poderia ser colocado que existem "postos de socorro", "hospitais" e instituições de auxílio no Plano Espiritual "próximo" a Terra, encarregados de auxiliar os espíritos desencarnados que "afinizam" com nossa realidade planetária.
Espero ter ajudado.
Um fraterno abraço.
Pergunta 7
Tenho duvidas sobre alguns pontos da doutrina, e gostaria muito de uma opinião sua sobre os mesmos:
- o que podemos entender quando dizemos que o processo reencarnatório é um processo de análise?
- A ligação do espirito tem seu início na fecundação, porém quando este processo se completa? No nascimento ou aos sete anos de idade?
Resposta:
Quanto a seus questionamentos, tentarei respondê-los:
a) a primeira afirmativa ("...o que podemos entender quando dizemos que o processo reencarnatório é um processo de análise?..."), posso lhe dizer que nunca ouvi a reencarnação colocada dessa maneira (de que obra a retirou?). Tentando analisar o sentido da frase, também não posso concordar, pelo menos nesse contexto. A reencarnação nada tem a ver com análise, mas sim com síntese, resultante dialética de tese e antítese. A reencarnação é resultante, sobre a qual agirão novas forças, que devem dar novo rumo à resultante derivada. Resulta numa nova síntese, produto da dialética entre o passado e o presente, da tendência e da inteligência, do errado e do certo. Não me parece que isso seja análise, mas sim dialética.
b) quanto a segunda colocação ("...A ligação do espirito tem seu início na fecundação, porém quando este processo se completa? No nascimento ou aos sete anos de idade?..."), por ser mais objetiva, é mais fácil se posicionar. Em verdade, a ligação do espírito com a célula-ovo (óvulo fecundado) inicia quando os espíritos encarregados de assistir ao processo reencarnatório têm certeza de que o óvulo fecundado vai nidar (fixar-se ao útero materno). Na verdade, a concepção propriamente dita tem início com a nidação do óvulo fecundado. A medida que o feto se desenvolve, o perispírito vai se ligando mais fortemente ao corpo, "molécula a molécula", como nos dizem os espíritos. Como o perispírito preside a formação do corpo físico, utilizando-se para tal do potencial genético, a medida que o corpo se desenvolve, mais se consolida a ligação do espírito com o corpo. Teoricamente, a criança nasce quando todo o seu organismo está "maduro" para suportar a vida fora do corpo, e nesse estágio, o espírito já está completamente ligado ao corpo. Portanto, quando nasce a criança, o espírito já terminou de se ligar ao corpo. O que acontece daí em diante é que a ligação vai se tornando mais forte. Podemos comparar com a "cura" (secagem) do concreto. Quando fazemos uma peça de concreto (uma coluna, por exemplo), depois de 5 a 7 dias posso retirar a forma, pois o concreto já vai estar "duro" (todos os seus componentes já vão estar ligados e unidos), mas ele só atingirá sua resistência projetada depois de 35 a 40 dias, quando se consolida definitivamente. Essa questão de "7 anos" é um pouco "fantasiosa", meramente especulativa. O corpo de uma criança atingirá um ponto de desenvolvimento ótimo em torno dos 3 ou 4 anos de idade, quando a ligação com o espírito atingirá a máxima força (concreto curado), mas já estava completa desde o momento do nascimento (concreto desenformado).
Espero ter ajudado.
Escreva se tiver mais dúvidas.
Um fraterno abraço.
Pergunta 8:
Prezado irmão, nos estudos deste final de semana me surgiu uma dúvida que está me incomodando, e gostaria que se possível você pudesse me ajudar a elucida-la. O tema do estudo foi "O espirito é matéria?". Você pode me ajudar com alguma análise?
Resposta:
Essa sua dúvida é muito atual e difícil de solucionar.
Kardec nos diz que o universo é constituído de três princípios:
- Deus, a causa primeira, Lei e Legislador do Universo;
- o princípio material - da origem a matéria e a energia em todos os planos;
- o princípio inteligente: tudo aquilo que não é Deus e não é princípio material.
Deduz-se dessa afirmação, que o princípio inteligente não é matéria.
Fica então a pergunta: princípio inteligente e espírito são sinônimos?
Vejamos o que diz Kardec: "...o espírito é individualizado do princípio inteligente evoluído...".
Analogamente falando, ao se individualizar (separar, destacar) alguma coisa de um todo, eu preciso conter (limitar) essa "coisa individualizada" num meio (vaso, embalagem) que a separe do todo e lhe de forma e limite, pois em caso contrário não estará individualizada.
Esse "vaso ou embalagem", fatalmente, deverá ser constituído de algo compatível com o meio, ou seja, que obedeça as "leis" desse meio.
Ainda por analogia, ao individualizar o princípio inteligente, esse precisará ser "contido", "limitado" em "algo" que tenha existência real no campo em que se manifesta, ou seja, na matéria, no princípio material.
Analisando os ensinos trazidos por André Luiz, poderíamos inferir que o princípio inteligente individualizado constituiria a "MENTE", e que esta estaria delimitada pelo "CORPO MENTAL".
Se aceitarmos que o conjunto MENTE e CORPO MENTAL constitui o núcleo do que chamamos espírito, e que o CORPO MENTAL estrutura o PERISPÍRITO, e aceitando ainda que o CORPO MENTAL é a parte imperecível do Perispírito, poderíamos concluir que, efetivamente, o ESPÍRITO também é constituído de matéria, contendo um núcleo, dentro de si, que é imaterial, a MENTE. Nem precisamos abordar o PERISPÍRITO, pois esse, efetivamente, é material, e sempre acompanha o ESPÍRITO, que é constituído de CORPO MENTAL e MENTE.
Apanhe em meu site a Palestra Perispírito, Duplo Etérico e Corpo Mental.
Espero ter ajudado.
Um fraterno abraço.
Pergunta 9
Tendo em vista a reação em nosso grupo de estudos sobre a questão do livre arbítrio nos processos reencarnatórios, chego até você, nesta oportunidade para lhe endereçar algumas perguntas interligadas:
A - Se uma mulher sofre um estupro isso poderia estar em "seu destino" ou é uma violência dos tempos difíceis da humanidade atual?
Resposta: Sem sombra de dúvida, conforme está nas obras de Kardec, não é seu destino, nem está escrito, nem mesmo faz parte de possíveis "provações" reencarnatórias, pois se isso fosse verdade, seríamos meros robôs, automatos, nas mãos do destino. Nada está escrito ou pré-determinado em nossas provas e expiações. Talvez uma pessoa tenha dentro de si uma energia derivada da Lei de Causa e Efeito que "atraia" para ela energias do mesmo tipo. Mas também é verdade que uma mulher que nada "devesse" em termos energéticos pode vir a ser violentada, e isso ocorre diariamente, como conseqüência única e exclusiva da violência de terceiros. A responsabilidade, nesse caso, é única e exclusiva do estuprador, que atingiu (e atingem) inocentes que nada "deviam". Isso é conseqüência do uso do livre arbítrio.
B - Nascer a criança é uma questão de livre arbítrio?
Resposta: Sem sombra de dúvida. Em nosso planeta, grande parte das reencarnações não são "programadas". O livre arbítrio vale para o espírito "reencarnante" e também para os pais, e não pode ser violado. Uma boa parte das reencarnações não estava nos planos dos pais, mas a possibilidade de gravidez é aproveitada para poder proporcionar reencarnação aos espíritos que assim necessitam. Também é verdade que numa boa parte das reencarnações, pais e filhos não tinha vínculo espiritual anterior, e que são unidos pela encarnação, como oportunidade de aprendizado mútuo e de evolução. Pode-se afirmar, categoricamente, que não é obrigatório a "programação" das reencarnações, ou seja, os filhos são frutos do uso do livre arbítrio. Muitas vezes essas oportunidades são utilizadas para reunir antigos desafetos ou grande amores.
C - Já estava determinado o espírito que reencarnaria na condição da violência sexual? Ou é "ajustado" um espírito em necessidade reencarnatória? Ou é uma natural "ligação magnética" de algum espírito no aguardo de uma oportunidade reencarnatória?"
Resposta: Nunca um espírito está já vinculado a qualquer tipo de violência obrigatória. O que acontece, é que cada espírito reencarna nas condições sociais, econômicas, culturais e ambientais compatíveis com o seu registro energético, derivado da Lei de Causa e Efeito, ou seja, com a afinidade energética e vibratória que trás dentro de si. Suas energias continuaram a atrair para si o mesmo tipo de energia. Se forem violentas, trarão de encontro a si a violência, mas se mudar, se crescer espiritualmente e se afastar dessas energias, seu campo vibratório mudara, e também o tipo de energias que irão de encontro a ele. Não é o fato da pessoa nascer em um ambiente violento que a tornará violenta ou atrairá a violência para si, mas sim o seu padrão vibratório, que é mutável, dependendo única e exclusivamente do indivíduo, desde o começo de sua encarnação.
D - A jovem que engravida na adolescência, já tem programado em sua vida o espírito que irá renascer?
Resposta: na maioria dos casos, não estava nos planos, nem da pessoa, muito menos no da espiritualidade. São "acidentes" que acontecem, pois se numa relação sexual, seja ela qual for, for existir a fecundação de um óvulo e o útero se apresente em condições de alojá-lo, os espíritos encarregados das reencarnações aproveitarão essa oportunidade. Temos que lembrar que irão transcorrer de 7 a 72 horas entre a relação sexual e a fecundação, o que possibilitará aos mentores espirituais "providenciar" o espírito que irá reencarnar, que muitas vezes, nenhuma relação pretérita tinha com aquela adolescente que você cita. Se todas as reencarnações estão programadas, e os espíritos estão esperando por elas, é lógico concluir que todas as relações sexuais estavam programadas. E isso não é possível, seria um absurdo, o fim do livre arbítrio.
E - Deus pode determinar "a troca" de um determinado espírito que reencarnaria nestas condições (gravidez da adolescente ou do estupro) por um outro com melhores condições de aceitação e entendimento desta forma de reencarnar?
Resposta: Não entendi sua pergunta. Nunca é necessário "trocar" um espírito numa reencarnação, pois ela será naturalmente destinado a um espírito que melhor possa aproveitar essa oportunidade e que melhor oportunidade possam proporcionar aos pais. Sempre que for ocorrer a fecundação de um óvulo e que os espíritos saibam, pela análise local que ele vai nidar (vingar), os espíritos encarregados da reencarnação farão toda uma análise da situação genética, social, cultural, econômica, ambiental, etc., e trarão ao processo reencarnatório um espírito que já esteja preparado para tal, e que seja o mais adequado ao conjunto daquele caso específico. Pode ser um amigo, um inimigo, um desconhecido, mas sempre o espírito que melhor "proveito" para seus resgates, expiações, provas e missões possa tirar dessa oportunidade.
Comentário Geral: Caro amigo: Não se espante com o tipo de reação ocorrida em seu grupo de estudo. Grande parte dos espíritas são místicos com relação a reencarnação e a programação das provas e expiações, não são lógicos, não são racionais e não estudam Kardec a fundo. O livre arbítrio é inviolável, e nada, absolutamente nada, com exceção da necessidade da evolução, está programado ou pré-destinado. Leia o livro "Desmistificando o Dogma da Reencarnação", do Prof. Wladimyr Sanchez. Não abra mão de suas convicções pela pressão de irmãos que ainda não estão preparados para o Espiritismo como Kardec o queria. Tudo tem seu tempo, o dessas pessoas também ocorrerá, talvez, infelizmente, em outra encarnação. Devemos usar o que nos ensinou Kardec: usar a lógica, a razão, o bom senso. Com estudo e com Amor.
Um fraterno abraço.
Pergunta 10
Ouvi em uma mesma Sociedade Espírita duas palestras, com dois oradores diferentes, duas afirmações sobre o mesmo assunto, mas que diferem nas respostas: - um disse que se eu me caso com alguém e me separo ( por culpa do outro) em outra encarnação tenho que voltar para dar continuidade ao que tinha sido programado. O outro expositor disse que não é justo alguém que tentou de todas as maneiras fazer com que o casamento desse certo, ter que voltar em outra encarnação com alguém que se negou a ficar junto nessa.
Pergunto: Será que é justo eu ter que voltar com alguém que não me respeitou, mesmo eu tendo feito o possível para continuar? Se o casamento não teve continuidade por culpa do outro, porque eu tenho que voltar para dar continuidade a algo que eu não causei?
Resposta:
Em realidade, as provações que cada um precisa passar é decorrente única e exclusivamente de suas responsabilidades na infração das leis Divinas ou naturais.
Trabalhando em hipótese, se existe uma separação no casamento, e isso se deve única e exclusivamente a um dos cônjuges, a responsabilidade será deste, e caberá a este e apenas a este sofrer as conseqüências.
Nada é programado em nossa vida, e ninguém precisará, obrigatoriamente, retomar antigos compromissos, a não ser que esteja ligado a esse, por problemas pretéritos (Lei de Causa e Efeito). No entanto, é bom lembrar que muitas vezes nos julgamos "isentos de culpa" e isso não é verdade.
Ainda trabalhando em hipótese, se duas pessoas precisaram se unir em casamento para resolver problemas pretéritos, e uma foi a causadora de separação, apesar da outra tentar evitar isso de todas as maneiras, mas as duas não aprenderam efetivamente a amar uma a outra, o compromisso entre ambos continua a existir.
Tolerar e aceitar não é sinônimo de amar. Tentar evitar a separação não é necessariamente ter amor. Não ser o causador da separação não elimina problemas que as pessoas envolvidas tinham entre si e que precisavam ser resolvidos, e não o foram. Não sabemos quais são os compromissos passados que temos com outras pessoas e o que efetivamente temos que aprender na relação com estas.
Por isso, as questões que você coloca não são possíveis de uma conclusão diagnóstica e absoluta, por que não há como julgar e determinar "culpa", exatamente por não se conhecer o passado de ambos os envolvidos.
Além disso, numa separação dificilmente temos apenas um culpado (exceto nos casos de infidelidade conjugal unilateral). Normalmente os dois têm parcelas, mesmo que de tamanhos diferentes, de responsabilidade, até anteriores ao casamento, no namoro, no noivado, etc.
De qualquer maneira, sempre será feito justiça, ou seja, cada um sofrerá a conseqüência de seus próprios atos, nem mais, nem menos.
Espero ter ajudado.
Um fraterno abraço.
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Curitiba, 09 de abril de 2006
Carlos Augusto P. Parchen