terça-feira, 13 de outubro de 2009

O LIVRO ESPIRITA

O momento presente da civilização registra um avançado estágio de desenvolvimento tecnológico, permitindo acentuado fluxo de informações entre pessoas, organizações e nações.

Neste contexto, observa-se o crescimento do mercado editorial brasileiro, incluso o livro espírita.

Temos hoje as Bienais do Livro, confortáveis e atraentes livrarias e uma profusão de editoras espíritas, criadas no desejo sincero de nossos confrades em difundir a mensagem espírita pelos aflitos deste planeta, que não são outros senão todos nós.

No entanto, é preciso muito cuidado para não repetirmos antigos equívocos na divulgação do conteúdo consolador e libertador da doutrina que abraçamos nesta jornada.

Dizemos antigos equívocos pela certeza que entre os trabalhadores espíritas muitos registram no inconsciente, refletindo no seu caminhar evolutivo, as conseqüências do mau uso que fez do conteúdo doutrinário das religiões às quais vinculou-se anteriormente.

Para não errarmos novamente, torna-se necessário atentarmos para as palavras do Meigo Rabi, segundo o apóstolo João (1a Epístola de João 4:1): "... verificai antes se os Espíritos são de Deus...". Com isto, teremos melhores condições de verificarmos entre as obras rotuladas de espíritas, quais são passíveis de indicação.

Usamos o termo indicação por ser esta uma ação individual, ligada ao livre-arbítrio de cada um, estabelecendo-se desta forma, um mecanismo de autodefesa para o movimento espírita, haja vista que somos responsáveis diretos pelo mau uso que fazemos daquilo que nos foi repassado por Deus, inclusive a capacidade de discernir o que "...nos é lícito, mas não nos convém", conforme as prescrições do Apóstolo Paulo.

Cometeríamos grave equívoco se disséssemos difusão ou divulgação, já que estaríamos de volta ao "Index", de triste memória nos anais cristãos.

Assim sendo, neste espaço apenas pretendemos alertar aqueles que indicam uma obra espírita a terceiros, sobre a necessidade de estar ciente da coerência do seu conteúdo com os ensinamentos generosos, constantes de O Livro dos Espíritos e demais obras básicas, contribuindo, desta forma, para a manutenção da pureza doutrinária nas lides espíritas.

Maior cuidado deve ter, ainda, as sociedades espíritas na condução de suas livrarias e bibliotecas, ambas portadoras de significativo papel na difusão do conhecimento consolador e renovador do Espiritismo.

Os dirigentes espíritas devem ter em mente que, ao disponibilizar uma obra que contenha incorreções doutrinárias para venda ou empréstimo, a Casa Espírita poderá estar repassando aos interessados posturas e comportamentos que causam mais sofrimento que consolação, tendo em vista o conteúdo deficiente de determinadas publicações que enxameiam o mercado editorial espírita na atualidade.

A ansiedade pelo crescimento quantitativo do Espiritismo, com aumento de publicações, pode comprometer seu crescimento qualitativo, objetivo comum a todos que militam na Seara Espírita.

A ciência administrativa vem nos ensinar que a busca pela qualidade nas empresas e organizações, constitui-se num processo lento e cauteloso, sendo que os ajustes vão ocorrendo no tempo certo para não desestabilizar o que já foi construído com tanto sacrifício, conferindo patamar elevado de qualidade que contempla a caminhada apenas para a frente, sem retrocessos, com passos firmes e seguros.

Os Bons Espíritos, na pergunta 800 de O Livro dos Espíritos, responderam com propriedade e atualidade ao insigne Mestre Lionês que: "As idéias só pouco a pouco se modificam, conforme os indivíduos, e preciso é que algumas gerações passem, para que se apaguem totalmente os vestígios dos velhos hábitos. A transformação, pois, somente com o tempo, gradual e progressivamente, se pode operar".

Portanto, em tempos tão difíceis e singulares, que possamos valer-nos dos magníficos meios de divulgação e difusão ao nosso dispor, sem nos afastarmos das propostas legítimas do Espiritismo, comprometendo uma vez mais nossas consciências.

Que possamos, ainda, refletir acerca da qualidade editorial e pedagógica de O Livro dos Espíritos, tomando-o como referencial para a elaboração dos critérios que nos orientarão na difusão do conhecimento espírita por meio do livro espírita, seja individualmente ou no âmbito da sociedade espírita a que estejamos vinculados, atentos às conseqüências do mau emprego do livre-arbítrio.

Finalmente, reflitamos na pertinência e atualidade da observação do Apóstolo João ("... verificai antes se os Espíritos são de Deus..."), bem como do alerta do Espírito Erasto na questão 230 de O Livro dos Médiuns: " ... Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea."

O autor é Maj Cav. Atualmente cursa a Escola de Comando e Estado Maior do Exército e preside o Núcleo da Praia Vermelha (Rio de Janeiro-RJ) da CME.

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