A
ansiedade é o grande sintoma de características psicológicas que mostra
a intersecção entre o físico e psíquico, uma vez que tem claros
sintomas físicos, como taquicardia (batedeira), sudorese, tremores,
tensão muscular, aumento das secreções, aumento da motilidade
intestinal, cefaleia (dor de cabeça). Quando recorrente e intensa,
também é chamada de síndrome do pânico (crise ansiosa aguda). Toda essa
excitação acontece decorrente de uma descarga de um neurotransmissor
chamado noradrenalina, que é produzido nas suprarrenais, lócus cerúleos e
núcleo amigdaloide. [1]
A
ansiedade, quando exorbita, torna-se causa de muitas enfermidades
espirituais e decisões impulsivas, requerendo muitas vezes séculos para a
devida reparação, sim, séculos! Jesus convidou-nos a vencer a
preocupação exagerada, ou seja, a ansiedade doentia. Pronuncia o Mestre:
“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã
cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal". [2] A pessoa ansiosa,
no desejo de acelerar o que imagina ser formidável o que há de advir,
conquanto na maioria das vezes seja apenas simples capricho, atrai
também dores e desgostos sobre si mesma.
As
ansiedades crônicas desenham itinerários íngremes e jamais edificam
algo de útil na vida de alguém. De tal modo que Emmanuel adverte: “se o
homem nascesse para andar ansioso, seria dizer que veio ao mundo, não na
categoria de trabalhador em tarefa santificante, mas por desesperado
sem remissão.” [3] Uma criatura que vive entregue ao pessimismo e aos
maus pensamentos tem em volta de si uma atmosfera espiritual escura, da
qual aproximam-se Espíritos doentios. A angústia, a tristeza e a
desesperança aparecem, formando um quadro físico-psíquico deprimente,
que pode ser modificado sob a orientação dos ensinos morais de Jesus.
[4]
Ademais,
a conduta mental e espiritual de alguém, quando cultiva os sentimentos
da ansiedade, impregna o organismo físico e o SNC (sistema nervoso
central) com freqüências vibratórias infectadas que bloqueiam áreas por
onde se espalha a energia vital, abrindo campo para a instalação dos
múltiplos estados patológicos, em face da proliferação de agentes
deletérios (microorganismos de origens psíquicas) degenerativos que se
instalam. Por isso, a disciplina mental e emocional surge como
sustentáculo do edifício das lutas rotineiras sob o influxo da
resignação indispensável diante dos embates vitais ao nosso crescimento
espiritual.
Quando
experimentamos uma sensação de angústia, de ansiedade indefinível ou de
íntima satisfação, sem que lhe conheçamos a causa, não podemos
simplesmente atribuí-la unicamente a uma disposição física, pois “é
quase sempre efeito da comunicação em que inconscientemente entramos com
os Espíritos, ou da que com eles tivemos durante o sono.” [5] Nesse
caso, o processo terapêutico advém da força espiritual quando canalizada
de maneira correta sobre os alicerces da educação do pensamento e da
disciplina salutar dos hábitos. É um embate sem tréguas, porém o esforço
para levá-lo a termo construirá bases morais sólidas naquele que se
predispõe a realizá-lo.
A
ansiedade pertinaz como vimos pode ser um distúrbio associado à
ocorrência da alteração da noradrenalina. Quando sua produção ou forma
de produção se altera podendo ocasionar a ansiedade, entre outras
patologias gravíssimas, torna-se uma porta escancarada. O uso dos
fármacos pode estabelecer a harmonia química cerebral, melhorando o
humor do paciente, no entanto cuida simplesmente do efeito, pois os
medicamentos não curam a ansiedade mórbida em suas intrínsecas causas;
apenas restabelecem o trânsito das mensagens neuronais, melhorando o
funcionamento neuroquímico do SNC (sistema nervoso central). Se os
médicos são malsucedidos tratando da maior parte das moléstias, é que
tratam do corpo, sem tratarem da alma. Isso porque com Jesus os reflexos
do passado serão apenas estímulos para nos entregarmos à lida
renovadora e profícua, em prol das nossas existências porvindouras.
Sim,
Jesus nos enviou como legado um dos mais poderosos medicamentos contra o
desassossego mental-emocional: a Codificação espírita, cujos preceitos
trazem à memória humana a certeza de que, apesar dos açoites
aparentemente destruidores do destino, o homem precisa conservar-se de
pé, denodadamente, marchando firme ao encontro dos supremos objetivos da
vida, enfrentando serenamente os obstáculos como um instrumental
necessário que Deus envia às suas criaturas.
Referências bibliográficas:
[1] Disponível em http://www.ansiedade.com.br/transtornos/ansiedade/ acesso em 29/03/2016
[2] Mt. 6:34;
[3] Xavier Francisco Cândido. Pão Nosso ditado pelo Espirito Emmanuel , cap. 8, RJ: Ed. FEB, 1999
[4] Kardec, Allan. Revista Espírita de maio de 1867, RJ: Ed FEB, 2000
[5] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 471, RJ: Ed. FEB, 1972
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