Ao observar os processos
de qualquer empresa, seja ela pública ou privada, e em qualquer
segmento, constata-se que os erros a atrapalhar todas as operações e
causar constrangimentos com clientes e prejuízos de toda ordem ocorrem
porque em alguma etapa da operação o tal do "óbvio" não foi feito.
É
óbvio que, para o cliente, ao não receber uma mercadoria a ele enviada,
a nota fiscal e seu respectivo boleto devem ser cancelados, caso
contrário o cliente será cobrado por uma mercadoria que não adquiriu.
É
óbvio que, se um professor lançar a nota errada do aluno, deverá fazer a
correção o mais rápido possível, caso contrário o boletim do discente
sairá com nota errada.
É óbvio que, se eu dirigir o carro de
minha empresa de forma indisciplinada, poderei causar um sério acidente
ou levar uma multa de trânsito.
O mesmo se dá nos relacionamentos humanos que, não raro, azedam porque faltou a observação do “óbvio” por um dos envolvidos.
É o amigo que se esquece de dar os parabéns...
O cônjuge que não se recorda da data de casamento...
O filho que deixa de telefonar aos pais em datas especiais...
As lembranças seriam óbvias em se tratando de pessoas que amamos e estimamos, mas...
Sejamos sinceros: O óbvio parece ser a parte mais complicada de se realizar, porquanto comumente é ignorado.
Entretanto,
já que falamos tanto de óbvio, vejamos como o dicionário define esta
palavra: Que está diante dos olhos; que salta à vista; manifesto, claro,
patente.
Interessante definição, porém, com observação um pouco
mais acurada dos processos e da própria condição de seres humanos em
construção, cai por terra, porque nem sempre o que está diante de seus
olhos está diante do meu.
Nem sempre o que para você é elementar o é para mim, e, também, nem sempre o que para mim é fundamental o é para você.
E
por quê? Porque somos seres diferentes e com isso enxergamos a vida e
as situações que a compõem de forma completamente distinta da que outras
pessoas enxergam.
Criados por Deus simples e ignorantes, estamos, à custa de tropeços, quedas e arribadas, aprendendo a lidar com o óbvio.
Impossível, portanto, falar que o óbvio para um é o mesmo óbvio para todas as criaturas.
Ilustrativa
a história da esposa que, gostando de comer o miolo do pão, não o fazia
para dar ao marido. Na concepção dela era óbvio que o marido gostava do
miolo. Eis que um dia, já cansada de tanto comer casca de pão,
rebela-se e decide comer o miolo, deixando a “parte grotesca” para o
cônjuge. O esposo diz então: Meu bem, que linda prova de amor! Obrigado,
você deixou de comer a casca do pão para dá-la a mim, e por isso estou
muito feliz. Por 25 anos sempre quis comer a casca do pão, mas, para
mim, era óbvio que é da casca que você gosta.
Pois é... Cada um com o seu "óbvio".
Você
provavelmente deve estar se perguntando: Ora, se você afirma que o
óbvio não é tão óbvio assim, porque depende da condição de cada criatura
enxergar mais ou menos as situações da vida, como, então, melhorar
processos em empresas ou mesmo o relacionamento humano a fim de atingir
excelência?
Simples. Esses enganos e desenganos, que surgem e
ressurgem por conta de não nos atentarmos que o óbvio para nós não o é
para o outro, podem ser sanados com comunicação.
Basta iniciar
nas empresas, no recinto religioso ou no lar um processo de compreensão
de que é preciso comunicar-se de forma eficaz e clara, sem querer
adivinhar ou pensar pelo outro... Sem considerar que o meu óbvio é o
mesmo que o seu.
Portanto, fundamental falar abertamente o que se
espera e o que se quer, não deixando nada subentendido para que as
pessoas “pesquem”.
Seja, pois, claro em suas atitudes, fale com
firmeza com sua equipe, seu esposo, seus filhos, e deixe transparente o
que você quer e espera deles, porque, sejamos sinceros:
É óbvio que o óbvio não existe.
Wellington Balbo
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