Discípulo: O que me entrava que não consigo chegar a Deus?
Mestre: Vc mesmo; a sua vontade, a sua visão, audição, desejo e
pensamento (que, portanto, devem cessar e só cessam pela prática da
meditação) sobre as coisas terrenas... são essas coisas q trazem sua
visão, audição etc. ao nível terreno de tal forma que você não consegue
atingir esse objetivo maior...
Há que caminhar pelo
caminho mais difícil (a porta estreita e o caminho pedregoso, o esforço
da busca, os julgamentos equivocados q dos demais lhe virão), tomar o
que o mundo rejeita, e não fazer o que o mundo faz... então, terá
encontrado o caminho mais próximo para isso... pois (como disse Paulo), o
caminho para o amor de Deus parece tolo para este mundo, mas é
sabedoria para os filhos de Deus.’ (a sabedoria dada pelo percebimento).
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‘... Docemente cresceu e se espalhou em
torno de mim a paz e o conhecimento além de todo o argumento da terra
(sabedoria além de todo conhecimento terreno), e eu sei que a mão de
Deus é a promessa da minha (é o que a minha será pelo percebimento), e
sei que o espírito de Deus é irmão do meu e que todos os homens já
nascidos são meus irmãos (todos somos um)... e que a criação sobrevive
graças ao amor... (Whitman).
‘De repente, me senti cheio
de paz, alegria e conhecimento, transcendendo (indo além de) toda a arte
e sabedoria da terra e percebi que somos todos da mesma natureza de
Deus (Whitman).
‘Na verdade eu diria que apenas na perfeita
incontaminação e solidão da individualidade (a mente não contaminada,
só, livre dos sentidos, dos desejos, lembranças, esperanças e
pensamentos), pode surgir, positivamente, a espiritualidade da religião
(que, antes, era mais por costume ou desejo de respostas). Somente aqui,
e nessas condições, pode acontecer a meditação, o êxtase devoto, o vôo
elevado (consciência una). Somente aqui, a comunicação com os mistérios
(encontro de todas as respostas), os problemas eternos: de onde? para
onde?
‘Sozinho, o pensamento silencioso (apagado, cessado)
e a aspiração (o desejo de chegar) e, então, a consciência interior (o
Eu Sou), com sua inscrição prévia invisível (o Cristo, que desde sempre
está ali, mas não percebido, ‘invisível’ para nós), em tinta mágica (não
o víamos e agora passamos a ver), irradia suas linhas maravilhosas para
os sentidos (mostra-se e o percebemos)... e todas as afirmações,
igrejas e sermões, desaparecem como vapores (tudo que antes conhecíamos
não tem mais valor ante a grandeza do percebimento) (Whitman).
‘As bíblias podem afirmá-lo e os clérigos expô-lo, mas é
exclusivamente mediante o trabalho do eu isolado (ninguém chega à
verdade pelos trabalhos da religião, através de suas práticas, mas pelo
exercício da meditação, sozinho) que se entra no puro éter da veneração,
que se alcança os níveis divinos, que se comunga com o supremo (a
percepção da verdade do que somos)... Tu, Tu, enfim, conheço!’
(Whitman).
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‘... visto à luz do Cristo
interior (isto é, sob o ponto de vista de um iluminado), tudo é
perfeito, inclusive aquilo que, visto fora dessa luz, parece
imperfeito...’ (Dante); (‘... do perfeito tirando o perfeito, o que
resta é perfeito... ’, de um cântico do bramanismo; isto é, tudo é
perfeito, embora não o compreendamos; só os iluminados compreendem)’.
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