segunda-feira, 28 de julho de 2014

O ESQUECIMENTO DO PASSADO

Conversando com o Escritor Espírita Ricardo Simonetti, perguntei-lhe:
     1. Se reencarnamos para ressarcir dívidas, não seria interessante guardar a lembrança delas? Não haveria maior facilidade em aceitar sofrimentos e dissabores que ensejam o resgate?
Respondeu-me que o objetivo primordial da existência humana é a evolução. O resgate de dívidas é apenas parte do processo.  Quanto ao esquecimento, funciona em nosso benefício. Seria impossível incorporar, sem o perturbador embaralhamento, o rico, o pobre, o negro, o índio, o branco, o amarelo, o analfabeto, o letrado e tudo mais que já fomos em múltiplas encarnações.
      2. Se não lembramos o que fomos e que fizemos de que nos adianta?
 Respondeu-me que guardamos a experiência. O adulto não se lembra de seus primeiros passos, na infância, mas conserva a capacidade de andar.
      3. Há alguma causa física para o esquecimento?
 Sim. O Espírito reencarnado registra clara e conscientemente apenas o que passa pelos cinco sentidos: tato, paladar, olfato, audição e visão. Essa & eacute; uma das razões pelas quais também não lembramos das experiências no mundo espiritual durante as horas de sono.
      4.As vivências anteriores ficam perdidas?
Nada se perde. Ficam resguardadas nos arquivos do inconsciente, que se localiza na intimidade do Espírito, o ser imortal. É esse substrato das experiências  pretéritas que compõe a personalidade do indivíduo, com suas  características, tendências e aptidões. Em determinadas circunstâncias, naturalmente ou sob indução hipnótica, esses arquivos se abrem e surgem as reminiscências.
      5. Fala-se que o principal objetivo do esquecimento é possibilitar a reconciliação de desafetos do passado, reunidos pelos laços da consangüinidade no lar. Seria isso?
 Pode acontecer, mas seria exagero generalizar. É mais freqüente nos ligarmos a Espíritos simpáticos, a fim de consolidarmos afeições e nos ajudarmos mutuamente nos caminhos da vida.
      6. Por que, então, há tantos conflitos e desentendimentos nos lares? Não seria lógico imaginar que estamos diante de adversários em confronto?
 O objetivo das experiências junto a desafetos do pretérito, quando ocorram, não é a dissensão, mas a pacificação. Deus não nos une pela consangüinidade para vivermos às turras. Desentendimentos no lar relacionam-se muito mais com a falta de compreensão, respeito e tolerância que  caracteriza o ser humano, orientado pelo egoísmo. Falando o português claro: o problema é a falta de educação.
      Ante ao exposto percebemos que o Espírito é eterno acumulando as várias experiências pelas reencarnações sucessivas.  Ele é o resultado do que foi ontem. O hoje modela a vida futura. Portanto, com a renovação moral e a Caridade entendemos que o nosso futuro será mais feliz. Façamos isto!
 João Cabral – Presidente da ADE-SERGIPE.
 Website:   www.ade-sergipe.com.br

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