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sexta-feira, 2 de maio de 2014
O COMPORTAMENTO NO CENTRO ESPÍRITA
Você
já reparou que no centro espírita nosso comportamento é diferente? Às
vezes nos comportamos como verdadeiros beatos, às vezes parecemos
humildes como São Francisco, mas sempre de maneira inegavelmente mais
fraterna que o normal. Isso é bom, não há dúvida. Só que é difícil achar
o ponto certo. Em busca de novas diretrizes para nosso relacionamento
com nossos semelhantes (fora questões ligadas diretamente ao corpo, como
a saúde, existe algum problema que não envolva o semelhante?), nos
mostramos muito diferentes do que somos na verdade. O ambiente nos eleva
naturalmente, fazendo com que lá dentro tenhamos momentaneamente outra
compreensão dos problemas que nos afligem. Somos gentis, pacientes,
educados. Damas e cavalheiros perfilados em busca de um mesmo objetivo.
Claro que há as exceções de praxe, gente que não consegue se controlar
um minuto sem falar mal de alguém, fazer uma fofoquinha básica ou se
queixar de suas incontáveis doenças e mágoas. Mal saímos do centro
espírita, fora da barreira energética protetora, voltamos a ser o que
somos cotidianamente, e não é raro xingarmos alguém, mesmo que em
pensamento, antes de dobrar a primeira esquina. Faz tempo que não faço
isso, mas já fiz. Vai dizer que você nunca fez? Ainda bem que pelo menos
lá dentro conseguimos nos controlar e sermos mais humanos e menos
animais, mais espirituais e menos carnais. Se buscamos tão ansiosamente a
reforma íntima, em algum lugar ela deve começar, em algum momento temos
que iniciar o treinamento, e se tiver que ser lá dentro, tudo bem. No
centro espírita as pessoas estudam, ouvem e sentem coisas mais elevadas,
verdades mais puras que a realidade material em que nos afundamos lá
fora. Lá dentro aprendemos a desenvolver o espírito crítico sem
necessariamente promover julgamentos, amar sem apego, respeitar pessoas e
situações que em outras circunstâncias não toleraríamos. Devemos ter
sempre em mente que a reforma íntima não é apenas um apelo doutrinário
de conotação religiosa. Mais do que isso, e em primeiro lugar, a reforma
íntima é uma proposta científica baseada na lei de ação e reação. O
problema (sempre há um, é o que nos faz progredir) é que podemos nos
acostumar com esse comportamento dúbio, essa modalidade de dupla
personalidade. Paz e amor no centro espírita, carranca e má-vontade na
rua. Somos o que pensamos, e o que pensamos forma nossos hábitos. Quase
tudo o que fazemos pertence a algum hábito que adquirimos. Se esse modo
de agir no centro espírita permanece por muito tempo só lá dentro, sem
que interiorizemos nada, sem que passemos a praticar no dia-a-dia algo
próximo do que praticamos lá dentro, corremos o risco de que nosso
subconsciente aprenda que lá dentro devemos ser diferentes; o resto que
continue igual. Sabemos que nossa mente subconsciente não questiona,
apenas obedece ao que lhe é ordenado. Quem racionaliza e decide é nossa
mente consciente, ela é a senhora da vontade. Se você não muda seu modo
de ser no cotidiano, se você é apenas um beato de centro espírita, isso
se torna um hábito. E sua mente subconsciente, que nada pergunta, apenas
cumpre o que lhe dizem para cumprir, entende que esse hábito é um
padrão a ser seguido; que, se é assim que vem sendo, é assim que deve
funcionar, e a partir do momento em que sua mente subconsciente toma
isso como verdade, fica muito difícil tentar mudar a prática, pois esta
já se tornou quase que uma crença interiorizada, e você passa a
acreditar que é assim mesmo, sempre foi assim, deve ser assim. Seja cada
vez melhor no centro espírita, esforce-se para aprender, para
melhorar-se intimamente. Mas esforce-se, mais ainda, para levar para
fora dos portões do centro espírita algo do que aprendeu. Para levar
consigo, dentro de si, pelo menos um pouco do que sente quando está lá
dentro. Tenha coragem de compartilhar o que vive lá dentro, esse você
que você é lá dentro. Não enchendo os ouvidos dos outros de sermão, não
perdigotando água fluida na cara do próximo, mas mostrando pelo exemplo,
pelas atitudes. Tente, tudo que você tenta com afinco você consegue.
Batei e abrir-se-vos-á, lembra? – Morel Felipe Wilkon
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