As passagens da “Bíblia”,
ou “Livro da Lei”, ou “Livro Sagrado”, ou ainda, do ‘”Velho ou Antigo
Testamento”, como é chamado esse conjunto de registros que traz em seu
conteúdo fatos e relatos históricos e religiosos, é considerado, também,
como a “Bíblia Hebraica”.
São citações que encerram um período
considerado por grande parte da humanidade como o início da civilização
humana na Terra, suas lutas, comportamentos, leis, domínios e servidões.
Portanto, os assuntos relatados no Velho Testamento não se enquadram, a
nosso ver, com os postulados apregoados na implantação da Era Cristã,
iniciada a partir do nascimento de Jesus, âncora e balizamento desse
advento, o Cristianismo.
Em 1681 foi feita a primeira tradução
da Bíblia para a língua portuguesa, cujo feito se deve ao escritor e
padre português João Ferreira de Almeida, que posteriormente declinou da
fé católica em favor do Calvinismo.
Convém lembrar que a festa
da Páscoa é um acontecimento que, para os espíritas, não tem sentido
religioso. Porém, para o povo judeu que segue as tradições do Velho
Testamento, com justa razão, essa passagem faz sentido. Os judeus
respeitam os cinco primeiros livros, que são considerados como escritos
por Moisés. Esses livros são, pela ordem: Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números e Deuteronômio. Os demais livros não são levados em conta por
muitos deles.
É nesse tempo, em Êxodo, Capítulo 23, versículos
de 14 a 19, que se celebram três festas que são cobradas pelo povo,
dentre elas, a Páscoa.
A Páscoa (Pesach) foi instituída, então,
nesse período da história para festejar a liberdade da escravidão a que
esse povo estava submetido, quando nos domínios do Egito, fato ocorrido
no mês de abril.
Quando Jesus esteve na Terra, afirmou
vivamente que “não mudaria a Lei”. Se assim afirmou, foi em razão das
transformações drásticas que introduziu no entendimento religioso, as
quais deveriam estar provocando protestos e descontentamento no âmbito
das sinagogas, em razão dos conflitos entre as novas orientações e os
centenários textos hebreus.
Ora, se Jesus disse que “não mudaria
a Lei”, mas todas as leis da disciplina social e religiosa existentes
foram mudadas, importa que Ele não estivesse se referindo às leis
terrenas, mas, sim, às Leis Divinas, eternas e imutáveis. Assim
considerando, qualquer tentativa de associar fatos ou doutrinas
inscritas no Velho Testamento não poderá ser acolhida como natural,
justamente em razão da transformação radical apresentada. Da penosa Lei
de Talião, onde prevalecia o olho por olho e dente por dente, Jesus
pregou o amor incondicional ao próximo, ensinando que devia oferecer a
face direita aquele que recebesse agressão na esquerda. Dos Dez
Mandamentos constantes do Livro Êxodo, Jesus restringiu-os em apenas
dois, dizendo ainda que nesses dois estariam incluídos toda a lei e os
profetas.
Para os cristãos, e não estamos excluídos, pois somos
cristãos-espíritas, além de não dizer respeito aos ensinos de Jesus, a
data pode ser considerada como uma oportunidade e pretexto para que se
consumasse a traição ao Mestre Divino, quando foi preso, humilhado,
martirizado e, por fim, crucificado, pela vontade popular que assim
preferiu em benefício de um homicida que a história registrou como sendo
‘Barrabás’. Com esse gesto dos judeus de permitir o sacrifício de quem
trouxe a Boa Nova ao mundo, entendemos que a maioria decide sempre, como
foi decidido, mas nem sempre vence, pois a vitória está na razão de
alcançar o triunfo com êxito brilhante em qualquer campo de ação. E não
foi o que houve. Vladimir Polízio
fonte: http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/a-pascoa-50250/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+forumespirita+%28Forum+Espirita+email+news+100+topicos%29#.U1LRdFfpJB4
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