sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Por que fazemos tantas orações e pedidos?

Amigos, em estudo recente, os amigos Edna e Kazaoka colocaram o que vai abaixo.
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      Kazaoka: "Amar o próximo como a si mesmo é Lei que se obedecida, nos dará felicidade..."

      E Edna, uma oração: “Dai-nos, Senhor, a força de eliminarmos, de nosso íntimo, todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Que possamos estar sempre inteiramente limpos de qualquer tipo de imperfeição...”
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      Conf: Meus amigos, dentro do conselho da DE, de ter uma “fé raciocinada”, quem se aventura a raciocinar e responder:

      - primeiro: Se amar o próximo nos leva à felicidade, e se possuímos o livre-arbítrio que, conforme a doutrina, nos dá a liberdade de escolher amá-lo ou não amá-lo, qual é a causa de tantas vezes escolhermos o “não amá-lo”?!  Estamos, então, escolhendo fugir da felicidade? Estamos, conscientemente, escolhendo ser infelizes?!

      - segundo: mas, o livre-arbítrio permite mesmo escolher entre amar ou não amar alguém ou alguma coisa? O amor é suscetível de ser influenciado pelo livre-arbítrio, de atender a desejo noss? O amar ou não amar é decisão nossa? Podemos amar ou não amar de conformidade com nossa vontade?

      É mais do que evidente que não! Amor é sentimento, como o ódio é sentimento, e sentimentos estão além de nosso poder de os controlarmos. Do mesmo modo que o amor, também o ódio surge em nós, independentemente de nosso querer e, portanto, não somos responsáveis nem por amar e nem por odiar! Afinal, absolutamente ninguém tem a capacidade de manipular qualquer sentimento que seja, de colocá-lo em si, ou de extirpá-lo de si, nem de modificá-lo do modo que desejar!

      Assim o egoísta, o orgulhoso, o perverso, o pervertido, o ciumento, o mentiroso, o invejoso, como conseguirão transformar esses sentimentos que têm em sua natureza? Como farão eles para possuir as características opostas a essas? Para serem solidários, humildes, bondosos, verdadeiros, sem inveja, sem ciúme? É possível fazer isso? É evidente que não!

      Quando muito (vejam, quando muito!) e se tiver muita força de vontade (que também não depende de nós o tê-la muita ou pouca, ou simplesmente tê-la) poderá controlar a manifestação exterior desses defeitos morais. Mas, controlar a manifestação exterior não significa que seu interior mudou para melhor, que seu íntimo se reformou.

      E quem se aventura a responder esta outra pergunta: - qual é a causa que nos obriga a sempre estarmos orando e pedindo a Deus que nos ajude a ter amor no coração, a sufocar os sentimentos e desejos inconfessáveis, o ódio, a limpar as impurezas que estão em nós, a conquistar a felicidade, tão desejada por todos?

      Sem dúvida, esses pedidos a Deus, provam e mostram, de modo claro como a luz do sol do meio-dia, que, por nós mesmos, por nossa vontade, por nossa escolha, somos totalmente incapazes de fazer essa limpeza, ou de colocar qualquer espécie de virtude em nossos coração.

      Significa que estamos à mercê de todas essas incapacidades que a vida (a vida, e não nós!) colocou em nosso íntimo; que, por nós mesmos, somos incapazes de agir de acordo com o bem, e, por isso, tantas vezes agimos de acordo com o mal.

      E os amigos já se perguntaram qual é a causa de as coisas serem assim? Qual é a causa dessa nossa absoluta incapacidade? Qual é a causa de, mesmo possuindo, como ensinam as doutrinas cristãs, a liberdade de escolher, não conseguimos escolher o que é o correto fazer e tantas vezes escolhemos fazer o que é incorreto?

      Todos sabem, ou virão a saber, que a causa única de todos esses nossos problemas, de todos os sofrimentos que causamos aos demais e, afinal, a nós mesmos, vem da ausência de amor em nosso coração. E ter amor e poder dá-lo aos demais é o de que mais necessita a humanidade. A vida, sem que exista amor, será mais caótica e sofrida do que já é.

      Sendo assim, os amigos percebem qual é a causa de estarmos sempre orando, sempre pedindo alguma coisa a Deus, ou a Jesus, ou a espíritos amigos? A causa de tudo isso é que não temos Amor que é imprescindível para uma vida melhor em coletividade, pois sem amor sempre haverá sofrimentos!

      Então, qual é a causa de, nós mesmos, não fazermos o trabalho e pedirmos a Deus que o faça por nós? De procurar saber como limpar o coração de suas sujeiras acumuladas por tantos anos e anos ou, como diz a doutrina, por tantas e tantas existências? Se não sabemos como fazer essa busca, qual é a causa de não procurarmos  saber como fazê-la? Existe quem nos ensine; nosso trabalho é, em vez de pedir e pedir, orar e orar, procurar, nós mesmos encontrá-lo!

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“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: “Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?"
Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.
O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a
censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.
Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma".

                                                                                        Santo Agostinho


                                                    O Livro dos Espíritos

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