
O
Espiritismo sem humildade é água poluída, cheia dos germes da
pretensão, da vaidade, do orgulho que atraem os espíritos inferiores. Um
presidente de Centro não é Presidente da República e um doutrinador não
é um sábio.
Pelo contrário, são criaturas necessitadas, que estão aprendendo a arte
difícil de servir e não a de baixar decretos, dar ordens e humilhar os
outros em públicos. Sem humildade, que gera e sustenta o amor ao
próximo, nem o estudo pode dar frutos. Por outro lado, sem estudo os
frutos da humildade não produzem amor, mas fingimento, hipocrisia de
maneira e fala melosa, de voz impostada para imitar anjos.
O Espiritismo é natural e exige naturalidade dos que pretende vivê-lo no
dia-a-dia, em relação natural e simples com o próximo. Os maneirismo,
as modulações artificiais da voz, os excessos de gentileza mundana e
tudo quanto representa artifício de refinamento social, deformando a
natureza humana a pretexto de aprimorá-la, não encontraram aceitação nos
meios verdadeiramente espíritas. Algumas instituições começaram a
adotar, há alguns anos, treinamento de voz e de gesticulação para jovens
espíritas. Alguns Centros aderiram e essas encenações, estimulados por
mensagens espirituais que aconselham brandura e bondade no trato com a
semelhantes. Espíritos ainda apegados aos formalismos religiosos do
passado chegaram a recomendar modismos nesse sentido. Nem Jesus nem
Kardec se utilizaram nem recomendaram essas imitações da hipocrisia
farisaica. O que o Espiritismo objetiva é a transformação interior das
criaturas, para que se tornam mais esclarecidas e com isso, dotadas de
mente mais arejada e coração mais puro. No Centro Espírita devemos
manter a mais plena naturalidade de comportamento, dentro das normas
naturais do respeito humano.
Trecho extraído do Livro O Centro Espírita - Professor Herculano Pires.
Texto do livro e comentado por Luciano Dudu
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