sexta-feira, 14 de junho de 2013

Humanização e religiosidade na promoção de ações em saúde

Este tema - Saúde e Religião - por muito tempo tem sido levantado, tomando seus elementos como contraditórios no âmbito das ações do cuidado, como se o cuidado técnico excluísse a dimensão da religiosidade nas possibilidades de atuação dos profissionais de saúde.

Podemos ter reflexões acerca da relação entre Humanização e Religiosidade nas ações realizadas no campo da saúde, demonstrando que Saúde e Religião são aspectos consoantes às ações de cuidado, destruindo a necessidade de polarizar, dicotomizar, fazer discurso humanizador por incluir as crenças dos sujeitos, pacientes e cuidadores em uma relação menos técnica e mais humana.

Não é surpresa o quanto o tema religiosidade circula entre ao pacientes. É comum ouvi-los falar das suas compreensões a respeito dos motivos da doença: "É uma prova que Deus preparou para testar minha fé", ou “tenho que passar por isso, já que é a vontade de Deus”. Além do tratamento médico convencional, o paciente costuma recorrer à prática religiosa, entendendo que estas também podem promover a sua cura. Rezam, oram, fazem promessas, novenas, e o fato de adoecerem faz com que muitos recorram ao seu universo sociocultural, ao seu mundo de crenças, valores e práticas para construir sentidos, significados e formas de lidar com a sua aflição.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define “saúde” enquanto "[...] bem-estar biopsicossocial-espiritual [...]" (1948). Muitos procuram não viver o sofrimento físico dos pacientes e buscam enfrentar o desafio do cuidado com a solidão, isolamento e com a angústia e os anseios que dele advêm. É necessário ver para crer, mas também crer para ver, ser receptivo nas possibilidades que a ciência ainda não abarcou. 

Para favorecer uma relação de confiança, precisa haver o conhecimento das crenças envolvidas e a relação de crença dos profissionais e dos pacientes. Os profissionais tendem a ser lógicos, estatísticos e rígidos, com menos esperança, e a atribuição da enfermagem, como fazer medicações e atender às necessidades do corpo. A diferença está na prática, na maneira pela qual executam as suas funções. Podem usar de carinho e paciência com os doentes, familiares e a equipe. Podem encarar a vida e a morte como uma experiência que ajuda a crescer e a amadurecer, favorecendo a atuação mais humanizada, menos mecânica e técnica, ou ceder à necessidade de isolamento emocional e executar um cuidado burocrático, frio, entendendo que a prática do cuidado se limita ao físico. O enfermeiro passa a concentrar a atenção cada vez mais em equipamentos, em pressão sanguínea, como forma desesperada de rejeitar a morte iminente, eximindo-se de cuidar do paciente como um todo emocional, social e espiritual. 

Na verdade, são duas categorias profissionais fundamentais no processo terapêutico, considerando que a atenção em saúde deva ser integral e incluir, também, e, principalmente, o saber, a opinião e as considerações do próprio paciente e de sua família, se o paciente considera importante pedir uma bênção, um passe, uma oração ou qualquer outra intervenção de acordo com a tradição religiosa seguida por ele. 

A cura não é obra de coincidência ou emissão espontânea. Cura é um ato criador, que exige todo esforço e toda a dedicação que as outras formas de criatividade reclamam (SIEGEL, 2001, p. 59). Será que não estamos passando por meras máquinas durante o processo do cuidar, deixando de lado um mínimo de necessidades humanas básicas? Isso independe da idade, sexo, cultura, escolaridade e fatores socioeconômicos. A fé é uma necessidade de apoio e uma força "suprema". Cabe deixar bem claro que o enfermeiro é um profissional com formação técnica, e, no exercício de sua função, ele não pode atuar como religioso, tendo o discernimento de não fazer pregações e apologias religiosas, porém, devem valorizar as manifestações de religiosidade, compreender que este é um fenômeno intrínseco à condição humana, e utilizar este fato como uma das ferramentas úteis para o sucesso do tratamento.



                 Márcio Borssato

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