sábado, 3 de março de 2012

SOLIDÃO

"O presidente, porém, disse: - mas, que mal fez ele? 
E eles mais clamavam, dizendo: - seja crucificado." 

                        (Mateus, 27:23)
             À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível. 
            

            Onde se encontram os que sorriram contigo no parque da primeira mocidade? Onde pousam os corações que te buscavam o aconchego nas horas de fantasia? Onde se acolhem quantos te partilhavam o pão e o sonho, nas aventuras ridentes do início? 

             Certo, ficaram... 
             Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contato da menor chama de luz que se lhes descortine à frente. 

             Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio... 

             Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido... 

             Tua voz grita sem eco e teu anseio se alonga em vão. 

             Entretanto, se realmente sobes, que ouvidos te poderiam escutar a grande distância e que coração faminto de calor do vale se abalançaria a entender, de pronto, os teus ideais de altura? 

             Choras, indagas e sofres... 

             Contudo, que espécie de renascimento não será doloroso? 

             A ave, para libertar-se, destrói o berço da casaca em que se formou, e a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida. 

             A solidão com serviço aos semelhantes gera a grandeza. 

             A rocha que sustenta a planícia costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho. 

             Não te canses de aprender a ciência da elevação. 

             Lembra-te do Senhor, que escalou o Calvário, de cruz aos ombros feridos. Ninguém o seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça. 

             Recorda-te dele e segue... 

             Não relaciones os bens que já espalhaste. 

             Confia no Infinito Bem que te aguarda. 

             Não esperes pelos outros, na marcha de sacrifício e engrandecimento. E não olvides que, pelo ministério da redenção que exerceu para todas as criaturas, o Divino Amigo dos Homens não somente viveu, lutou e sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado.
Emmanuel
extraído do livro "Fonte Viva"-Ítem 101 - Francisco Cândido Xavier

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