sábado, 3 de dezembro de 2011

PRIMITIVISMO RELIGIOSO


 
     Não adianta pensar que os espíritos resolvem tudo, porque não resolvem. Não temos resposta para todas as perguntas, nem sequer sabemos solucionar os problemas que vocês mesmos originaram. O máximo que podemos fazer é direcionar meus filhos, mas isso não exime cada um de caminhar com as próprias pernas, com os próprios pés. É vivendo e desenvolvendo uma ação construtiva e ética diante da vida que meus filhos se sentirão ao abrigo de forças inferiores. Rezas fortes nem banhos, ebós nem sacudimentos conduzirão ao objetivo desejado se meus filhos não aprenderem a viver intensamente e com profundo respeito a espiritualidade e os conceitos de defesa psíquica.
(...)
“– Com o tempo, meus fihos – continuou o espírito milenar que se apresentava na roupagem fluídica de pai-velho –, os homens se libertarão da dependência de muletas psíquicas. Muita gente tem imensa boa vontade em sua expressão de religiosidade, mas ainda se conserva prisioneira de expressões e convicções primárias e dispensáveis no caminho da espiritualidade. Enquanto não atingem um estado de independência espiritual, reclamam elementos mais ou menos educativos, que funcionam como alavancas em sua caminhada evolutiva. Muita gente deixa de estudar e experimentar vivências superiores, libertando-se de crendices, para ficar cativa de suposições pessoais cegas, as quais carecem de comprovação. Outros indivíduos, alguns dotados mesmo de vontade firme, encontram-se presos a crenças impostas por pseudo-sábios e mestres que mantêm fascinada a multidão. Até em certas expressões religiosas louváveis encontramos pessoas prisioneiras dos efeitos quase hipnóticos de cânticos, danças e rituais esdrúxulos, que se apoiam na característica sugestionável de pessoas inseguras ou imaturas para uma vivência espiritual mais ampla.

“Mesmo sabendo disso, nós, os espíritos comprometidos com a libertação desse cativeiro da alma, utilizamos alguns poucos recursos pedagócios que tenham significado para certas comunidades religiosas, a fim de conduzir o maior número de pessoas a livrar-se de expressões primárias de espiritualidade. Ainda não há como dispensar simbologias e um ou outro elemento que tenha representatividade para os encarnados. No entanto, aos poucos, vamos conduzindo meus filhos para a compreensão maior das leis da vida, na esperança de que, em breve, possam abdicar dos atavismos milenares que impedem voos mais altos nos céus da vida espiritual.”           
 
Livro:  Corpo Fechado
            Robson Pinheiro, pelos Espíritos W. Voltz e Ângelo Inácio
            Casa dos Espíritos Editora
fonte: Carlos Eduardo Cennerelli < ce.cennerelli@terra.com.br >

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