quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O espantalho

O astuto comandante de entidades das trevas reuniu a pequena expedição de companheiros que voltavam da esfera física, onde haviam ido em combate aos espíritas, e lhes tomava contas.


- Eu, dizia um dos perseguidores, sarcasticos, torturei a cabeça de fervoroso pregador de Kardec, impedindo-lhe o acesso à tribuna por mais de dois meses.
- Ótimo! - falou o chefe - entretanto, isso terá trazido muitos benfeitores ao socorro preciso.
- Eu, - chacoteou um deles -consegui provocar a queda de uma criança anulando o concurso de operosa médium passista por duas semanas.

- Excelente! _ concordou o diretor das sombras _más não resolve porque muita gente do plano superior terá vindo...

Outros relacionaram atividades inferiores diversas sem que o mentor cruel demonstrasse encantamento maior.

Um deles informou, porém:

- Eu encontrei um grupo de espíritas convictos e devotados, mas passei a frequentar o pensamento, dizendo-lhes que eles eram imperfeitos, imperfeitos e imperfeitos, até que todos acreditaram não valer mesmo nada... Então aí todos cruzaram os braços e começaram a dormir em abatimento e desânimo.

O tenebroso dirigente deu enorme gargalhada e recomendou a turma sombria a levantar, com urgência, em cada sementaeira do Espiritismo, o espantalho da imperfeição...


Hilário Silva.



(Do livro "Ideal Espírita", psicografia de Francisco Cândido Xavier, Comunhão Espírita Cristã, 2005)


fonte:Carlos Eduardo Cennerelli

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