quinta-feira, 26 de agosto de 2010

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE - O DESAFIO PARA O TERCEIRO MILÊNIO

A Fé e o Ser Humano
Lúcia Helena Oliveira, em um editorial da Revista Saúde/set-2001, diz : " Cada vez mais estudos apontam um elo entre acreditar em Deus e conquistar a saúde. A relação é estatisticamente inegável até para os céticos. Agora os pesquisadores buscam operar o milagre de decifra-la."
Tendo como base o senso comum, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, nas Universidades de Lowa, Duke e Stanford foram tabulados dados de 42 pesquisas científicas sobre medicina e espiritualidade, acompanhando informações sobre a saúde e o comportamento de 125.826 cidadãos. Os resultados segundo L. Oliveira foram os seguintes : " Vive 29% mais quem vai à missa ou à sinagoga regularmente ou, ainda, freqüenta o templo budista, a mesquita ou Sociedades Espíritas. A religião, para os cientistas, não importa. O diferencial é praticá-la, acreditando em um ser supremo bom e protetor."
Na Revista saúde, em uma matéria sobre espiritualidade, assinada por Alexandre Praça, descreve estudo realizado pela Universidade de Louisiana, nos Estados Unidos, com 1.261 adolescentes e concluiu que nesta fase de dificuldades de aceitação, os jovens religiosos praticantes, tinham uma melhor aceitação de si mesmos (Praça, 2001). Ainda o mesmo estudo afirma que, os resultados revelam que a maioria dos entrevistados que possuíam boa aceitação de sua imagem, participavam de movimentos religiosos. A explicação segundo Praça é que : " De acordo com os especialistas, a explicação para o fenômeno pode estar nos valores positivos transmitidos pela Religião. A convivência com os amigos e a família, incentivada por grupos religiosos, é importante para aliviar os conflitos comuns dessa idade, confirma a psicóloga Eliana Aversa Lopes, da Universidade Federal de São Paulo."
Foi obtido da 108ª Convenção Anual da Associação Psicológica Americana, realizada em Washington, de 04 a 08 de agosto de 2000 ( http://www.emedix.com.br/not2000/00ago07apa-rfa-religiao.shtml ), Tema : Fé Religiosa e Espiritualidade ( FRE ) na Recuperação de Viciados, um estudo indicando que níveis elevados de fé religiosa e espiritualidade estão associados a vários resultados positivos da saúde mental de pessoas que estão se recuperando do abuso de substâncias, incluindo-se mais otimismo sobre a vida e maior maleabilidade com relação ao estresse, o que pode contribuir para o processo de recuperação. Essa pesquisa envolveu 236 pessoas que se recuperavam do vício em álcool e/ou drogas, representando o maior estudo deste tipo até então conduzido.
" Resultados do estudo conduzido por Dustin A. Pardini, M.A., da universidade do Alabama, Thomas G. Plante, Ph.D., da Universidade de Santa Clara e por outros colaboradores, indicam que maior fé religiosa e espiritualidade estão associados a uma melhor forma de enfrentar o problema, maior maleabilidade ao estresse, orientação otimista da vida, maior apoio social e menores níveis de ansiedade" ( FRE ).
Na mesma fonte encontra-se que, as descobertas são similares a estudos prévios que indicavam que pessoas em recuperação do abuso de substâncias dão maior importância à reza, à crença em Deus e a um maior senso de fé. As descobertas também se assemelham aos resultados de estudos que examinaram a relação entre a religião e a saúde mental. Tais estudos reportaram maior habilidade de lidar com a situação e maior maleabilidade ao estresse, com maior satisfação em relação à vida ( FRE).
A pesquisa sugere que a espiritualidade contribui para uma perspectiva mais otimista da vida ao passo que atos de fé religiosa agem como amortecedores do estresse. Contudo, o conceito de espiritualidade e a forma pela qual difere da religiosidade ainda são vagos. Espera-se que os resultados do estudo levem a uma maior cooperação entre os membros de organizações religiosas e profissionais da saúde mental e de outros campos médicos ( FRE ).
Na reportagem de L.Oliveira, Revista Saúde (2001), encontra-se que os estudos científicos ligados à fé foram acima de 700 nas duas últimas décadas, 212 delas de 1999 para cá. Em um levantamento concluído no primeiro semestre de 2001 pela universidade de Georgetown, em Washitgton, dois terços dos trabalhos apontam o resultado benéfico da fé sobre a saúde dos indivíduos. Dentro do exposto por Lúcia Oliveira (2001), O Psiquiatra Harold Koening, considerado um dos expoentes mundiais na área, afirma que existe uma diferença que deve ficar clara em suas pesquisas : " A gente não quer provar se ocorrem milagres ou discutir se há cura simplesmente pela fé, o que se busca é conhecer melhor os efeitos da fé no organismo. E, de fato, eles aparecem bastante positivos."
A mesma autora complementa sua análise trazendo a palavra de vários especialistas, como a opinião do especialista em Medicina comportamental José Roberto Leite, professor da Universidade Federal de São Paulo que afirma que o fato comprovado pelos colegas americanos de que quem tem fé tem 50% menos chances de ser hospitalizados é devido, em grande parte, pelo fato de que essas pessoas geralmente levam uma vida mais tranqüila correndo menos riscos e evitando a bebida e as drogas. E ainda sobre outra ótica, o professor Herbert Benson, da Universidade Harvard, notório estudioso do território onde convivem Medicina e religião, relata que uma preocupação faz com que se libere neurotransmissores responsáveis pelo estresse, que afetam negativamente o sistema imunológico. Ao sentir-se protegido por uma força superior, o corpo produza outras moléculas, como a endorfina, a serotonina e uma série de mensageiros nervosos que aliviam dores, relaxam e dão sensação de otimismo e de bem-estar. Ao tratar do tema diante da visão do paciente de que a fé seja encarada como remédio, a autora relata a preocupação de médicos que afirmam que a fé não surtirá efeitos se o espírito dos pacientes não se convencerem o corpo jamais será enganado. Padre Antônio Maria se manifesta na mesma fonte, afirmando que Deus cura e que a igreja dá a isso muita importância, tanto que para que uma pessoa seja considerada beata ou santa é preciso que seja atribuído a ela algum milagre. Mas Lúcia Oliveira (2001) alerta que " há o perigo de que a doença seja considerada castigo divino. Existe gente que mantém um ótimo relacionamento com Deus mas nem por isso goza de excelente saúde."
A autora da matéria salienta que : " Sempre vem à tona questões dessa natureza. Mas não causam tanto constrangimento quanto o estudo de médicos do Hospital Saint Luke, no Kansas. Eles selecionaram pacientes de UTI em estado grave e deram seus nomes e suas fotos a alguns grupos de oração. A incidência de recuperação entre os doentes que foram alvo das preces foi 10% maior. Experiências com aidéticos têm resultados semelhantes. E, aí, ninguém pode falar em auto-sugestão. Só resta à ciência registrar os episódios e entregar a Deus."
Acrescenta Oliveira (2001): "quando você ora, não é só a alma que sai ganhando – Deus, o tema, está cada vez mais nas alturas na contagem das pesquisas médicas americanas."
Ressalta Bolsanello, ( Análise do Comportamento Humano em Psicologia, Ed. Educacional Br. 1986, p. 766 ) : " Existe uma crença que diz que as pessoas ao envelhecerem ficam mais religiosas, porém isso não está comprovado, pois a maioria das pessoas idosas mantém suas convicções religiosas formadas em épocas anteriores."

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