Josué de Freitas
O espírita têm em mãos um verdadeiro tesouro chamado Doutrina Espírita. Aquele que não se deixa fanatizar pelo misticismo criado em torno de médiuns ou dirigentes idólatras, tem ao seu alcance a chave da ciência oculta, vulgarização da doutrina do conhecimento. E, temos afirmado, não se pode compreender ou fazer uso deste compêndio de ensinamentos do dia para noite, depois de apenas passar os olhos superficialmente pelos livros fundamentais. Entre nós espíritas, existem irmãos que iniciaram-se na senda do progresso através de obras subsidiárias, ditadas por habitantes de colônias socorristas que, embora possuam luz, não oferecem uma idéia mais justa, mais profunda, do que seja a vida do Espírito imortal. Também não adianta ler uma ou duas dúzias de romances e depois disso declarar-se um conhecedor do Espiritismo. Se uma pessoa deseja crescer em termos espirituais, é preciso muito mais. É necessário iniciar-se na ciência da Verdade.
Os centros espíritas nem sempre são lugares seguros para o estudo do Espiritismo. Por uma série de motivos, que não cabe citarmos, boa parte das casas, que deveriam funcionar com um espírito de escola, tornaram-se pequenas igrejas. Dentre os inúmeros problemas, um deles é o hábito de se introduzir iniciantes na Doutrina dos Espíritos, pelos caminhos finais. Muita gente começa pelas obras de André Luiz, de Emmanuel, de Luiz Sérgio, de Ramatis e similares que, embora mereçam respeito, estão bem aquém das instruções deixadas pelo Espírito de Verdade a Allan Kardec. Falta-lhes o cunho da universalidade. São opiniões pessoais, que nunca tiveram a chancela do Controle Universal dos Espíritos (a maioria dos espíritas nem sabe o que é). Claro, tais livros poderão ser estudados mais tarde, porém, após a instrução fundamental, para que possam discernir o joio do trigo. Centros espíritas inteiros se deixaram guiar por orientações vindas das colônias e prepararam as pessoas para viver em "Nosso Lar".
Muitos não gostam de ouvir falar que centros espíritas podem ser entidades problemáticas. Mas é verdade. Se querem provas basta reunir os trabalhadores espíritas e propor qualquer tipo de melhoria no sistema vigente. A resistência encontrada é enorme e ninguém gosta de responsabilidades. Conseguiram convencer as pessoas que qualquer coisa que fizerem em nome do bem é caridade. Criaram uma espécie de amadorismo religioso, onde o adepto tem a ilusão de que está cheio de luzes. A grandiosa idéia veio das tais colônias socorristas, onde a maioria dos habitantes sofreram duras experiências no umbral, por causa de sua falta de conhecimento e seriedade perante a vida.
O serviço prestado por bom número de casas é de baixa qualidade. Mas quem se importa com isso? Orgulhosos e despreparados dirigentes, assistidos por guias espirituais em igual situação, ajudam a fazer de conta que tudo está maravilhosamente bem. Triste ilusão, que acaba com a morte e freqüentemente durante a vida mesmo. Conhecemos muitos adeptos que se desencantaram do Espiritismo, porque pouco de bom conseguiram obter. Obsessões e doenças nunca foram curadas, sob a alegação de que "era assim mesmo". Desilusões que poderiam ser evitadas se a doutrina fosse vista de uma maneira mais racional e objetiva, conforme instruiu-nos o Codificador.
Por esta razão, começa a tornar-se urgente a necessidade de se adquirir auto-suficiência espiritual. Não se pode depender de pessoas, sejam médiuns ou não; de líderes, sejam espíritas ou não; de centros, sejam corretos ou não, para termos paz. Deus é um pai de bondade e perfeição e nos dá hoje, com a Doutrina Espírita, todas as condições para termos a luz do Espírito, ou seja, conhecimento e moralidade em nível superior. E, certamente, não se faz necessário lermos todos os livros espíritas existentes. Aliás, bom número deles é dispensável, seja por constituírem-se em repetições do que todo mundo já disse, ou por suas condições doutrinárias e espirituais inferiores.
O espírita verdadeiro precisa ser absolutamente independente em termos espirituais. O centro espírita deve ser sua escola, o local onde encontre condições de crescimento em todos os sentidos. Mas, na impossibilidade disso acontecer, ele deve instruir-se na sã doutrina pessoalmente, na sua casa. Mais vale tentar compreender o Espiritismo em casa, que freqüentar um centro espírita problemático. Mas, não será um iniciado na ciência do conhecimento, se tentar orientar-se, por obras ditadas por Espíritos habitantes dos planos próximos da Terra. Necessita dos livros da Codificação, para formar sua consciência crítica e aprender a separar o que de bom existe nesses e em outros trabalhos. Começar pelo começo e dedicar-se ao seu crescimento interior. Eis um seguro caminho, para beneficiar-se da luz que emana dessa doutrina, sem deixar-se iludir por falsos mestres encarnados ou desencarnados, que vêm provocando danos em muitas mentes e instituições.
Texto publicado no site em 06/08/99
NovaVoz – Grupo Espírita Bezerra de Menezes
São José do Rio Preto – SP
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