segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ONDE ESTÁ A ALEGRIA ?

Recordo-me quando li a primeira vez a respeito dos bastidores do Carnaval no livro “Nas Fronteiras da Loucura”, escrito pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Franco. Fiquei surpresa, pois Carnaval não era sinônimo de alegria?! É uma festa cultural, histórica, e descobri que era uma cultura promovida por espíritos trevosos.

Histórica, é verdade, pois o nome Carnaval tem sua origem na expressão “carne nada vale”, uma festa criada na antigüidade pelos povos pagãos. Segundo os historiadores, eram as festas greco-romanas denominadas Saturnalias e as Bacchanalias, respectivamente voltadas para o culto de Saturno e de Baco. Em dias como estes tudo era permitido: as pessoas entregavam-se aos mais diversos desvarios e tudo com a “capa” da alegria, em nome da “liberdade”e da “igualdade”. Tanto é que servos misturavam-se aos senhores romanos nesse dia (algo impensável na cultura daquela época) - era a festa na qual o povo promovia e “comandava” o espetáculo, regado à bebedices, orgias, glutonarias, bem ao gosto da antiga Roma.

A Igreja incorporou essa cultura dantesca em seu calendário oficial no ano de 590 d.c. Na verdade, não porque aprovassem a festa, mas porque não queriam desagradar os fiéis. E pergunto-me se essa fidelidade não deveria ser em relação aos ensinamentos do Cristo e não às idéias mundanas.

Sem dúvida alguma, Jesus nos ensinou como ninguém a igualdade entre os homens, tanto que jamais autoproclamou-se Senhor e, muito menos, considerou os seus irmãos como servos Nem aqui desejamos tratar das desigualdades sociais, mas ainda hoje vemos nas avenidas essa cultura primitiva se estabelecer, quando identificamos os mais abastados materialmente “caindo na folia” no período carnavalesco com os mesmos desafortunados que serão desprezados por eles mesmos após a quarta-feira de cinzas. É o preconceito enraizado há séculos fazendo-se ainda presente e totalmente contrário aos ensinamentos cristãos. A liberdade ensinada pelo Cristo inverteu-se em libertinagem praticada pelos homens, esse o retrato moral do que vemos nesses quatro dias de “festa” no plano terreno.

Nós, espíritas, já encontramo-nos devidamente esclarecidos pelos espíritos superiores quanto às companhias espirituais inferiores que atraímos ao comungar com vícios e excessos de todo gênero. Manoel P. de Miranda nos narra que uma multidão de espíritos trevosos, oriundos de vales doentios, dos abismos espirituais, que comprazem-se no álcool, no fumo, no desvirtuamento do sexo, nas fanfarrices e nas mais variadas expressões emocionais inferiorizadas, por vezes até primitivas, comparecem a essa “festa” e até desfilam com os incautos foliões pelas ruas e avenidas. Não somente desfilam, mas muitos aproveitam para colocar em prática vinganças planejadas com antecedência. O ambiente psíquico fica favorável para as investidas malsãs, já que as energias irradiadas dos dois lados da vida são densas, escuras e extremamente negativas.

O mais lamentável é que somos nós que enviamos esse “convite” às trevas ao vibrarmos em uníssono com essa falsa alegria. Não nos esqueçamos que nós atraímos os espíritos que nos são afins, caso contrário, esses espíritos até poderiam tentar nos influenciar com suas idéias e costumes desvairados, mas não encontrariam em nosso íntimo ressonância.

Você consegue imaginar Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, espíritos valorosos que passaram pela Terra deixando-se influenciar pelos arroubos do Carnaval? Em sã consciência, consegue visualizar Jesus e os apóstolos festejando a vã alegria? Onde a vigilância que o Mestre nos ensinou nesse período? Em qual momento encontramos a oração e a caridade?

Se essas personalidades luminíferas, que trabalham em prol do bem da Humanidade até hoje dos mais altos planos espirituais, não comungam do ideal carnavalesco, porque nós nos permitimos tal comportamento invigilante? Onde fica a vivência cristã que almejamos?

Poderemos até tentar nos enganar, afirmando-nos felizes ao desfilar numa avenida, buscando as sensações efêmeras do sexo desregrado, mas a verdade é que encarnados ou desencarnados, quando distanciados do Cristo, estaremos bem distantes da verdadeira felicidade.

Uma coisa é afirmar-se feliz, outra bem diferente é ser feliz. Quantas dores, quantos dramas não estão escondidos por detrás das máscaras e fantasias? Quantos sorrisos são realmente verdadeiros? Quantas afeições são destruídas? Quantos crimes são cometidos? Quantas crianças encaminhadas para os mais variados vícios?

Estaremos conscientes desse mal ou coniventes com o erro? Cabe a cada um a análise de si mesmo.

Que nós possamos aproveitar esse período para um retiro espiritual, buscando, no local em que estivermos, a leitura edificante, o envolvimento com os benfeitores espirituais, nos abstendo quanto possível dessas energias perniciosas da “festa da alegria”.

Que a oração e a vigilância estejam presentes em nosso dia-a-dia, sendo instrumentos úteis nas mãos dos espíritos de luz que chegam dos vários planos espirituais para o socorro ao próximo, já que em meio a tantos desvarios, certamente encontraremos variados sofrimentos.

Cultivemos, esta sim, a verdadeira alegria de servir ao Bem na Terra.

por Simone do Valle

fonte: http://www.aveluz.com.br/cristianizar/?p=27

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