terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

DEIXAR CRESCER

A tradição bíblica ensina que antes da chegada de João Batista houve um grande silêncio profético.



Por aproximadamente quatrocentos anos, nenhum profeta falou ao povo.



Finalmente, João Batista começou a pregar e causou grande comoção.



Muitos até achavam que ele era o Salvador longamente esperado.



Contudo, quando Jesus o procurou para ser batizado, João foi enfático em apontá-Lo como o que haveria de vir.



Em um momento posterior, surgiu certa crise envolvendo os discípulos de João, a respeito da figura de Jesus.



O Batista novamente não titubeou e afirmou com clareza:



É necessário que Ele cresça e que eu diminua.



É interessante observar que o famoso profeta não estava procurando um caminho fácil para seguir.



Ele não se tornou inerte, não fugiu de seus testemunhos.



Continuou a pregar com desassombro, até que seu falar claro fez com que os poderosos da época decidissem assassiná-lo.



Mas nem por isso deixou de reconhecer o lugar que lhe cabia na concretização de um ideal superior.



Essa postura de João Batista pode suscitar saudáveis reflexões.



Muitas criaturas se dispõem a fazer o bem ou a trabalhar por um ideal.



Entretanto, exigem ocupar lugares de importância.



Desejam servir, sim.



Mas, desde que isso lhes propicie brilho e reconhecimento.



Quando se apresenta alguém mais capacitado para o desempenho de uma tarefa considerada importante, relutam em ceder o lugar.



Se uma nova liderança surge, com grande potencial, tratam de boicotá-la.



Fazem-se severos críticos de tudo e de todos que podem lhes fazer sombra.



É como se o bem somente pudesse se realizar através delas.



Tal gênero de conduta sinaliza que a vontade de servir-se de uma causa é maior do que o desejo de servi-la.



Entretanto, na tarefa de construção de um mundo melhor há espaço para todos.



A verdadeira recompensa pelo amor do belo e do bem é a paz interior.



O reconhecimento do mundo é transitório e costuma representar principalmente um fardo a ser suportado.



Não compensa viver em função dele.



Importa aprender a servir, onde e como se fizer necessário.



Se a tarefa exigir alguma exposição, manter a modéstia.



Quando o momento de brilho passar, permanecer no serviço, ainda que em posição singela.



Assimilar que o bem não tem dono e que sua concretização é uma conquista da Humanidade inteira.



Rejubilar-se com o aparecimento de pessoas com grande potencial e desejosas de trabalhar.



Deixar que cresçam e alegrar-se mesmo com o crescimento delas.



No momento certo, saber tornar-se obscuro, a fim de que uma luz maior brilhe, em benefício de todos.



Redação do Momento Espírita.

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