Um dos mais promissores "bebês" das culturas emergentes é sua Espiritualidade. Isso não significa necessariamente adesão a uma religião formal ou Igreja organizada; pode ser também uma atitude interior, uma busca de identidade pessoal e significado na vida. A espiritualidade, ao contrário da religião, é uma questão de foro íntimo, ligada ao relacionamento do indivíduo com o cosmos. Ao contrário da religião, a espiritualidade não exige um local específico para seu exercício, nem exige sacerdotes. Seu templo é a mente do indivíduo; seu altar é o estado de consciência que surge com a prece e a meditação profunda.
Infelizmente, com o passar do tempo grande parte da substância original da experiência religiosa se evaporou, deixando algumas religiões organizadas com uma concha vazia de doutrinas e rituais. O acesso direto a uma realidade mais elevada tende a ficar reservado aos sacerdotes, mediadores autorizados entre a sociedade e o divino. Ainda existem monges e outros membros do sacerdócio ordenado que se envolvem em práticas que conduzem a estados não-ordinários de consciência: jejuns, preces intensas e meditação profunda. Mas, como observou Stanislav Grof, se um leigo tiver uma experiência religiosa real em alguma das Igrejas de hoje, é provável que o sacerdote o encaminhe para um psiquiatra.
A ascensão da espiritualidade na sociedade dos dias de hoje não se limita às culturas emergentes; ela também invade os salões consagrados da educação superior. Harvard e outras grandes escolas de medicina estão dando cursos sobre a espiritualidade na prática médica; escolas de administração de empresas de primeira linha estão oferecendo seminários sobre a espiritualidade nos negócios. Organizações filantrópicas como a Fundação John Templeton financiam pesquisas, publicações, simpósios e programas que conciliam ciência, medicina e espiritualidade. Instituições de vanguarda, como o Instituto de Estudos Integrais da Califórnia e o Schumacher College, da Inglaterra, dedicam programas inteiros à tradição espiritual e seu papel na ciência e na sociedade; algumas instituições recém-fundadas, como o Canonbury Masonic Research Centre, dedicam-se totalmente ao estudo da tradição mística, não como fato histórico ou curiosidade antropológica, mas como uma força viva com relevância direta para a sociedade.
Fonte : Laszlo, Ervin, Macrotransição, O desafio para o terceiro milênio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário