O povo hebreu foi o escolhido para a realização sagrada de constituir uma religião francamente monoteísta, mais avançada e verdadeira, que representaria o fulcro luminoso do conhecimento espiritual do futuro, com base na promessa divina feita ao patriarca Abraão, na cidade de Uré, na Mesopotâmia.
Cativo por 400 anos dos egípcios, nas terras de Goshen, em trabalhos forçados, surgiu para esse povo um missionário poderoso e iluminado - Moisés - que dali o libertou, conduzindo-o a uma terra de promissão, as margens do rio Jordão, em Canaã.
Foi-lhe outorgado um código avançado de conduta moral - o Decálogo - e um deus único - Jeová - protetor e defensor, que se manifestava de forma tão evidente e objetiva, em todas as ocasiões graves, que se radicou para sempre no coração desse povo. Suas leis religiosas eram rigorosas, inflexíveis e tão fortes, que puderam mantê-lo unido e fiel através dos tempos e das mais terríveis vicissitudes.
Não eram leis de redenção, mas de aglutinação em torno a uma realidade única, a um poder cósmico soberano e uno, a um código que levasse à realizações redentoras, futuramente.
Essa foi a missão de Moisés, o missionário hebreu: preparar um povo para a primeira religião monoteísta; limpar os caminhos para o advento de um novo enviado divino; arrotear o solo para uma semeadura de maior expressão evolutiva. As comunicações mediúnicas, já naquela época, eram abundantes. Mas tamanhos eram os abusos em evocar indiscriminadamente os espíritos, que Moisés proibiu estas atividades.
Veio então Jesus, mais tarde, na Palestina; o excelso Enviado, que pregou e praticou a redenção pelo amor, a unidade em Deus, como Pai.
O substrato de seu código moral, denominado Evangelho ou Boa Nova, está contido no Sermão do Monte, cujas regras são, ao mesmo tempo, uma libertação pelo conhecimento e uma realização redentora.
O cultuado no mundo por centenas de milhões de adeptos, mas jamais foi cumprido no seu verdadeiro sentido cósmico e, por isso, a humanidade não pôde ser ainda encaminhada a seus superiores destinos espirituais.
O missionário nazareno, uma verdadeira manifestação do Cristo Planetário, foi imolado na cruz pelo povo escolhido, aquele mesmo povo preparado para recebê-lo e amá-lo; e os seus ensinamentos, pouco mais tarde, foram utilizados para dominação religiosa, visando interesses meramente humanos.
Mas encerrou-se o ciclo ? Não. Na sua consciência das coisas futuras, sabendo que seus ensinamentos e seu testemunho de amor, na morte física, não bastariam para esclarecer as consciências, o Cristo prometeu, como pastor e guia da humanidade, não esmorecer nos esforços de redenção, não como naqueles dias, descendo na Terra ele mesmo, mas enviando novos missionários para completar a obra, antes que as sombras do encerramento do ciclo se estendessem sobre o mundo; essa mesma obra que os discípulos e apóstolos, logo após seu regresso aos Planos Espirituais, tentaram realizar na Terra com a difusão do Evangelho, em várias partes do mundo de então, oferecendo-se como testemunhos vivos de sua autenticidade e do seu poder redentor.
O sacrifício desses servidores fiéis não foi inútil porque os ensinamentos se perpetuaram no Tempo, difundiram-se pelo mundo, e serviram de base na criação do Cristianismo Primitivo, que exigia a vivência, segundo a essência do ensinamento.
Conquanto tenha sido substituído mais tarde, como já o dissemos, por organizações religiosas dogmáticas, mais que tudo radicadas a interesses humanos, a doutrina verdadeira não desapareceu - "minhas palavras", disse o Cristo, "não passarão" - porque viriam mais tarde a ser revividas em espírito e verdade - "Deus é espírito e em espírito e verdade deve ser adorado" - por uma religião não de homens, mas de próprios discípulos e mensageiros.
E veio, em nossos dias, como Doutrina dos Espíritos, cuja tarefa é reviver esse cristianismo primitivo. Essa Doutrina hoje se expande irresistivelmente pelo mundo, sem fronteiras e, como antes, nos tempos apostólicos, sua finalidade _: 1º - esclarecer as mentes sobre as verdades espirituais; 2º - operar nos homens as transformações morais indispensáveis na sua redenção na sua integração nos mundos espirituais superiores.
Reviver, pois, o cristianismo primitivo, na essência dos seus ensinamentos e nos termos expressos pelo Divino Mestre, é a sua gloriosa tarefa, em pleno curso em nossos dias.
O Espiritismo, portanto, não é simplesmente um conhecimento teórico ou especulativo: é iniciação em verdades maiores e ação plena e efetiva em bem da coletividade; não _ somente um esforço intelectual, uma pesquisa de caráter filosófico, ou demonstrações de fenômenos "estranhos", com abrangência, mais ou menos profunda, nas leis naturais; mas devotamento ao próximo, auxílio sem nenhuma discriminação, confraternização, demonstrações legítimas de amor universal, para que assim os homens se redimam do passado culposo e se aproximem de Deus.
A realização espiritual, individual e coletiva, no sentido elevado e verdadeiro; doutrina essencialmente redentora, porque tem a força do convencimento pelos fatos.
Os escritos dos chamados Pais da Igreja estão repletos de ensinos e práticas espíritas. Os primeiros cristãos viviam em íntimo e familiar contato com os invisíveis. Sabiam como fato absoluto que a morte não significa mais que a passagem para uma vida mais ampla.
Hoje, algumas religiões afirmam que somos descendentes de Adão e Eva.
A Antropologia, uma ciência oficial, tem provas concretas de que o homem vem evoluindo através das espécies há milhões de anos.
Estas mesmas religiões negam a existência dos espíritos, e assim como a estêria de Adão e Eva, pouco de substancial oferece aos seus sectários.
Precisamos pisar em "terra firme", ou seja, em idéias e fatos que sejam suscetíveis de comprovações. Mas quantas pessoas acreditam em Adão e Eva? e que espírito _ coisa do "demo" ?. S_o aqueles que crêem sem questionar. Ou a fé cega, que rende a ilusão do crente... e o bolso cheio de dízimos para os seus líderes.
Questionar é preciso. E buscar provas, mais ainda. O mais cômodo ficar repetindo o que os outros disseram, mas isto contrapõe com o uso racional da inteligência. Se alguém discorda de alguma coisa em sua religião, tem o direito e o dever de se manifestar e fazer uso público de seu raciocínio lógico.
A liberdade de pensamento e ação é a tônica que deve orientar a vida do cristão.
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