domingo, 30 de julho de 2017

Dar conta de si


São muitos os que atravessamos a existência na Terra sem muitas preocupações com os próprios atos.
     Vivemos como se o nosso agir, a nossa postura perante a vida não fosse nossa exclusiva responsabilidade.
     Por esse motivo, despreocupados com qualquer tipo de consequência, vivemos com o único propósito de amealhar, tirar vantagens pessoais.
     Não falamos dos que se entregam, de forma explícita, a questões ilegais como o roubo, o furto ou tráfico.
     Dizemos de nós, os que na intimidade de grandes corporações, no luxo de escritórios bem montados, atuamos no desvio de dinheiro público, na montagem de balanços forjados, na estruturação de contratos fraudulentos.
     Tudo porque imaginamos a vida como um grande jogo onde aquele que consegue mais para si é o grande vencedor.
     Outros de nós atuamos no mundo preocupados em agir de forma legal. Trata-se, no entanto, de uma atuação no limite da legalidade, na preocupação de não sermos pegos pela justiça, de não respondermos perante tribunais e juízes.
     Não medimos esforços na busca de brechas na legislação, para encontrar meios de conseguir vantagens e o que haja de melhor para nós mesmos.
     Temos ciência de não estarmos contra a lei, entretanto, serão apenas códigos humanos a nos ditar os limites de nossas ações.
     Porém, não podemos nos esquecer de que a vida aqui na Terra não é patrimônio que nos pertença.
     Renascemos nas lides terrenas e retornamos à pátria espiritual sob o rigor da lei Divina.
     Dessa forma, todas as experiências terrenas estão sob a tutela dessa lei, cuja finalidade maior é o aprendizado e o crescimento intelectual e moral de cada um de nós.
     Ao concluirmos a experiência física, seremos convidados a prestar contas de como agimos, de todo o realizado ao longo dos anos que nos foram dados a viver.
     Natural que assim seja, considerando que tudo o que dispomos na Terra, incluindo nosso corpo físico, é a título de empréstimo. Nada nos pertence. Somos apenas arrendatários.
     Portanto, se andarmos no mundo burlando os limites da lei, haveremos de responder, perante as leis humanas e no além túmulo.
     Poderá ocorrer que, mesmo extrapolando os limites da moralidade, do correto, do respeito ao próximo, os tribunais da Terra não nos alcancem. E poderemos nos vangloriar de haver enganado a lei dos homens.
     Mas, inevitavelmente, responderemos perante nossa consciência quando essa se defrontar com nossos desacertos morais. Sempre haveremos de prestar conta de nossos atos.
     Diz o bom senso, então, que antes de agirmos, nos perguntemos se o que fazemos é legal, moral.
     Necessário analisar se nossos atos não prejudicam o próximo, não atribulam a outrem, se não causam dificuldades a alguém.
     Tudo que fizermos carrega o peso de nossa intencionalidade e haveremos de responder pelas consequências.
     Importante nos questionarmos a respeito de nossas próprias ações, quais os valores que escolhemos para nossas decisões.
     Afinal, serão eles que dirão da nossa felicidade ou desdita, no agora, logo mais ou em momentos mais distantes.
     Pensemos nisso.

      Redação do Momento Espírita.
fonte:  

WWW.ADDE.COM.BR

As expressões “Kardecismo” e/ou “kardecista” não devem ser desestimadas (Jorge Hessen)




Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
É evidente que o termo espírita só é aquele preconizado por Kardec, sem hibridezes. Entretanto, as palavras “kardecista" e/ou "kardecismo" seriam de uso censuráveis? Talvez seja ineficaz a utilização dessas palavras, no entanto jamais serão impróprias. Além disso, entendemos que há algumas ponderações plausíveis a serem expostas com relação ao assunto.

Primeiramente recorramos ao Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa [1]. Nele encontraremos as definições: kardecismo - Doutrina religiosa de Allan Kardec; kardecista - pertencente ou relativo a Allan Kardec ou ao kardecismo - adepto do kardecismo. A Enciclopédia Universal define o seguinte: kardecismo - Doutrina de Allan Kardec, espiritismo - kardecista - aquele que adota as doutrinas de Allan Kardec - Relativo a kardecismo [2]. Estamos aqui fazendo referência a duas consagradíssimas fontes do saber.

Dizem que existe uma guimba de preconceitos a substituição dos termos espírita e Espiritismo pelos termos "kardecista" e "kardecismo", visando que suas crenças não sejam confundidas com aquelas que, para tais, são "inferiores", portanto não querem ser identificados como feiticeiros ou macumbeiros. Mas vale aqui uma ponderação. Em quase todos os lugares que se pratica o mediunismo, alcunha-se de “espírita”.

Vejamos, existem instituições nomeadas como "centro ‘espírita’ caboclo beltrano", "tenda ‘espírita’ pai sicrano", "cabana ‘espírita’ vovô fulano", "centro ‘espírita’ tenda fraterna", "centro ‘espírita’ de umbanda cobra coral", "centro ‘espírita’ pai Joaquim” etc. Em tais instituições não há qualquer orientação espírita, portanto precisariam substituir o nome ‘espírita’ por espiritualista.

Apesar das apropriações indébitas do termo ‘espírita’, conquanto sem cumplicidade, pois cada coisa deve estar em seu devido lugar. Os espíritas, respeitamos todas as seitas, cultos, religiões, valorizamos todos os esforços para a prática do bem, trabalhamos pela confraternização entre todos os homens, independentemente de raça, cor, nacionalidade, crença ou nível cultural e social, e reconhecemos que, segundo Kardec, "o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza".[3]

Se o Espiritismo rejeita quaisquer cultos externos, é óbvio que não pode ser considerado espírita quem exercita cultos em “terreiros”, quem é adepto de magia “branca” ou “negra”, quem adota idolatria, conquanto se consideram espiritualistas. Com as lições de Allan Kardec, cuja literatura não poderá deixar de ser fonte básica do Espiritismo, devemos asseverar que o conceito ou o nome de espírita não podem ser aplicados aos seguidores de qualquer seita ou prática espiritualista, porém tão somente aos estudiosos e praticantes que abarcaram a Doutrina dos Espíritos e por lógica já não se vinculam mais ao ritualismo nem aos preceitos e dogmas que estreitam a inteligência, petrificam a fé e fragmentam o bom senso.

É por essas e outras que o emblemático sincretismo religioso brasileiro tem remetido as pessoas a confundirem Espiritismo com ocultismo, esoterismo, teosofia, orientalismo, umbandismo, xamanismo, exorcismo, exoterismo, ubaldismo, ramatisismo e demais mistismos iguais ao roustanguismo febiano e outros análogos. Em face disso é perfeitamente compreensível a defesa de alguns confrades para o uso do célebre "sou kardecista" para se harmonizarem de forma racional às circunstâncias cabíveis.

Kardecismo? Anos atrás, jamais se admitiria essa hipótese, pois Espiritismo só existe um. No entanto, e embora consciente de que o Espiritismo não foi obra de um homem, mas dos Espíritos Superiores, e que o mestre lionês, por isso mesmo, foi apenas o instrumento de que a espiritualidade maior se serviu para transmitir novas diretrizes de amor e paz à Humanidade, nada obsta que cheguemos ao fato concreto de que o sufixo "ismo", em seu pseudônimo, seja disseminado para designar o movimento religioso (Espiritismo) por ele codificado. Ou seja, o termo Kardecismo distinguiria a doutrina por si só.

Como exemplo dessa ordem, podemos citar o Darwinismo, Platonismo, Socratismo, Luteralismo, Calvinismo etc. E quem nos garante que os métodos desses grandes vultos da História tenham sido particularíssimos, isto é, sem a inspiração de Espíritos Superiores? É óbvio que foram inspirados. Portanto, nada mais justo, oportuno e conveniente que estudemos essa possibilidade, "também", pois os espíritos superiores, por serem superiores, representam a permanente tranquilidade interna ante as atitudes que promovam e dignifiquem o legítimo pensamento espírita.

Urge que se faça a distinção, pois não podemos admitir que a Doutrina Espírita caminhe com luzes na essência e obscurantismo na sua difusão e aplicação prática. É um fato real e digno de nossa atenção. Naturalmente a nossa presunção no texto não é modificar coisa alguma, mesmo porque não detemos poder para tanto, porém reafirmamos (sem o fantasma da culpa) que o uso das expressões Kardecismo ou Kardecista não constitui um atentado contra a Doutrina dos Espíritos, por isso mesmo não deve ser motivo de censuras, análises severas ou indignação, pois esses vocábulos estão perfeita e intrinsecamente associados ao termo Espiritismo.

 Referências bibliográficas:
[1]            Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, SP: Ed Positivo, 2010
[2]            Enciclopédia Universal.  São Paulo:  Editora Pedagógica Brasileira LTDA, 1969

[3]            KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XVII, Item 3, RJ: Ed. FEB, 2001

PARA AMIGOS, COMPANHEIROS E CHEGADOS...


“Velho ou moço, com saúde do corpo ou sem ela, recorda que é necessário movimentar o dom que recebeste do Senhor, para avançares na direção da Grande Luz”.  (Emmanuel, no Livro “Fonte Viva”, item 130, psicografia de Francisco Cândido Xavier.) 
Nosso renascimento na Terra, para  mais uma encarnação, traz sempre em seu bojo o firme propósito de nos proporcionar novas e valiosas oportunidades de crescimento espiritual, pois que a existência no planeta é transitória, passageira, enquanto que a vida definitiva está fora do corpo físico.
Dessa forma, imprescindível se torna que aproveitemos bem o tempo em que aqui permanecermos, utilizando todas as chances e oportunidades para realmente avançarmos no campo do amadurecimento íntimo, liquidando com os defeitos que ainda nos causam tantos dissabores e conquistando virtudes que possam nos assegurar melhores posições na vida.
Na verdade, pensando no bem-estar futuro, não importa em que condições estamos, mas sim o que estamos fazendo com os recursos que possuímos.
Se contamos com boa saúde mental, façamos o devido uso da inteligência para ajudar aqueles que a vida colocou do nosso lado e que porventura não dispõem de maiores dotes intelectuais.
Se administramos, aproveitemos nossas funções diretivas para promover a justiça e distribuir oportunidades a todos os que seguem os nossos passos.
Se lecionamos, façamos das nossas aulas um ambiente seguro de ensinamentos, contribuindo para a formação de uma sociedade mais justa, humana e esclarecida.
Se somos patrões, observemos os nossos empregados como colaboradores indispensáveis da nossa empresa, ajudando-nos a atingir os objetivos a que nos propomos.
Se somos empregados, sirvamos à empresa que nos acolhe, entendendo-a como a fonte de recursos que nos permite atender nossas obrigações materiais.
Se o lar está sob nosso comando e direção, sejamos o sustentáculo fiel da família, no oferecimento de ações que proporcionem a todos as chances de se organizarem para a vida de forma digna.
Dentro do quadro social em que nos encontramos, não importa se gozamos de boa saúde ou mesmo se vivemos com escassez de recursos físicos, mas sim o esforço que fazemos para que cumpramos com os nossos deveres.
Às vezes a vida nos cria determinados limites e impõe certas restrições  para que aprendamos a superar dificuldades e a enxergar mais longe, trabalhando em ambientes de grandes desafios.
Observemos, então, os talentos com que já contamos e saiamos a trabalhar com eles para fazê-los multiplicar. Para a Providência divina o medo e o receio não servem de desculpas. Devemos encontrar sempre muitas razões para servir e cooperar para a formação de um mundo melhor.
Sejamos crianças, moços, adultos ou idosos, sempre haveremos de encontrar um jeito de contribuir para a construção da sociedade dos nossos sonhos. Não esperemos pelos outros, realizemos a parte que nos é devida e, paulatinamente,  o mundo se transformará para melhor.

FONTE - http://letraespirita.blogspot.com.br/Imagem inline 1